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Ele quer ser mais que um poeta

Escritor gonçalense é destaque em premiações e já prepara seu segundo livro

Fabiano trabalha em seu segundo livro

Lucas Benevides

Aos dez anos, o gonçalense Fabiano Jaegger começou a escrever poemas, mas, nesta época, ainda não sabia que o hobby de infância se tornaria um impulso para a carreira de escritor. Em 2015, já com 22 anos, o estudante de Jornalismo se dedicou profissionalmente à escrita. Desde então, ficou entre os melhores colocados em dois prêmios de relevância internacional e nacional, o “Galinha Pulando” e o “Novos Poetas”, além de lançar o primeiro livro, “De tudo um pouco”. A obra reúne, além de poemas, contos, crônicas, cartas e até haicais (poema de origem japonesa). Agora o jovem já se prepara para lançar seu segundo livro, “Além da pele”.

Quando você começou a escrever?

Desde os 10 anos eu já escrevia poemas, mas eu só comecei a me dedicar profissionalmente mesmo no ano passado. Foi nesse momento que eu me inscrevi no “Galinha Pulando”, que é um concurso internacional organizado por um poeta baiano, o Valdeck Almeida. No fim do ano passado, descobri que fiquei entre os melhores do concurso e isso me estimulou a participar de outras premiações. Depois disso, eu fui um dos vencedores do concurso nacional “Novos Poetas”, organizado pela Editora Vivara, que seleciona os 250 melhores poetas do Brasil.

O que te inspira a escrever poemas?

Costumo dizer que meu poeta favorito sempre foi o meu pai. Ele não trabalhava com poesia, ele era advogado, mas escrevia muito bem. E foi ele quem me deu aquele “empurrãozinho”, e me apresentou ao mundo da literatura. Ele morreu em 2012 e, desde então, eu criei um relacionamento muito próximo com a poesia. Essa é a minha maior inspiração.

No ano passado você lançou seu primeiro livro, com o título “De tudo um pouco”. Conte como foi essa experiência e como surgiu a ideia desse projeto.

Nesse primeiro livro, escrevo poemas, cartas, contos, frases e crônicas com as inspirações mais variadas. Eu falo sobre coisas que acontecem no meu dia a dia, sobre relacionamentos amorosos, felicidades e tristezas. Além disso, escrevo também uma pequena explicação do que é cada estilo de texto. Eu uso poemas meus, por exemplo, e explico o que exatamente é um poema. Assim meu livro pode ser, também, uma forma de manual literário.

Por que você optou por explorar estilos de texto tão diferentes reunindo na mesma publicação crônicas e haicais?

Eu nunca quis me limitar a poemas, eu quero ser um escritor completo e acredito que um escritor não faz apenas um tipo de texto. Ele tem que ir desde uma simples redação até histórias de amor. Se eu fizer somente poesias, eu serei um poeta, se eu fizer só crônicas, serei um cronista... e eu me vejo como um escritor.

Você mencionou a participação do prêmio “Galinha Pulando” como um dos estímulos para investir nessa carreira. Qual é a importância desses concursos literários?

Como esses prêmios costumam ser abertos para todas as pessoas, eles também ajudam a abrir a mente da população para a leitura, estimulam a procurar novos livros e poemas. Assim as pessoas conhecem mais poesias e, a partir daí, começam a ler outros tipos de texto também. Comigo foi assim, eu comecei a ler porque era muito fã da série de livros do Harry Potter e, por causa disso, comecei a me interessar por outras histórias.

Como você avalia o segmento da poesia em São Gonçalo? Há público para esse estilo na cidade?

A literatura no Brasil como um todo não é tão valorizada. Nós temos grandes talentos, mas um jogador de futebol, por exemplo, tem maior reconhecimento que um poeta. Mesmo assim, eu acredito que em São Gonçalo existe um público para poesia sim. Eu participo de um grupo muito legal da cidade, chamado “O Diário da Poesia”, que é formado por vários artistas, desde atores até músicos e, claro, poetas. Nos reunimos em um restaurante da cidade para recitarmos poemas.

Quais são as grandes dificuldades que um escritor que está começando enfrenta hoje no Brasil?

O mais complicado é justamente o começo. É difícil encontrar uma editora e todo o resto é muito caro. Eu pretendia ir na Bienal do Livro, por exemplo, então comecei a conversar com algumas editoras. Nesse processo, eu descobri que algumas delas cobram entre R$ 2,3 mil e R$ 7 mil para levar um autor para a feira. A maioria dos eventos desse tipo, voltados para este público, funciona assim. Por isso eu também estou buscando patrocínio.

De todos os poemas que você já escreveu, qual é o seu favorito?

O meu poema favorito se chama “Flor vermelha”, que eu fiz especialmente para a minha mãe. Nós somos muito ligados, então todos os anos eu preparo alguma coisa para o aniversário dela. No ano passado o poema que fiz para ela nessa data acabou sendo publicado no livro também. É assim: “Uma rosa vermelha/Para tu, minha rainha/Tu és um encanto de mulher/A delicadeza que me faz pulsar de amor/Minha flor/Meu tudo/
Minha vida/Amo-te mãe querida.” 

Quais são seus planos para o futuro como escritor?

Eu estou para lançar meu segundo livro que vai se chamar “Além da pele”. Dessa vez vou falar sobre os tipos de preconceitos. Eu conto histórias, tanto que aconteceram comigo como com conhecidos. Eu também escrevo sobre casos que eu já ouvi falar, de pessoas de todo o Brasil. Eu vou abordar histórias de cyberbullying, que acontecem através da internet, casos de preconceito com mulheres mais velhas que namoram homens novos, preconceito com pessoas pobres. E vou contar o meu próprio caso, que é de preconceito contra pessoas obesas. O livro já está pronto, só falta conseguir um patrocínio para lançá-lo no mercado.

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