Assine o fluminense

Começa pela boca

Autora de diversos best-sellers sobre alimentação saudável, Sonia Hirsch se tornou uma referência

Sonia Hirsch é considerada referência em livros de alimentação saudável

Foto: Divulgação / Henrique Magro

Muito mais do que a questão estética, diversos estudos já demonstraram que a boa forma física é uma importante aliada na manutenção da saúde. Em tempos de epidemia de obesidade, combater o sedentarismo é uma atitude que deixou de ser sinônimo de vaidade, juntamente com a boa alimentação. 

Mas, antes mesmo dos produtos orgânicos ganharem status nas prateleiras dos supermercados e do corpo “sarado” se tornar um sonho de consumo que arrasta milhões de seguidores pelas redes sociais, a jornalista  Sonia Hirsch já se dedicava a pesquisar a importância da opção por bons alimentos e os malefícios dos produtos que começavam a se tornar hábito na mesa das pessoas.

Autora de diversos best-sellers sobre o assunto, entre eles “Cozinha Amiga”, “Sem açúcar e com afeto” e “Meditando na Cozinha”, ela hoje se tornou uma referência sobre alimentação saudável, por isso, frequentemente participa de programas de televisão, dá palestras ou ministra cursos, transmitindo conhecimentos essenciais para a conquista de um corpo saudável. 

Muito se fala hoje sobre alimentação saudável, no entanto, você faz parte de um grupo que já encarava a comida como caminho para a saúde e cura há muitos anos. Por que essa questão entrou em evidência agora?

Acho que houve uma feliz coincidência. Saúde sempre foi a maior preocupação das pessoas, no mundo inteiro, e comida um dos maiores interesses. Antigamente, o espaço na mídia era precioso, custava caro; mas, com a multiplicação dos meios de comunicação, especialmente na internet, os valores mudaram. Foi preciso criar novas iscas para o público. Com isso, temos agora muita informação circulando. Também houve um crescimento da produção orgânica e um aumento da oferta de alimentos mais naturais e integrais nos mercados. Ainda que uns sejam mais caros e outros nem tão naturais ou integrais, assim mesmo a pessoa que come de um modo “quase” saudável se sente parte desse movimento.

Quais os piores hábitos de alimentação praticados hoje?

Beber refrigerantes, sucos artificiais, comer doces a qualquer hora, enganar a fome, comer frituras, trocar um prato feito por um sanduíche, encher tudo de queijo...

Que consequências esses maus hábitos trazem mais frequentemente?

A digestão fica difícil e há um estado de inflamação crônica que se manifesta inicialmente de forma leve – uma dor de cabeça, o intestino desarranjado ou preso, desconforto urinário, resfriados, alergias, alterações de humor, sono perturbado. O processo varia conforme a pessoa, seu estilo de vida e as condições em que vive. O aumento de peso é somente uma das variáveis.

Mais recentemente, o trigo entrou para a lista dos alimentos condenados, ainda mais com a doença celíaca sendo mais debatida. Assim, entrou na moda a alimentação paleolítica, que reinsere carne e laticínios. Como você avalia essa nova forma de alimentação?

Estamos vivendo a valorização da singularidade, da individuação. Não só no comportamento social e sexual, mas como um todo. É inevitável que se experimente todo tipo de dieta. O problema maior, a meu ver, está mais na má qualidade de certas carnes, provenientes de animais criados com produtos químicos que não são saudáveis para nós, como o frango comum, ou dos laticínios, geralmente difíceis de digerir quando industrializados.  Gosto muito da frase de uma médica americana, Christiane Northrup, que diz: “Não existe dieta perfeita. Mesmo que você a encontre, o desejo de variedade vai fazê-la mudar – e isso é saudável”. 

O que seria uma alimentação ideal, compatível com o ritmo de vida atual?

Ideal? Vamos lá: primeiro, comer comida fresca. Segundo, comer pouco – o estômago trabalha melhor e o organismo tende a aproveitar mais os nutrientes. Terceiro, comer colorido, isto é, ter vários vegetais no prato, de preferência levemente cozidos, porque crus são mais difíceis de digerir. Evitar frituras. Se a carne for importante, comer menos arroz e feijão, ou feijão nenhum. E vice-versa: se o feijão for importante, comer menos ou nenhuma carne. Evitar sobremesas. Tomar uma xícara pequena de chá ou água quente depois, ainda que venha a fechar com um café – a água quente ajuda a digestão e a digestão é fonte da saúde. 

Mas isso não é compatível com o ritmo de vida atual! Como vou comer comida fresca estando fora de casa o dia todo?

E eu respondo: esse é o desafio. Ter cozinha nos locais de trabalho, chamar alguém que cozinhe todo dia para vários vizinhos ou colegas, resolver essa questão pelo lado correto, e não achando que um dia o corpo vai se adaptar a comer hambúrguer com refrigerante ou congelados, porque não vai. 

Você também ministra um curso tradicional no Rio chamado “Meditando na cozinha”. A relação com o alimento também pode ser transcendental?

No sentido de ir além? Sim, claro, porque a preparação dos alimentos nos põe em contato com a natureza pura e simples, solicitando nossos sentidos, nossas habilidades, a noção de tempo, de tempero, de harmonia. Existem muitos níveis de meditação, mas em todos se requer relaxamento e atenção plena. Cozinhar proporciona essa oportunidade de forma única. 

Para quem pensa em mudar a alimentação, por onde começar? Existe uma maneira simples de comer bem?

A maior dificuldade pode ser abandonar os velhos hábitos. Na verdade, eles precisam ser substituídos por outros mais saudáveis – por exemplo, trocar o refrigerante do almoço por água natural com gotas de limão 15 minutos antes de almoçar. A necessidade de beber alguma coisa pode estar dizendo que falta hidratação para a produção de sucos gástricos. Pode faltar mastigação também – a pessoa não ter paciência para mastigar, ou não ter boa oclusão dentária...
A maneira simples de comer bem é pensar num tripé: quantidade, qualidade e autoconhecimento. Pouca quantidade, ótima qualidade e só aquilo que o corpo aceita bem.

Existe uma regra que possa ajudar as pessoas a montar marmitas saudáveis?

Não existe regra. Os princípios são os mesmos de uma refeição no prato. E, fundamental, esquentar bem a marmita no fogo, em banho-maria, antes de comer. Comida fria ninguém merece. Micro-ondas, menos ainda. 

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

Scroll To Top