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Doce sem culpa

Viciados em açúcar, eles procuram maneiras de criar suas receitas de forma mais saudável

Quezia Barbosa é vegetariana, mas tem nos doces seu ponto fraco. A saída foi pensar em ingredientes com açúcar alternativo, como a banana, ingrediente básico do muffin que ela prepara com calda de chocolate

Foto: Douglas Macedo

Entre alguns dos maiores desejos da humanidade ligados à alimentação está o açúcar, que, além de ser viciante, traz uma sensação de bem-estar quase que imediata após ser ingerido. Niteroienses apaixonados pelas sobremesas usam artifícios simples para não deixar de comer seus docinhos, mantendo a dieta rotineira saudável. A principal dica é a substituição de alguns ingredientes da sobremesa por opções mais equilibradas, como no caso da banana, que serve como adoçante com sua frutose. 

A empreendedora Quezia Barbosa, de 30 anos, é vegetariana e prioriza alimentos nutritivos que ajudam seu organismo a funcionar melhor. A grande questão é que ela é uma admiradora de tudo quanto é doce. 

“Já fui viciada em açúcar. Hoje, fico de olho em mim mesma para não voltar ao vício. Há uns seis anos, estava sem controle, comia vários doces todos os dias. Em pouco tempo, comecei a me sentir inchada e ganhei peso, minha energia também não era mais a mesma. Foi então que comecei a pesquisar e aprender sobre alimentação e nutrição. Fiquei fascinada”, enfatiza. 

De acordo com o endocrinologista Ronei Gustavo Vargas, o açúcar da cana-de-açúcar (sacarose), por exemplo, quando digerido, se transforma em glicose e frutose. A frutose é derivada do açúcar das frutas e do xarope de milho, que contém frutose concentrada. Entretanto, esse xarope com alta concentração de frutose e sabor muito doce, bastante utilizado pela indústria alimentícia, apresenta uma combinação quase que em partes iguais de glicose e frutose.

“O doce, quando consumido em excesso, passa a ser um vilão. Alguns importantes estudos já têm evidenciado isso. Açúcares simples (monossacarídeos) são prejudiciais à saúde. Devido às características da vida moderna, o consumo desses alimentos altamente industrializados se tornou rotina em nossa alimentação, e vem sendo introduzido em nossa dieta cada vez mais cedo, como por exemplo nos leites de fórmula para crianças. Já existem campanhas em todo o mundo conscientizando da importância de ‘desembalar menos e descascar mais’, ou seja, diminuir o consumo dos alimentos ultraprocessados, substituindo por alimentos minimamente processados ou in natura”, explica Ronei Gustavo, da Medcenter Policlínica Copacabana.

Para manter a linha do saudável, Quézia adora usar as frutas para adoçar suas receitas. Uma das suas preferidas, que faz todo mês, é o muffin de banana com calda de chocolate. 

“Pego a receita tradicional e troco a farinha, troco o açúcar, troco o óleo e vou testando até ficar mais gostoso que o doce tradicional. Acho que o vício veio da minha antiga falta de informação. Hoje, sei que não é porque algo é gostoso que vou comer até não aguentar mais. Os restaurantes que funcionam em rodízio (que estão sempre cheios) são exemplos claros dessa falta de informação. Precisamos ter consciência de que cada nutriente ingerido vai desempenhar uma função específica no nosso organismo. A comida serve para nos nutrir, não só para agradar nosso paladar. E tudo deve ser consumido com moderação, pois, assim como a falta de certos nutrientes nos faz mal, o excesso também faz”, explica. 

Rodrigo Pletsch aposta na simplicidade do bolo de banana para saciar a vontade de doce

Foto: Lucas Benevides

Para o endocrinologista, eliminar a ingestão de doces é uma tarefa quase impossível para muitos. Além do sabor agradável, a guloseima serve muitas vezes como um calmante emocional.

