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Conhecer e vencer

No mês em que se comemora o centenário dos escoteiros de Niterói, conheça adultos e crianças que devem muito a esse movimento

Luísa Werneck, do Grupo Escoteiro Imbuí, de Piratininga, passou por diversos desafios no escotismo e até venceu a timidez. Ela reconhece que aprende muitas coisas com o grupo e adora estar ao ar livre

Foto: Lucas Benevides

Sua honra vale mais que a própria vida, é leal, amigo dos animais e das plantas, é alegre – sorri nas dificuldades – e é limpo de corpo e alma. Estes são alguns dos artigos presentes na Lei Escoteira. No último dia 14, foi comemorado o centenário dos escoteiros de Niterói. O escotismo é um movimento que foca no desenvolvimento do jovem tendo como base valores estabelecidos na lei e promessa escoteira. Fundado na Inglaterra em 1907 pelo ex-general do exército britânico Baden-Powell, o movimento chegou ao Brasil em 1910 por meio de um grupo de oficiais da Marinha que vieram da Europa para o Rio trazendo uniformes e acessórios de escoteiros.

Atualmente o presidente da União dos Escoteiros do Brasil (UEB) no Rio de Janeiro – que oferece o treinamento dos adultos e o material para aplicar o programa com os jovens – é Rubem Tadeu Perlingeiro, que, desde 1981, participa do movimento. Para ele, o 8º artigo do código possui um valor importante.

“Ele era muito utilizado por José Alencar, que também foi escoteiro. Certa vez, o vice-presidente disse que este artigo o lembrava de ter forças e não desanimar frente às adversidades. Ser alegre e sorrir nas dificuldades, particularmente, é um princípio que eu também gosto muito”, confessa Perlingeiro, que, aos 12 anos, entrou no grupo Escoteiros São Francisco de Assis, que, na época, funcionava no Instituto Abel, em Niterói.

Até o momento, no Estado do Rio do Janeiro, estão registrados sete mil escoteiros, entre crianças e adultos, sendo que cerca de 650 deles estão distribuídos nos 10 grupos que existem em Niterói. Para Rubem, a consolidação do escotismo no País se deve ao fato da proposta do movimento propor muitas atividades ao ar livre.

“As crianças aprendem a acampar, primeiros socorros, noções de orientação, topografia, entre outras atividades, sempre cercadas de um grupo de amigos. Isso faz com que elas saiam de dentro de casa e não fiquem o dia inteiro jogando videogame e vendo televisão”, explica.

Além da prática de atividades ao ar livre, como acampamentos e trilhas, o escotismo tem um viés comportamental e cognitivo que ensina os jovens a trabalhar em grupo, liderar, ser liderado e desenvolver um pensamento crítico. Para aderir ao movimento, é só procurar um dos grupos listados pela UEB.

Kauã Rangel e João Marcos Barcellos são do Grupo Escoteiro Martim Afonso

Foto: Lucas Benevides

Dentro da prática, existem algumas ramificações: entre os 6,5 e 10 anos de idade, a criança é considerada “lobinho”; dos 11 aos 14, recebe o título de “escoteiro”; dos 15 aos 17 anos, o jovem é “sênior”; e, ao atingir os 18 anos, entra no último ramo, “pioneiro”. Após os 21, qualquer um pode ingressar no movimento atuando como “escotista”.

O jovem Kauã Rangel Mendes (12), do Grupo Escoteiro Martim Afonso (Icaraí), tornou-se escoteiro há cerca de um ano. No começo, não estava tão interessado, mas, agora, ama as atividades que acontecem na sede e os acampamentos. No mesmo grupo, João Marcos Barcellos, também de 12 anos, adora aprender coisas novas e quer conseguir a Lis de Ouro, grau máximo dos escoteiros. 

“Gosto muito de ser escoteiro e sair um pouco do sofá e do computador. O meu primeiro acampamento de sobrevivência, em Cachoeiras de Macacu, foi um desafio novo: aprendi a montar barraca e fazer comida”, relembra João.

Segundo a mãe, Juliana Werneck (33), a lobinha Luísa Werneck (10), do Grupo Escoteiro Imbuí, localizado em Piratininga, passou por diversos desafios no escotismo e até venceu a timidez. Luísa, que reconhece que aprende muitas coisas com o grupo, adora estar ao ar livre.

“Acampar foi a minha atividade preferida! Fiz muitos amigos desde que entrei no grupo – chamei uma amiga e ela virou lobinha também”, conta, alegre.

O ideal é que os pais participem ao lado dos filhos, assim como Juliana, que já foi lobinha e voltou para o escotismo aos 30 anos, quando a filha entrou no grupo. A escotista relembra que sua jornada foi uma fase muito feliz, quando aprendeu coisas diferentes e esteve rodeada de amigos.
“É um prazer voltar ao movimento! Me emociona muito rever amigos e ver jovens aprendendo e vencendo suas dificuldades como um dia eu venci”, comenta, sensibilizada.

Agora, Juliana está preparando a jornada de uma escoteira do grupo, Fernanda, que está prestes a alcançar o grau máximo. Para isso, a jovem precisa fazer uma caminhada acompanhada por outra escoteira. Coincidentemente, quem vai estar ao lado da menina é a chefe que preparou sua jornada há anos, quando Juliana atingiu o grau máximo também. 

“Hoje, sou eu que preparo a da Fernanda com base na que ela fez para mim. Ficaram muitas coisas da minha experiência, mas as relações que construí no grupo, essas foram as mais importantes”, conclui. 

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