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Cuidando da mente

Com o intuito de fomentar a discussão e a conscientização a respeito da saúde mental, a campanha Janeiro Branco ajuda a população a refletir e buscar modos de levar a vida de maneira mais positiva

No Brasil, janeiro é o mês da conscientização para a saúde mental

 
 
 

Psicóloga Nala Rizzo

Foto: Divulgação

Em 2014, psicólogos e psicólogas de Uberlândia, Minas Gerais, analisaram o fato de o início do ano ser um momento onde as pessoas fazem avaliações, refletem sobre suas realizações e planejam coisas novas. Assim nasceu a campanha nacional do Janeiro Branco, uma campanha no estilo das campanhas Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul. O objetivo do Janeiro Branco é chamar a atenção das pessoas para o cuidado com a sua saúde emocional, a pensarem no sentido e o propósito das suas vidas, a qualidade dos seus relacionamentos e o quanto elas conhecem sobre si mesmas, suas emoções, seus pensamentos e comportamentos. 
 
Segundo a psicóloga Nala Rizzo, sempre vimos inúmeras campanhas de saúde que, em sua grande maioria, eram voltadas somente para o cuidado com a saúde do corpo, entretanto sabemos que a saúde mental é uma parte integrante e essencial da saúde. Segundo a OMS, o conceito de saúde não se restringe à ausência de doença, mas refere-se ao completo bem-estar, físico, mental, social, e também ao aspecto espiritual do indivíduo. 

“A campanha espalhou-se por todo o Brasil e alguns outros países do mundo, como Angola, Japão, Colômbia, Estados Unidos, Portugal e Holanda. No Brasil, virou Lei Municipal e Lei Estadual ao longo dos últimos anos, estabelecendo, oficialmente, o mês de Janeiro, porque, no primeiro mês do ano, em termos simbólicos e culturais, as pessoas estão mais propensas a pensarem em suas vidas, em suas relações, em suas condições de existência, em suas emoções. É um momento de planejar metas e mudanças e, como em uma ‘folha em branco’, é uma oportunidade para reescreverem as suas próprias histórias de vida. É uma campanha dedicada a colocar os temas da saúde mental em máxima evidência no mundo em nome da prevenção ao adoecimento emocional da humanidade”, conta a psicóloga. 

Este assunto sempre foi bastante negligenciado em nossa sociedade. Ainda há muito preconceito e tabus relacionados ao debate sobre saúde mental. Muitas pessoas têm vergonha de assumir que não estão bem ou felizes, principalmente em tempos onde, através das redes sociais, é possível simular uma aparente "vida perfeita e feliz". 
 
"Muitos não sabem como lidar com as próprias emoções e nem como, às vezes, ajudar um amigo ou familiar. Trazer à tona essa temática da saúde mental/emocional e colocá-la em máxima evidência na sociedade ajuda a fortalecer uma nova cultura que valoriza a subjetividade humana e combate o adoecimento emocional das pessoas. Isso contribui para o desenvolvimento e a disseminação do conceito de ‘psicoeducação’ que ajuda a ampliar o conhecimento a respeito das questões emocionais", revela Rizzo, que alerta sobre os crescentes números das taxas de ansiedade, depressão e suicídio em todo o mundo, e a vulnerabilidade dos jovens em relação à saúde mental: “No Brasil, estima-se que aproximadamente 23 milhões de pessoas sofram de doenças psicológicas. Em todo o mundo, a depressão é uma das principais causas de doença e incapacidade entre adolescentes. O suicídio é a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos. A promoção da saúde mental por meio da psicoeducação pode prevenir o agravamento de transtornos e ajudar principalmente as crianças e adolescentes a terem uma vida emocionalmente mais saudável. As consequências de não abordar as condições de saúde mental se estendem à idade adulta, prejudicando a saúde física e mental e limitando futuras oportunidades. Quanto antes pudermos intervir, mais chances de ter uma vida emocionalmente equilibrada”. 

Psicólogo Marlon Bispo

Divulgação

Falando em Brasil, a situação instável em que nos encontramos, também serve de alerta para que a população comece a cuidar da mente. Cortes de verbas, terceirização dos cuidados essenciais, precarização dos serviços e sucateamento do atendimento público são ameaças concretas à saúde mental do brasileiro hoje, como alerta o psicólogo clínico Marlon Bispo. 
 
“Já ouvimos muito a máxima do filósofo romano Juvenal: "Mente sã, corpo são". Estamos finalizando a campanha nacional do ‘Janeiro Branco’, onde o foco é a necessidade de se cuidar da mente, psique ou alma, como questão de saúde. Mas não tem como encerramos este tema sem denunciar o atual contexto da saúde pública mental. O que vivenciamos é o desmonte de toda uma rede construída através de anos de luta da reforma psiquiátrica. Com o risco de retrocedermos à 'era das trevas' como aconteceu em Barbacena, em Minas Gerais, e tantos outros depósitos psiquiátricos. O interessante é que nunca se falou tanto em saúde. Mas é preciso lembrar que não há como se ter vida saudável sem a consciência de que, quando a mente padece, o corpo adoece”, conclui Marlon. (Colaboração: Ulisses Dávila)

 

 
 
 
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