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Amor pela vida

É na terceira idade que muita gente se conecta consigo mesma e vive a melhor e mais completa fase da vida

Geomar Senra (54) e Roberto Bronze (63) compartilham o amor pela natureza, principalmente, pelo mar

Foto: Lucas Benevides

Dizem por aí que a vida é feita de fases, com início, meio e fim. Mas, quem disse que a vida, necessariamente, precisa ter um fim pacato? A jovem senhora Rizete Medeiros, em seus quase oitenta anos, tem o costume de desbravar o mundo em sua motocicleta. Todos os dias está envolta por diversas atividades: passeia, pilota, dança, brinca e muito mais. Ela não para. Sabe o por quê? Porque ela ama a vida. Segundo Rizete, 79, ela está apenas começando, assim como no filme “O Curioso Caso Benjamin Button” (2008), que nasceu idoso e rejuvenesceu à medida que o tempo passava. A aposentada coleciona títulos: já foi rainha da Alegria, de Escola de Samba, do Movimento LGBT, Feliz Idade, entre outros.

“Sigo o lema: ‘Trate as pessoas como gostaria de ser tratado, com educação e respeito’. Sou uma pessoa de energia. Fiz teatro, natação, fui chefe de escoteiros, sempre em atividades que me deixam em movimento. Hoje, faço musculação, sou membro da Família Estrelados Moto Grupo Macaé, onde estou desde meus 75 anos, coordeno um grupo de terceira idade, o Feliz Idade em Botafogo, sou atuante nos Portadores da Alegria, e muito mais. Sou conhecida como ‘15 anos’ pelos amigos, porque não paro nunca, afinal, quem fica em casa parado é mobilia e dá mofo”, afirma.

Na terceira idade, algumas preocupações deixam de existir, no geral, como a rotina de trabalho, os filhos pequenos, entre outras tarefas. Esse tempo pode ser usado para aproveitar a vida e tornar os momentos vividos em instantes de paixão e prazer, como faz Ivo Nunes da Silva, advogado, de 70 anos.

“A atração pela vida é pelo fato dela ser uma só. A partir do momento em que você vive, você deve estar bem, com saúde, qualidade de vida e em paz. Enquanto fizermos forças para caminhar e viver sem depender de ninguém, temos que ser felizes. Alcançamos essa qualidade de vida através da atividade física. Eu, por exemplo, corro de maneira regrada há cinco anos, com orientação do meu professor, Miguel Almeida, e do meu mestre, André Cavalcanti, que me incentivam a não desistir. Alio o esporte a uma boa alimentação. Meu principal foco é a saúde, o restante é consequência. Cuidar da nossa saúde é mostrar que somos apaixonados pela vida. Quando gostamos, cuidamos e isso é um meio de demonstrar amor por nós mesmos”, diz Ivo Nunes, que divide momentos de alegria na corrida ao lado de sua amiga Lucia Helena Boscarino David, 62 anos.

O advogado Ivo Nunes (70) divide momentos de alegria na corrida ao lado de sua amiga Lucia Helena Boscarino (62)

Foto: Lucas Benevides

Lucia se sente apaixonada pela vida, pois, apesar de não ter tudo o que gostaria, ama tudo o que tem. “Sou elétrica demais, para mim, é oito ou oitenta. Quando estou triste, penso naqueles que estão piores e fico feliz. Não tenho muita ambição, tento vencer as inúmeras insatisfações e me libertar delas. Vida para mim é liberdade, e essa liberdade é que me atrai e a encontro na corrida, que me mantém viva. Hoje, faço parte do grupo do corrida Performance Caarj (Caixa de Auxílio dos Advogados do Rio de Janeiro), sou maratonista com meu amigo Ivo. Correr dá uma sensação única, não me importa se estou com dores ou com lesões, fico numa felicidade só, é inenarrável”, confessa Lucia.

A terceira idade é o momento de realizar os sonhos pendentes e também, por que não, de formar um legado? O esporte é uma maneira de mostrar essa paixão, como faz o instrutor de windsurf, Geomar Jesus Senra, 54, nas praias de Niterói e do mundo.

“As décadas 80/90 foram magníficas e há sete anos voltaram idênticas como reprise em minha vida, no meu trabalho, no amor, na família. Na verdade, tudo voltou como antes. Estou em uma fase de êxtase, vivendo da melhor maneira. Envelheci alguns anos e me tornei mais jovem. Uma forma de viver esse amor pela vida é na prática do windsurf, sou apaixonado pelo esporte. Em Camboinhas estou desde 1986, dou aulas e sinto com os alunos essa magia da vida”, comenta o instrutor.

Geomar partilha seu amor pelo esporte com o amigo Roberto Bronze, 63, que esbanja alegria pela vida em suas longas histórias relacionadas ao esporte.

“Cheguei em Niterói com 10 anos e sempre senti uma ligação com o mar. Velejo há 53 anos e, com o passar do tempo, tudo mudou, mas nunca larguei minha paixão: o mar. Descobri o que precisava para permanecer no mar com o passar dos anos: o windsurf, por ser mais prático. Apesar das limitações da idade, desenvolvemos técnicas e levo esta brincadeira até onde Deus me permitir. Me sinto em contato com a natureza, me faz um bem à saúde, saímos da confusão do trânsito, não estamos em um bar bebendo, estamos em paz e felizes”, celebra Roberto.

O psicólogo Bruno Barcellos explica que estar de bem com a vida é fundamental para a longevidade. “Gostar da vida envolve aprender a lidar com suas dores, superar suas perdas (comuns na idade) e fazer aquilo que o deixa feliz. Tudo isso ajuda a viver melhor”, afirma.

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