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Com a cuca legal

Uma alimentação equilibrada e saudável está diretamente ligada à saúde mental e pode prevenir doenças como depressão e ansiedade

Reeducação alimentar e mudança de hábitos de vida foram essenciais para que Eduardo Duarte superasse a tristeza do luto pela morte do pai

Foto: Lucas Benevides

Para que a cabeça funcione corretamente é preciso nutri-la. Comer bem não é importante apenas para se ter um corpo perfeito, mas também para cultivar uma ‘cuca legal’. Brincadeiras à parte, saiba que, assim como a boa forma física, uma mente saudável também pode ser cultivada de dentro para fora. Uma nutrição adequada é uma grande aliada na saúde e no bom funcionamento do cérebro.

A ansiedade e a depressão têm relação com os níveis de serotonina no organismo, já que essa substância é um neurotransmissor que atua no cérebro proporcionando a sensação de bem-estar e bom humor. Para sua produção, são necessários principalmente triptofano, magnésio e vitaminas do complexo B. Além disso, a grande produção da nossa serotonina é produzida no intestino, órgão que tem contato direto com tudo o que ingerimos, e é responsável pelas tarefas de digerir e absorver os nutrientes, o que evidencia ainda mais a importância da alimentação para a saúde da mente, como explica a nutricionista Mirella Almeida.

“Um planejamento alimentar adequado à rotina com alimentos ricos em fibras como frutas, verduras e legumes; nutrientes e gorduras boas como azeite, castanhas, peixes ricos em ômega 3; probióticos como kefir, iogurte natural e missô; e ainda alimentos fontes de triptofano como castanha-de-caju, amêndoas, amendoim, abacate e banana irão beneficiar a saúde e o equilíbrio do corpo e da mente. Enquanto os industrializados, embutidos, ultraprocessados, fast foods, glúten em excesso e alimentos açucarados irão piorar a saúde intestinal e, consequentemente, a mental”, alerta Mirella. 

Após perder o pai, o estudante universitário Eduardo Duarte ingressou em um estilo de vida desregulado, dormindo e comendo mal, até que sua saúde física e mental cobrou a conta. 

“Os sintomas foram aparecendo. Descontava tudo na comida e cheguei a pesar 120 quilos. Passei a ter medo de ir na rua. Lembro que também passei uma semana inteira dentro de casa. Tinha vergonha da minha condição, deixei isso de lado, e procurei ajuda e iniciei uma reeducação alimentar”, lembra Eduardo.

Através da Ayurveda, Liane Varsano adotou uma alimentação mais equilibrada. Os benefícios físicos e mentais são sentidos desde então

Foto: Lucas Benevides

Partindo da alimentação para uma mudança de postura radical, Duarte agora se exercita pelo menos duas vezes por semana, bebe bastante água, dorme e, claro, come bem. 

“Acreditava que minha melhora não dependia apenas de remédio, mas, principalmente, da mudança de maus hábitos. Com as mudanças, os resultados foram aparecendo. Disposição, coragem e autoconfiança para o dia, sono com qualidade na hora certa e perda de peso. Em seis meses foram embora 20 quilos, ganhei saúde e qualidade de vida, além de resgatar a autoestima. Para mim, esquecer um pouco das preocupações e responsabilidades jogando altinha com os amigos e pescando também é um ótimo remédio para o corpo e a alma”, revela o universitário.

Adotar uma alimentação saudável pode ser o caminho para uma mente saudável, mas a verdade é que a nutrição é decisiva para a saúde mental desde o início da nossa vida. A alimentação correta durante o desenvolvimento humano pode evitar distúrbios como atrasos na fala e atrasos no desenvolvimento psicomotor e déficits cognitivos. Um cérebro em desenvolvimento dependente de estímulos ambientais e da nutrição, determinantes para o desenvolvimento da percepção sensorial, controle motor, linguagem e cognição, explica Claudio Serfaty, do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFF. 

“O aleitamento materno fornecerá todos os elementos nutricionais e a devida estimulação sensorial e afetiva, fundamentais ao pleno desenvolvimento do cérebro. Os benefícios se estendem para a idade adulta, protegendo o indivíduo contra a obesidade e diabetes tipo II”, revela Serfaty.

Quanto à saúde mental, estudos mostram, segundo Cláudio, a importância de nutrientes como o aminoácido triptofano, precursor do neurotransmissor serotonina, e os ácidos graxos ômega-3 para garantir os circuitos neurais e, por conseguinte, o desenvolvimento de habilidades sensoriais, motoras e cognitivas. 

“O triptofano tem como principal fonte nutricional proteínas de alto valor, encontradas principalmente em derivados de animais como leite, ovos e carnes. Também em alguns vegetais, mas de forma mais restrita. Já os ácidos graxos ômega-3 são encontrados em peixes, como sardinhas e demais peixes oceânicos, e em frutos do mar. Além de sementes como a linhaça, castanhas, nozes e certos vegetais de cor verde-escura”, explica o especialista. 

Através do ayurveda, conhecimento médico desenvolvido na Índia há cerca de 7 mil anos, a gestora de inovação e criatividade Liane Varsano (44) adotou uma alimentação mais saudável e equilibrada. Como consequência, diversos benefícios físicos e mentais foram sentidos. 

“A minha digestão ficou melhor. Não sinto sono após as refeições. Me sinto mais disposta e o raciocínio mais rápido. Minha indigestão, falta de ar e TPM simplesmente sumiram. Hoje, me sinto bem. Entendo quais alimentos me fazem bem e quais devo evitar. É uma consciência. Quando saio, sempre procuro levar minha comida e, quando não dá, procuro sempre a melhor opção”, conclui Varsano. 

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