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Autoexame para eles

Técnica ajuda a identificar tanto câncer de mama como o de testículo

Autoexame também pode ser feito por homens

Divulgação

Por Carolina Ribeiro

O autoexame é muito conhecido no universo feminino como forma de detectar o câncer de mama, entretanto, o que poucos homens sabem é que o método também pode ser feito por eles para identificar tanto o câncer de mama como o de testículo. Segundo o urologista Renato dos Santos Faria, o autoexame masculino precisa ser tão valorizado como o feminino. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a incidência de câncer de mama em homens é de 1% do total de casos da doença, enquanto o de testículo é de 5% do total de casos de câncer em homens. 

O especialista revela que a adolescência é um bom momento para começar a se examinar, e ensina que a técnica pode ser feita em frente ao espelho ou na hora do banho.

“É preciso apalpar o testículo, procurando avaliar o aumento da região que ocorre de forma indolor, e as modulações, que são os caroços. Já na mama, as alterações que se podem perceber são o aumento de volume, as irregularidades, de altos e baixos nessa região, podendo haver a presença de dor e descarga, que é a saída de secreção do peito, também associada a algum nódulo na axila. Esse toque é feito em movimentos circulares”, explica.

Faria alerta que é importante não se assustar, já que a principal causa de aumento da mama em homens é benigna. Segundo o especialista, ela ocorre quando há crescimento no número e no tamanho das glândulas mamárias, fenômeno conhecido como ginecomastia. 

O oncologista Pedro Masson aponta que os tumores de testículo são raros e acometem de três a cinco homens em cada cem mil, geralmente na faixa etária dos 15 aos 50 anos.

“Se diagnosticados precocemente, esses tumores têm altas taxas de cura. O simples exame testicular é capaz de detectar o problema em fases bem precoces. Portanto, homens na idade fértil são orientados a realizar o autoexame testicular mensalmente”, esclarece. 

Masson explica que o histórico familiar e a criptorquidia (quando os testículos não migram para a bolsa escrotal) são algumas das possíveis causas desse tipo de câncer. O histórico familiar e o avanço da idade também são fatores que aumentam a incidência do câncer de mama em homens, como frisa o urologista Renato dos Santos Faria. O tratamento central dos dois tipos de câncer são cirúrgicos, seguidos de tratamentos complementares com quimioterapia para testículo e quimioterapia e radioterapia para mama. 

O oncologista diz que exames de sangue relacionados à biologia molecular do câncer de mama podem evidenciar os fatores de risco de desenvolvimento do câncer e ajudam a conhecer melhor essa biologia. Assim, é possível perceber os melhores medicamentos para cada tratamento. 

“Nesses exames, pode-se identificar os marcadores que são propícios para o câncer, possibilitando o diagnóstico precoce e uma avaliação antecipada para saber quem tem alto risco de desenvolver a doença. Também há novas pesquisas sobre o assunto para determinar melhores marcadores. No testículo, não há essa informação antecipada, mas há pesquisas que buscam desenvolver novas drogas direcionadas para o tratamento com a quimioterapia”, alerta o médico. 

A incidência desses tipos de câncer é pequena e não configura o principal tipo de tumor masculino. Por esse motivo, poucas pessoas sabem de sua existência. O câncer de próstata, muito mais frequente, não pode ser identificado através do autoexame. A indicação é que o paciente faça um exame anual junto ao seu urologista a partir dos 50 anos. Não é possível prever o câncer de mama e de testículo, mas com o autoexame, o diagnóstico é feito de maneira precoce, aumentando as chances de recuperação.
O estudante Felipe Fortuna Lucas, de 22 anos, conta que foi ao médico devido a um desconforto abdominal e que, depois de alguns exames, os especialistas perceberam que ele estava com um linfonodo na barriga, que já era decorrente do câncer. 

“Fiz um ultrassom do testículo e identificamos o tumor. Um amigo meu teve a doença um pouco antes de mim, então já a conhecia, mas nunca imaginaria que eu também poderia ter. Eu não conhecia o autoexame e sentia que tinha algo errado com o meu testículo, mas não pensei em examinar, agora faço sempre”, conta. 

O jovem fez a cirurgia para a retirada do tumor e, depois, três meses de quimioterapia. “Esperávamos que o linfonodo da barriga desaparecesse, mas como não saiu, fiz outra cirurgia para retirada deles, mas descobrimos que eram apenas resíduos”, lembra ele. “A única coisa que sobrou do câncer são as cicatrizes. Mesmo enquanto estava fazendo o tratamento, continuei vivendo a vida de maneira normal”, conclui. 

Fique de olho

Incidência

Mama: 1% do total de casos

Testículo: 5% do total de casos de câncer em homens

Idade:

Mama: idades avançadas
Testículo: idade fértil

Sintomas:

Mama: Aumento do volume, irregularidades, de altos e baixos no peito, possibilidade de dor, saída de secreção, nódulo na axila 
Testículo: Aumento da região, com o surgimento de caroços

Como fazer:

Mama: Movimentos circulares
Testículo: Apalpar a área

Tratamento:

Mama: Cirúrgico com quimioterapia e radioterapia
Testículo: Cirúrgico com quimioterapia

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