NITERÓI/RJ
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Bike, o transporte do momento

As cidades vêm se adaptando com ciclovias e ciclofaixas, visando promover o meio de transporte mais “limpo” do momento

Foto: Divulgação

O interesse por bicicletas aumentou muito no Brasil nos últimos anos. As cidades vêm se adaptando com ciclovias e ciclofaixas, visando promover o meio de transporte mais “limpo” do momento. Isso é ótimo para elas. As bicicletas são um meio de transporte muito mais interessante para a comunidade do que os outros veículos particulares. Se poupa espaço, neutraliza a emissão de gases tóxicos na atmosfera e promove a saúde.

A fim de provar o que vale mais a pena, nem é preciso perder tempo comparando bicicleta e carro/moto quando o assunto é dinheiro. Além do valor de compra ser absolutamente diferente, o custo de manutenção também difere muito. Ainda que o ar das capitais não seja ideal para a saúde de nossos pulmões, andar de bicicleta traz diversos benefícios ao nosso organismo.

Uma das pessoas que se preocupam com esse valor financeiro, e também com os outros, foi a estudante de engenharia ambiental da UFF Júlia Esquerdo, de 24 anos. Moradora de Icaraí, ela vai todos os dias para as aulas e outros compromissos de bicicleta, algo essencial tanto para a sua saúde quanto para a economia.

“Quem é estudante sabe muito bem a diferença que faz R$8 por dia de passagem. Eu sempre gostei de bicicleta, e desde que me mudei para Icaraí, passei a usá-la com bastante frequência. Faz muita diferença na minha vida, tanto financeira, quanto à minha forma física, porque eu pratico esportes pela minha faculdade, quanto para o meio ambiente. Andar de bicicleta é muito mais prático do que usar ônibus e metrô. Com ela consigo calcular quanto tempo vou demorar para chegar aos lugares com uma margem. Basta subir e sair pedalando. Já usando transporte público, a realidade muda, e é preciso sair sempre um pouco mais cedo para garantir algum atraso. O carro é mais prático e confortável do que a bicicleta, nos permitindo, inclusive, levar volumes. Mas isso apenas quando o trânsito está livre. Quando as ruas estão tomadas por outros automóveis, a praticidade do carro cai drasticamente”, conta Júlia, que, como será uma engenheira ambiental, ressalta a utilização da bicicleta para o meio ambiente.

Criado em 2013, o Programa Niterói de Bicicleta é um dos 32 projetos estruturadores definidos no plano estratégico municipal

Foto: Divulgação

“Sempre toco num ponto crucial para essa questão: a diferença de energia e de materiais usados na fabricação de bicicletas e carros. Carros precisam de grandes energias para a fabricação, e suas partes são de difícil descarte e manipulação, além de serem altamente danosas para o ambiente, como plástico e espuma para os assentos, petróleo para os pneus, assim como as baterias e óleos de manutenção. Além disso, veículos automotores necessitam de gasolina para o funcionamento, o que gera um impacto no consumo e na exploração de petróleo”, conclui a estudante.

Criado em 2013, o Programa Niterói de Bicicleta é um dos 32 projetos estruturadores definidos no plano estratégico municipal “Niterói que Queremos”. Pensado como uma resposta aos desafios relacionados à mobilidade, ao meio ambiente e, de uma maneira mais ampla, à qualidade do espaço urbano de Niterói, o programa tem como principal objetivo estimular a cultura cicloviária na cidade. As bicicletas ganharam as ruas definitivamente. O número de ciclistas quase dobrou em relação a dois anos atrás, segundo contagem do coletivo cicloativista Mobilidade Niterói. A média anotada na Avenida Amaral Peixoto nos quatro primeiros meses deste ano foi de 161 ciclistas por hora, contra 80 no mesmo período de 2015. Em 2016, o número chegou a 99.

Naone Lopes, de 26, anda diariamente de bicicleta desde quando era adolescente, e a paixão foi tanta que ela acabou virando atleta de ciclismo. Ela é uma das pessoas que levam o ciclismo além da paixão, transformou em um estilo de vida e defende a causa.

“Eu comecei a usar diariamente bicicleta bem nova, para ir à escola, mas eram apenas 2km para ir e voltar. Fiz isso porque chegava atrasada, mesmo morando perto, a vantagem de não ter trânsito utilizando bicicleta é enorme. Quando entrei para a faculdade em Niterói, conheci um grupo de mulheres que só andava de bicicleta e as acompanhei. Chegou um certo ponto que nem o preço da passagem de ônibus eu sabia mais. Além da praticidade, o que me motivou também foi o que virou um grande esporte para mim. Hoje eu participo de algumas competições, e ando numa bicicleta fixa. Posso falar que é um estilo de vida ”, revela Naone.

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