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Rascunhos Nus

A coluna do publicitário, capricorniano e escritor Hugo Rodrigues fala sobre relacionamento, romance e comportamento. São os dilemas que tornam a vida mais interessante

Dois lados da canção

“Eu-queria-ter-uma-bomba-um-flit-paralisante-qualquer-pra-poder-te-negar-bem-no-último-instante”. Essa canção, mais especificamente esta frase toda, resume quase tudo por aqui. Você. Eu. E essa vontade imensa de dizer “não”, de rezar aos céus mesmo sem ter religião e pedindo um pouco de coragem - ou até medo mesmo. Você já percebeu que medo e coragem são a mesma coisa? O que fazemos depois disso é o que nos define. Ou o que fazemos durante isso. A gente pensa muito depois como se o agora não existisse. Somos prisioneiros de um futuro que nem sabemos se acontecerá e vamos, assim, adiando um passado, reinventando um presente e morrendo de medo - ou coragem - do futuro. 

Eu queria ter uma bomba. Não só para te negar. Às vezes, a bomba poderia funcionar apenas nos segundos que antecedem às tuas frases negativas. Você entende que eu quero dizer “não” e não quero que você diga “não”. Voltemos ao medo e coragem e você já deve estar pensando que eu sou um egoísta sem sentido ou um cara que pensa demais na vida sem ter a menor noção do que está fazendo por aqui.  

Por aqui, você ri das minhas inseguranças, enquanto eu ironizo as tuas frases ásperas e atravessadas; você me pede espaço e, logo em seguida, diz que vem me ver; eu prometo que tudo dará certo e depois afirmo não saber mais prometer. Somos eternas contradições contraindicadas a relacionamentos ultrapassados e ainda não entendemos a nossa função neste tempo aqui. Queremos a solidão a dois, a liberdade acompanhada e a solteirice ao lado de alguém.  

Ou não. O “não” sempre vem. Por medo e coragem, ninguém sabe mais o quê. 

Mas aí o silêncio vem. Um pingo de coragem toma conta de um oceano inteiro de medo e a gente se beija como quem conversa através dos carinhos de nossas línguas. Nossos corpos funcionam melhor entre eles, como duas almas que riem da gente tentando procurar sentido em algo sem nome. Teus pelos se misturam ao meu e todo suor que vem é quase lágrimas de felicidade ao reencontrar alguém depois de tanto tempo de saudade. Até amanhã é longe demais. 

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