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Mais Amor, Por Favor

A jornalista Dara Bandeira fala sobre os conflitos da rotina, as dificuldades e prazeres dos relacionamentos. Conquistas e tristezas da vida. E-mail para esta coluna: dara.bandeira@ofluminense.com.br

Dê uma chance

Dê uma chance para quem começou agora. Para quem ainda tem uma trilha imensa para andar e decidiu que faria esse caminho contigo. É aquele flerte que segue, mas com pormenores, inseguranças, avaliações constantes. Vale trocar com alguém que parece não saber como dar o próximo passo? Que erra um tanto enorme tentando acertar e pede mais uma chance, como uma criança que se confunde com uma conta de adição que parecia tão simples? Acredite na mudança e no crescimento do outro. Um dia, se já não houve, vai precisar que alguém acredite em você. É a sua chance de ser bom e perceber a bondade e disposição do outro em crescer junto. É a chance que alguém nos entrega de ser mais compreensivo e perceber que não nascemos prontos. 

Somos uma construção. De repente, não tivemos na vida as melhores companhias, não desenvolvemos pensamento crítico, não tivemos os melhores exemplos de justiça, hombridade, amor-próprio. Não ganhamos de bandeja um conjunto de características que nos formou homens e mulheres prontos para nos relacionarmos. É preciso ouvido aberto e atento. É preciso ver outros exemplos. Olhar e pensar se a forma de agir em relação a nós mesmos e ao outro está sendo justa. Se nosso comportamento não pode melhorar. Se a máxima do “falar um tanto menos e dar ouvido a quem precisa de nós” não precisa ser posta em prática. 

Amor ou paixão não nos transforma automaticamente em seres melhores. Não é uma capa que ganhamos quando pinta alguém legal. Relação é exercício. É ajustar o que não está bom. Ser maduro para sentar e conversar, como bons adultos, o que aflige, o que não funciona. É deixar de lado um tanto de orgulho, ainda que exija um pouquinho de tempo. E, quando é só o começo, é aparar arestas. Identificar em que o outro vai precisar de ajuda. É ter coragem de dizer que desse jeito não dá, apesar do amor. Ganhar um pouco de tempo pensando em o que não exige e não pode ser anulado em nós mesmos e, em contrapartida, o que já era para termos aberto mão desde tempos atrás.

Quando começamos com a insegurança de nos lançarmos nos braços de alguém tão diferente, é como assumir o risco mesmo ele estando ali, na nossa cara. Ele não ficou mascarado no “primeiro amor” que cega mais da metade da população. Ele se antecipou e está exposto, chaga aberta. Queremos realmente? Vale a entrega a alguém que, por muitas vezes, mal conhecemos? Só temos uma vontade e um cansaço de tantas idas e vindas de outras relações. E, claro, a certeza de que os casais, eventualmente, se desfazem, mas é importante tentar. Acreditar no outro, mesmo que ele, assim como nós – em algum momento – vá  ser volúvel, egoísta, manhoso, errante. 

Um tanto do erro está na falsa crença de que todos terão apenas um amor e que ele precisará ser eterno, perfeito, sem máculas. O ideal é uma pessoa dentro do padrão de qualidade, que não nos dê trabalho nem ofereça ameaça ao nosso estado de espírito, mesmo que nem sempre estejamos em paz. Não queremos alguém que desafie o que rotulamos como hombridade, entrega, amor. Só aprendemos a amar o semelhante, aquele que se parece conosco, compartilha das mesmas ideias. Jamais queremos alguém que nos mostre outra forma de ser. Que nos ensine um tanto de coisas, ainda que seja sobre paciência e gratidão.  

Não entendemos ainda que o que não parece tão perfeito pode se tornar uma grande experiência de transformação para melhor. Para nós, que já éramos prontos, e para o outro, que já nos veio como a desgraça anunciada com trombeta. Quanta pretensão a nossa, não? Acharmos que não vamos aprender ou que o outro não passa de um iniciante. Iniciamos todos os dias. Cada relação é ímpar. Ficamos com o que é bom, tentamos sublimar o ruim. Mas zeramos o joguinho. Por isso, por que não, dê uma chance. Tente olhar de um outro jeito. Cinquenta por cento de chance de dar certo, pode acreditar, garanto. 

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