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Como um nativo

O novo turista busca muito mais do que fotos e compras: quer histórias para contar

Em visita a Israel, Yan Yuri Silveira de Lima pôde vivenciar experiências que o emocionaram

Foto: Arquivo pessoal

Um estudo da Organização Mundial do Turismo (OMT) revela que o turista do novo milênio deseja “viajar para destinos onde, mais do que visitar e contemplar, fosse possível também sentir, viver e se emocionar”. Por essa razão, desponta cada vez mais no setor a oferta e procura pelo chamado turismo de experiência, um segmento no qual existe a possibilidade de uma interação realista no local visitado, mesmo que isso signifique transitar fora do que até então era tido como ideal. Ou seja, fugir dos pacotes para viver experiências nativas e não apenas contemplar e fazer fotos.

“O turista espera superar suas expectativas quando visita um local, e essa é a proposta do projeto turismo de experiência”, explica a analista do Sebrae/RJ Marisa Cardoso.

Diversos estudos já mostraram que, por volta do fim do século XX, teve início uma mudança no comportamento do consumidor. A necessidade de possuir coisas começou a ser substituída pelo envolvimento emocional. Assim, o turismo deixa de ser apenas a prestação de um serviço para ser a oferta de uma experiência que gere emoção. 

“Já temos diversos produtos para ofertar aos turistas nesse sentido, como o Roteiro Tour da Experiência Caminhos do Brasil Imperial, onde 98 empresas de sete destinos contam a história do Brasil Imperial; o Circuito Caminhos Rurais, com produtos da agricultura familiar; e o Turismo de Natureza, com observação de aves e caminhadas em trilhas em parcerias com unidades de conservação. Projetos beneficiam, direta ou indiretamente, cerca de 450 negócios”, destaca Cardoso.

Guilherme Carvalho oferece a possibilidade do turista viver como um surfista no Rio

Foto: Divulgação

A oportunidade de acompanhar de perto as crenças, costumes e hábitos é uma experiência incrível, segundo o empresário Yan Yuri Silveira de Lima, de 26 anos. Em visita por Israel, fora dos roteiros formatados, ele conta que pôde vivenciar experiências que, por diversas vezes, o deixaram emocionado. 

“Visitei os principais pontos turísticos, mas, como queria ter uma imersão cultural, procurei alternativas de roteiro que permitissem trocar experiências. Consegui ir aos restaurantes que os moradores vão, fiz passeios por conta própria no deserto de Massada e no Mar Morto. Israel foi uma das minhas melhores viagens”, lembra Yan.

A experiência em um país em transição do ponto de vista da população foi o que sentiu a advogada Nathalia Oliveira, 34 anos, que foi a Cuba no ano passado com amigos.

“Como era um lugar peculiar, onde nosso interesse era muito mais conhecer a cultura local do que pontos turísticos, ficamos na casa de uma família cubana. A gente perguntava tudo sobre governo, sistema, enfim, a gente não queria ver as coisas de fora, ficar em hotel chique fumando charuto e tomando rum”, revela a advogada, que, sem querer, percebeu que já fazia parte das mudanças que começam a se instalar no país.

Nathalia Oliveira optou por conhecer Cuba do ponto de vista de um local. Para isso, ficou hospedada em casas de cubanos, para quem perguntou sobre o sistema comunista e o dia a dia na ilha

Foto: Arquivo pessoal

“Descobri que esse tipo de hospedagem, assim como outros serviços recentemente permitidos pelo governo, se tornaram um complemento de renda muito importante para eles. Quis visitar um país socialista antes que isso se torne passado. Conversamos com as pessoas nas ruas sobre como têm sido os anos após a revolução, viajamos para outras cidades de carro e o motorista contou sobre várias passagens da própria vida, períodos de escassez e esperanças. Foram momentos muito ricos e especiais”, lembra Oliveira.

Vanguarda

Inovadora no setor de turismo, a Airbnb se antecipa na demanda por experiências. Com a Tripsela, a empresa possibilitou que seus usuários reservassem na plataforma, além de hospedagem, também uma nova série de experiências que vão além dos tradicionais passeios por pontos turísticos. A ideia é conectar os viajantes com os anfitriões locais, sejam eles um dos melhores sushimen de Tóquio ou um tradicional chapeleiro de Londres, para uma perspectiva única em passeios guiados por verdadeiros experts. Atualmente disponível em 19 cidades pelo mundo, o Trips chegou por aqui esse ano com experiências em São Paulo e Rio de Janeiro. Como tendências atuais entre os viajantes estão experiências – como as que permitem absorver a cultura de uma cidade aprendendo a preparar a cozinha local – que permitem que os viajantes aprendam um ofício único na região ou explorando trilhas escondidas e praias afastadas.

O roteiro etílico-gastronômico de Paulo Mussoi promove um passeio por bares de Copacabana

Foto: Divulgação

Para quem quer viver experiências memoráveis no Rio, as ofertas de experiência através do Trips já estão em pleno vapor.

Viver como um surfista da Cidade Maravilhosa é a proposta de Guilherme Carvalho, 25, que oferece a possibilidade de passar uma manhã na Prainha, onde ensina o visitante a pegar onda, além de uma trilha até o topo da montanha da Prainha, e, de quebra, se refrescar em cachoeira pela região. Mas, para quem quer a boemia carioca, a experiência “Sabores de botequim em Copacabana”, oferecida por Paulo Mussoi, promove um passeio etílico-gastronômico por alguns dos botequins mais legais de Copacabana, em tours oferecidos em inglês e português.

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