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Como nascem os avós?

Niteroienses lançam livro com suas experiências de serem avôs

Acima, o psicanalista José Inácio parente com Isabela. À esquerda, a pedagoga Maria Inês Delorme ao lado do neto, Benjamim.

Foto: Arquivo Pessoal

Carinhos, comidas gostosas, histórias do passado e algumas regalias estão sempre associados aos vovôs e às vovós, anciãos da família, representantes da ancestralidade. Após já terem criado seus filhos, serão pais duas vezes, quando nascer o neto. Mas, e eles? Como nascem os avós?

Esse é o título do livro do psicanalista José Inácio Parente e da professora de pedagogia Maria Inês Delorme, composto por crônicas dos dois autores sobre quando se tornaram avô e avó pela primeira vez. As histórias reúnem desde os momentos mais gostosos da vida de quem tem netos até as agonias e preocupações de quem tem a oportunidade de curtir, novamente, toda a parte boa de criar uma criança, sem precisar passar pelas preocupações da paternidade.

Os autores sempre foram amigos. Maria Inês é amiga desde o jardim de infância da esposa de José Inácio, Patrícia, e a amizade dos dois se construiu em cima da proximidade das suas áreas de trabalho. Ela é pós-doutora em educação (inclusive, estava em Portugal terminando o pós-doutorado quando nasceu o primeiro neto, o que também comenta no livro), e ele é psicanalista experiente com crianças. Além disso, os dois têm vários livros acadêmicos publicados, o que serviu de faísca para começar a vontade de escrever um livro de crônicas sobre como é ter um neto.

“O penúltimo livro que escrevi se chama ‘Pai Presente’ e é sobre a paternidade, baseado na minha experiência com meus filhos. Quando me tornei avô, fiquei muito mobilizado. Quando você se torna avô, parece que alguém bate na sua porta para dizer ‘você está velho’, a gente toma um susto danado. Mas essa mesma pessoa te cobra jovialidade pra poder acompanhar os netos. Quando eu estou nesses momentos, costumo torná-los produtivos. Peguei um caderno e comecei a escrever sobre essa experiência e sobre meus sentimentos. Acabei escrevendo um livro de crônicas”, lembra José Inácio.

A ideia de lançar um livro surgiu da amizade entre os dois, fortalecida pela proximidade da época em que se tornaram avôs. Os netos nasceram com menos de dois meses de diferença. O convite aconteceu em um sítio, numa viagem conjunta das duas famílias. A partir daí, escreveram suas crônicas em paralelo, durante seis anos.
“A gente jamais pensou que seria um livro de autoajuda ou um guia para serem avós, pelo contrário. No livro, nós falamos sobre a nossa experiência muito particular, embora a gente entenda que as pessoas vão se identificar. Mas em hora alguma passou pela nossa cabeça que seria algum manual, absolutamente não queremos isso”, explica Maria Inês.

A parte do livro favorita de José Inácio conta um momento, em uma viagem, em que sua filha não conseguia relaxar, por não conseguir colocar o filho para dormir. Ele, então, se aproximou e começou a cuidar da filha, fazendo-a descansar. Assim, dormiram mãe e filho no colo do avô.

A empresária Beth Grando está tendo a oportunidade de passar por todos esses momentos. A filha já planejava ter filhos em 2017, mas, no ano passado, descobriu que estava grávida, e de gêmeos. Beth planejou suas férias para poder estar perto dos netos e da filha, dando toda a assistência possível, sem deixar de curtir as delícias de ser avó.

“Me preparei para poder esperá-los, assim, posso curtir muito mais, aproveitar muito mais, cada sorrisinho que se perderia no corre-corre da rotina, quando se é mãe e trabalha. Mas não sou dessas avós que estraga o neto, não me encaixo nesse estereótipo. Faço parte do time das avós que ajudam a educar, sou a avó que dança, brinca, que faz tudo. Pedi netos para minha filha quando fiz 50 anos, porque não queria ser uma ‘vovozinha’. Eu serei, se Deus me der saúde, mas eu queria aproveitar o início da terceira idade para curtir mais com meus netos”, comemora. 

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