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Doutor dedicação

Aos 85 anos, o pediatra João Joceli acumula uma história de vida dedicada à medicina

João Joceli já passou por diversos hospitais de Niterói e do Rio de Janeiro. Hoje ainda trabalha por amor à profissão

Foto: Lucas Benevides

Aos 85 anos, alguns podem achar que já ofereceram de tudo para a sociedade. Seja profissionalmente ou não, as experiências se esgotam e tudo fica mais monótono. João Joceli, entretanto, prova que não foi o que aconteceu no caso dele. Depois de diversas experiências na pediatria, o doutor ainda quer mais. Em um período de recessão, João já recebeu diversas ofertas de emprego e, devido ao amor pela profissão, vai continuar atendendo crianças e adolescentes, mesmo depois da idade avançada.

João Joceli Magalhães nasceu em 1931, em São Gonçalo, e, desde que teve que escolher a profissão, já sabia que iria ser médico. Neto do primeiro operário do País, João teve que correr atrás das coisas que queria desde cedo. Muito admirado na família, entrou na Faculdade de Medicina da UFF e, a partir de então, já tinha consciência do rumo que iria tomar na profissão: a pediatria.

Desde formado, João já trabalhou em diversos núcleos hospitalares importantes no Estado, como o Hospital São Francisco de Assis, o São  Zacarias e a Policlínica Geral do Rio de Janeiro. No entanto, o pediatra lembra que o seu maior orgulho foi o hospital que abriu com aproximadamente 15 anos de profissão. A Clínica Infantil Albert Sabin foi uma dos marcos na carreira do doutor, um dos pioneiros na pediatria. Ele lembra que, na época, em Niterói não havia nenhum centro cirúrgico para crianças e adolescentes e, portanto, abraçou a oportunidade de fazer algo inovador. 

“A gente fazia tudo, ia com mala para atender emergências, levava medicamentos, aparelho de pressão... Juntei um grupo de colegas e fizemos um hospital. Nós o vendemos em 98, mas foi uma grande realização na minha carreira”, revela. 

O perfil do pediatra hoje é diferente, segundo João. Após muitos anos na profissão, ele conta que a responsabilidade do especialista não era apenas cuidar da criança ou do adolescente, mas, sim, de todo o núcleo familiar. O atendimento não era unidirecional e havia uma reciprocidade da família para com o médico. O doutor revela, ainda, que já recebeu presentes de diversas famílias, mas que o mais importante, para ele, era o vínculo que era construído a partir do acompanhamento. 

“Se alguém me perguntasse se eu faria pediatria hoje, eu diria que não. O pediatra de hoje possui um outro perfil. A família me encontrava sempre e eu acabava cuidando dela. O trabalho não era restrito, eu tinha uma enorme responsabilidade nas mãos. Hoje o médico não acompanha mais o cliente, não tem mais o compromisso com a família”, expõe.

O pediatra revela que o apoio da esposa, com quem é casado há 60 anos, e dos amigos que fez na faculdade foi de grande suporte para a sua carreira. Até hoje, o rumo profissional do doutor é influenciado pelos relacionamentos que mantém há tantos anos. João recebeu duas ofertas de emprego atualmente, uma em São Gonçalo e outra em Icaraí, para trabalhar com amigos e pessoas com quem João possui vínculo mais próximo. 

“Me chamaram para ir para São Gonçalo, mas eu não podia devido à minha idade, pois já não posso mais fazer plantão, e pelo fato de que eu gostaria de continuar morando em Niterói. Então, lembrei que os três donos da Clipe (Clínica de Pediatria) já trabalharam comigo, eu apareci lá e eles me convidaram para trabalhar. Aceitei e acho que vai ser uma coisa muito leve e gostosa de fazer”, revela.

Aposentado como médico federal e estadual, João sempre fez o que gostava. Ele conta que vai se manter ativo por este motivo: porque já não consegue mais viver sem praticar a profissão que lhe rendeu tantos bons momentos.

“Ainda tenho um ‘cadinho’ para dar e eu não quero parar. Não quero trabalhar demais, porque o que eu faço não é pelo dinheiro. Eu só quero prestar o melhor de mim enquanto eu posso”, finaliza. 

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