“Muitas mulheres relatam esse fato no período da TPM (tensão pré-menstrual). Ricos em açúcar e com alto valor glicêmico (energético), esses alimentos também auxiliam na produção de serotonina, hormônio encarregado de regular o humor, mas o seu excesso pode trazer aqueles quilos a mais na balança e também gerar resistência à insulina. Esses quilinhos podem influenciar de forma sistêmica no organismo.

“Seja por questões individuais, sociais e até mesmo subjetivas, é quase impossível cortar totalmente os doces da dieta. O segredo é consumi-los com moderação”, avalia Ronei Gustavo.

Banana também é o segredo do modelo e designer Rodrigo Pletsch (33) em suas receitas. Ele adora cozinhar e aposta nos hábitos de “chef” e na atividade física para manter a saúde em dia, embora hajam alguns deslizes na alimentação por conta da rotina corrida.

“Cozinho sempre que posso, prefiro a comer na rua. Procuro utilizar ingredientes mais saudáveis e menos calóricos. Acho importante fazer a máquina rodar com combustível de qualidade para que a performance seja melhor. A rotina requer energia de qualidade, e a gente obtém ela através dos alimentos certos. O bolo de banana que faço é simples, saudável, barato e todo o mundo pode fazer em casa, mesmo que não tenha experiência na cozinha. Quando faço, minha família adora. Eles são muito mais formigas do que eu”, brinca.

Segundo o nutrólogo clínico especializado em medicina esportiva Alexandre Merheb, doces convencionais preparados com açúcar podem ser consumidos numa rotina de vida saudável, mas sempre como sobremesa, ou seja, com porções razoáveis como complemento de uma refeição normal. 

“Abrir uma geladeira e consumir um doce isoladamente com certeza não é saudável. Usados como complemento de uma refeição anterior, serão digeridos e absorvidos mais lentamente, evitando cargas glicêmicas exageradas com subsequentes liberações maciças de insulina pelo pâncreas”, esclarece Alexandre. 

O problema dos viciados em doces está na frequência e na quantidade ingerida, que acabam por si só sobrecarregando o sistema biológico responsável pela produção e liberação de insulina, deseducando a máquina e gerando círculos viciosos em que, quanto mais como, mais quero comer. Há de se lembrar que o açúcar refinado é um dos alimentos que tem os maiores índices glicêmicos e, portanto, com potencial deseducador severo. Alguns doces de frutas como bananadas, goiabadas, sorvetes, quindins especiais e até tortas elaboradas já estão disponíveis no mercado, tornando saudável uma rotina de vida mais doce no tocante à alimentação”, explica o nutrólogo Alexandre. 

Confira a receita do muffin de banana e nozes 

Ingredientes:

100g de farinha de coco
100g de farinha de linhaça dourada
100g de nozes (picadas em pedacinhos)
2 colheres (de sopa) de cacau em pó 
2 colheres (de sopa) de fermento em pó
100g de gotinhas de chocolate (80% chocolate amargo)
200ml de leite vegetal 
1 colher (de sopa) de açúcar de coco 
3 bananas (bem maduras) amassadas
100ml de óleo de coco 
200g de chocolate granulado (80% chocolate amargo)

Preparo da massa:
Aqueça o forno a 180 graus. Em uma vasilha redonda misture todos os ingredientes secos (menos o granulado, que será usado somente no final).
Depois acrescente os ingredientes molhados e misture bem. Com a ajuda de 2 colheres (de sopa), coloque a massa em forminhas para muffins e coloque para assar por 20 minutos. O muffin não cresce muito, então fique de olho na quantidade que vai colocar na forminha. Rende mais ou menos 15 muffins. Retire-os do forno após os 20 minutos para a massa ficar no ponto certo. 

Preparo da cobertura:
Em uma panela, coloque o chocolate granulado e deixe aquecer em fogo baixo; vá mexendo. O granulado vai começar a virar pó. Nesse momento, retire a panela do fogo e acrescente 50ml de leite vegetal. Mexa bem e leve ao fogo baixo por mais 1 minuto. Coloque a cobertura ainda quente sobre os muffins. Após esfriar, a cobertura se mantém na consistência perfeita por dias.

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