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Mais Amor, Por Favor

A jornalista Dara Bandeira fala sobre os conflitos da rotina, as dificuldades e prazeres dos relacionamentos. Conquistas e tristezas da vida. E-mail para esta coluna: dara.bandeira@ofluminense.com.br

Até que haja paz

Em algum momento, as coisas ruins parecem se ajustar, disso sabemos ou pelo menos deveríamos. Damos nomes, rótulos: fase ruim, inferno astral, crise do política do País, retorno de um messias prometido ou de Saturno. Achamos, por vezes, ter chegado a um lugar em que não adianta mais brigar com a própria cabeça, nem mesmo com os amigos, amores, amantes, ex-amantes, caixa da padaria. Não adianta gritar pela ordem. Não adianta gritar como se o mundo fosse obrigado a usar do nosso senso para seguir. 

Felizmente não é. Somos muitos, múltiplos, cada um dispensando a energia que acha necessária para lidar com as consequências da própria vida. Então, enquanto Saturno não volta, enquanto a fase ruim parece não ter fim, cuide de você. 

Um: não se importe tanto com a vida do outro. Dizendo assim, pode parecer só que estamos abrindo uma grande margem para falta de cuidado com os que estão próximos a nós, mas não é nada disso. Você pode continuar entregando proteção, amor, hombridade. Tá liberado, não dói, dignifica a alma e por aí vai. Mas, veja bem, não use o “cuidar do outro” como muleta para ser inconveniente, para controlar, nem para expor. Isso não tem nada a ver com cuidado. Carregamos, por mil fatores que não cabem aqui, uma espécie de fetiche com a miséria, com a dor do outro, com a necessidade de contar primeiro que você está profundamente abalado, feliz, triste ou o que seja pelo rumo que a vida de alguém tomou. Ao invés disso, da fala ou publicação só para que o mundo saiba o quanto você é informado, seja disponível, aja em silêncio, faça menos barulho e tenha compaixão. Isso também é cuidar de si. 

Dois: baixe a bola. Dê um tempo nos comentários maldosos sobre as pessoas e coisas que te cercam. Pode ser complicado, porque parece que tem metade do planeta imbuída dessa função. Grande parte na finesse, na sutileza. Mas há uma fórmula que você pode usar para uma vida mais em paz, mesmo enquanto a paz não chega: se não tiver nada de bom para dizer a alguém, não diga nada. Não diga nada até ter alguma coisa boa para dizer. Não seja responsável por lembrar ao outro que o ser humano pode ser cruel só porque disseram que opinião qualquer um pode dar. Isso é atraso de vida. Não ajuda você. Faça elogios sinceros, seja um pouco mais educado, olhe nos olhos, sem pressa.

Comece aos poucos, doses homeopáticas. Não destile veneno como se os ambientes – sua casa, seu trabalho, a mesa de bar – fossem uma festa de cobra. Se não conseguir fazer pelo outro, faça por você. Isso também é cuidar de si. 

Três: entenda seu tempo. Cuidar de si é uma tarefa árdua. Nos perdemos no caminho, nos perdemos com coisas que parecem autocuidado, mas não são. Perdemos tempo com a mania besta de achar que estamos no centro e estão todos prestando atenção. Erramos o caminho querendo que todo o mundo concorde com a nossa forma de ser. Nós queremos, tolos, que todos sejam como nós somos. Outras vezes nos perdemos porque vemos a vida como um grande teste. Particularmente, acho que não é. E, mesmo que seja, é um teste feito mesmo de aprendizados, aperfeiçoamentos. Tenho só dúvidas sobre quem é vitorioso. Vamos falhar às vezes. O ideal é só que a gente tente ser um pouquinho melhor, que a gente passe de fase. Todos os dias um level a mais. Cabeça fresca, coração tranquilo, brisa nos cabelos, potência. Seguimos em frente. Até a próxima curva. 

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