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Culinária ensinada

Conheça algumas das formas pelas quais o conhecimento é passado atualmente na cozinha

Viviane Carvalho e Maria Helena Morais se reúnem com um grupo de amigas para preparar os doces dos aniversários dos filhos

Fotos: Lucas Benevides

Um amigo que ensina pratos aos amigos, uma chef que é contratada para ir até a casa das pessoas explicar a arte de misturar ingredientes e como “pilotar o fogão”, uma amiga que reúne as amigas para produzirem os doces e o bolo das festas de aniversários dos filhos e um professor que se encontrou dando aula em curso de gastronomia. Essas histórias representam algumas das novas formas de se aprender a fazer comida hoje em dia, sem esquecer a grande aliada, a internet, com milhões de vídeos de passo a passo. 

O administrador Alexandre Paiva, de 42 anos, começou a cozinhar para os amigos copiando um dos pratos de uma viagem. Foi sucesso. Os convidados adoraram e pediram bis.

“Com toda essa violência que estamos vendo nas ruas, estou preferindo fazer as coisas em casa e acho incrível receber os amigos. Não tenho uma receita certa, sempre abrimos um grupo no WhatsApp e entramos em consenso, geralmente rola um risoto. Dessa vez, foi uma sugestão do Leandro Amora, meu amigo”, conta Alexandre, se referindo à última reunião em casa.  

O interesse dos amigos é duplo: comer, claro, mas também aprender a fazer o prato da vez. O dessa ocasião foi arroz branco com ervas e minimorangas com camarões e queijo e, de sobremesa, cheesecake de framboesa. 

“Boto todo mundo para trabalhar. Vou explicando o que pode ser feito e deixo todos participarem. Uso o meu processo criativo e vejo algumas receitas na internet também. Gastronomia, para mim, é agregar amigos, viver e comer bem”, ressalta Alexandre, que não tem problema algum em compartilhar seus segredos culinários. 

A economista Viviane Carvalho Pinto, de 39 anos, viu sua vida mudar após a quarta gravidez, quando resolveu cuidar dos filhos mais de perto. Mal sabia ela que uma coisa que começou como diversão podia se tornar sua atividade financeira principal. Em 2012, ela chamou sua amiga, Maria Helena Morais Silva, 42, para fazerem os doces e o bolo para o filho de Helena, Rafael, que, na época, completava 10 anos. 

“Comecei essa brincadeira que se transformou em uma tradição e só foi agregando mais amigas – somos quatro hoje, bastante unidas, que nos reunimos para fazer, juntas, as festas dos nossos filhos. Fui explicando para elas como fazer os doces – entre eles trufa, brownie, brigadeiro, pirulito de chocolate, falso alfajor e pão de mel –, deixava elas fazendo e ficava com o bolo”, celebra Viviane, que lembra que, no início, não tinha a intenção de se profissionalizar. Há uns anos, entretanto, decidiu investir e se tornou cake designer. 

Amigos como Alexandre e Viviane não caem na horta de todo o mundo. A nutricionista Luna Azevedo, 27, optou por contratar uma gastróloga para ir até sua casa ensiná-la a cozinhar. Com tino para entender essa demanda de mercado, a chef Camila Botelho, de 29, começou a prestar esses serviços há três anos, quando notou a necessidade e carência que as pessoas tinham em relação à alimentação.

“A maior dificuldade entre os alunos é unir as propriedades de vegetais e legumes ao sabor e prazer em comer. A receita que mais ensino é risoto de shitake, alho-poró e queijo de castanhas brasileiras. Culinária, para mim, significa amor, passar informação e prazer”, enaltece a chef. 

Luna, a aluna, tinha receio de estragar os alimentos na tentativa de cozinhá-los e também encontrava dificuldade em variar o cardápio durante a semana. 

“Precisava de alguém para me ensinar a criar pratos mais diferentes e gostosos. Sou nutricionista, mas não gastrônoma. Foi tão bom pra mim que chamei a Camila para trabalhar na minha clínica ajudando meus pacientes em situações parecidas. É possível criar pratos personalizados para cada dieta”, comemora Luna.

Professor de Gastronomia da Universidade Candido Mendes: Eduardo de Araujo Alcantara

Foto: Divulgação

O maior impacto na vida do professor de Gastronomia da Universidade Candido Mendes, Eduardo de Araujo Alcantara, 39, há sete anos, quando começou a dar aulas, foi na qualidade de vida. Ele passou a sair de casa feliz para ir trabalhar. Antes, Eduardo trabalhou em grandes hotéis do Rio de Janeiro e Macapá, onde tinha hora para entrar, mas não para sair.

“Nunca tinha pensado em ser professor, mas, quando estava na faculdade, veio essa vontade. Hoje, sou realizado”, comenta Eduardo, que tem especialização em escolas de Buenos Aires, Curitiba e São Paulo, além de pós-graduação em pâtisserie. 

Até parece que saber cozinhar não é para qualquer um, mas Eduardo conta que o necessário é dedicação e paixão.

“Recebo alunos que nunca descascaram uma batata e, mesmo com toda a dificuldade, vamos acompanhando o crescimento e seu desenvolvimento”, pontua.

A procura por cursos de gastronomia tem aumentado a cada ano, e a oferta de cursos acompanha essa tendência. No mundo inteiro, chefs de cozinha estão em evidência: escrevem best-sellers, viram apresentadores, aparecem na TV. Cozinhar está na moda. 

“Não se pode negar que a carreira na gastronomia está em evidência e que há um glamour em torno do profissional. Nas aulas práticas, o aluno aprende desde técnicas de preparo mais básicas, ingredientes e corte de carnes, peixes e aves, até os pratos mais elaborados, clássicos e contemporâneos, passando por panificação e confeitaria. Adoro o contato com alunos”, conta Eduardo. 

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