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Com a mão na tinta

Redescobrir-se como pessoa é essencial para uma velhice feliz e inspiradora e a arteterapia pode contribuir, e muito, nesse processo

A artesã Sônia Pereira, 62, pinta desde os 17

Foto: Arquivo Pessoal

Enfrentar uma doença ou uma perda é muito dolorido. Nesse processo, muitos perdem a confiança, a fé, a autoestima, a vontade de viver. Para alguns, entretanto, esse momento se torna um período de reflexão interior. A arte pode ser um instrumento terapêutico muito eficaz no tratamento de doenças mentais e físicas. A arteterapia, por exemplo, pode tornar o mundo mais colorido e promover hábitos saudáveis através da expressão artística. 

A arteterapia firma-se nos Estados Unidos em 1940, com Margareth Naumburg, que estabelece os fundamentos teóricos para o seu desenvolvimento, com ênfase em trabalhos corporais, além de torná-la uma área do saber. Nessa época, a prática já estava expandida nos hospitais europeus, em comitês e conferências. A arteterapia traz influências da psicanálise freudiana, que, já no começo do século XX, considerava a arte como manifestação do inconsciente através das imagens. 

A Associação Brasileira de Arteterapia define essa prática como um modo de trabalhar utilizando a linguagem artística como base da comunicação cliente-profissional. Sua essência é a criação estética e a elaboração artística em prol da saúde. Com isso, utiliza-se linguagens plástica, sonora, dramática, corporal e literária’ que envolvem técnicas de desenho, pintura, modelagem, música e poesia. 

Estudos mostram que qualquer exercício que motive o processo criativo age na cura e no bem-estar da pessoa. Outras vantagens são uma maior autodependência, criatividade, comunicação, diminuição do estresse e da ansiedade, retirada do foco da dor emocional, promoção da conexão pessoal em um nível profundo e permissão para que a pessoa expresse seus sentimentos, pensamentos e emoções. 

Por indicação de uma amiga, Alda Regina Rodrigues, de 63 anos, começou a pintar panos. Ela faz seus trabalhos nos tempos livres e acha essencial o contato com a arte para seu desenvolvimento mental e físico. 

“Depois que eu comecei a pintar, eu passei a perceber o lado mais bonito das coisas, abriu meu horizonte, minha mente. Além disso, tive mais coordenação motora, pois minhas mãos já estavam tremendo. Agora já pinto sem tremer, já faço os contornos direitinho, sai tudo certinho”, conta Alda. 

A artesã Sonia Pereira, de 62 anos, pinta desde 17, pois via as telas e se apaixonava pelos desenhos. A paixão se transformou, e a curiosidade a fez começar a pintar despretensiosamente. Hoje em dia, Sonia presenteia seus amigos e familiares com suas artes. 

“Os benefícios que eu percebo são os mais diversos possíveis. Eu mantenho minha mente ocupada, liberto energia, me interiorizo, porque pintando, a pessoa entra no seu ‘eu interior’. Acho essencial para a minha saúde”, afirma.    

A arteterapia é considerada uma arte livre, qualquer pessoa, de qualquer idade, seja a profissão que for, pode se aventurar nesse universo artístico. 

“Manter a mente ocupada é benefício para a saúde de qualquer pessoa. Cada pintura me proporciona uma viagem diferente. Seja qual for a técnica utilizada, a pintura te permite uma viagem interior. Até uma simples flor”, conclui Sonia. 

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