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Cresce o número de empresas de olho no mercado vegano

Mesmo com o crescimento contínuo, os empresários que se aventuram neste mercado ainda encontram dificuldades

Foto: Divulgação

Em novembro de 1944, na Inglaterra, o defensor de direitos dos animais, Donald Watson, e cinco homens se reuniram para falar sobre um estilo de vida alimentar vegetariano sem lactose. Dessa reunião surgiu o termo “vegan” e um novo movimento que levou à fundação da Vegan Society (Sociedade Vegana): o veganismo. A Vegan Society define esta filosofia como “um estilo de vida que procura excluir, na medida do possível, formas de exploração e de crueldade com os animais para comida, roupas e qualquer outro propósito”. Atualmente estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas pratiquem o veganismo no Brasil, e os reflexos deste dado estão sendo percebidos no mercado.

A Doce Vegana nasceu por acaso em 2015. Kelly Soares, sócio-proprietária da empresa, trabalhava no mundo corporativo como advogada. Ela e o marido, Erick Marinho, sempre foram envolvidos com a causa animal e, certa vez, fizeram um evento beneficente para ajudar um abrigo de animais em que Kelly se propôs a fazer a mesa de doces. O sucesso foi tão grande que ela começou a receber encomendas. Hoje dedica-se exclusivamente à empresa que tem mais de 30 mil seguidores em suas redes sociais e se prepara para abrir a primeira loja física. “Queremos mostrar que é possível comer um doce 100% vegano, livre de crueldade e que seja agradável ao paladar. Sempre tive muita dificuldade em encontrar empresas que oferecessem doces veganos, que proporcionassem memória afetiva”, conta a proprietária, que registrou um aumento de 200% no faturamento do Natal de 2016 em relação ao ano anterior.

Mesmo com o crescimento contínuo, os empresários que se aventuram neste mercado ainda encontram dificuldades como a escassez de fornecedores de matéria-prima e a falta de informação e regulamentação acerca da origem e dos rótulos. Aline Ramos – proprietária do É Coisa Bio, loja que reúne produtos veganos, sem parabenos e petroquímicos de higiene, limpeza e cosméticos – buscou sites internacionais para identificar a procedência de cada componente dos produtos supostamente naturais e veganos. “É um desafio. Não sou química ou do ramo da farmacêutica. A Anvisa não regula esse mercado. Qualquer empresa pode colocar uma etiqueta verde nos produtos. No Brasil não temos muita informação. Eles podem colocar ‘produto natural’ e só ter um componente que é natural”, explica.

Aline, que era representante de frigoríficos antes de se tornar vegetariana, conta que o público vegano é só uma parcela de seus clientes, que incluem, ainda, alérgicos e ambientalistas. Isso sem falar nos moradores de ecovilas, que têm crescido no Brasil, também procuram produtos alinhados com a natureza e que não façam testes em animais. Com o aumento da consciência ambiental, o crescimento foi de 400% no último ano e a expectativa para 2017 não é diferente. “Enquanto outros mercados estavam recuando na crise, o mercado vegano estava em ascensão. Foi um susto esse crescimento repentino. Conforme vamos ganhando conhecimento de mercado, fortalecemos as bases da empresa para torná-la sólida”, argumenta.

Carolina Rodrigues não têm dificuldade em se alimentar em casa, mas ainda acha que os produtos veganos industrializados não são tão acessíveis

Foto: Douglas Macedo

O casal de namorados veganos Carolina Rodrigues e Levy Py não encontrou dificuldade na alimentação caseira do dia a dia, mas sente que Niterói ainda não oferece muitas opções de fast-foods veganos, além dos preços de alguns produtos não serem tão acessíveis. “O ramo do veganismo está crescendo, tanto em relação à alimentação, quanto em relação à oferta de produtos de beleza e limpeza. Nas feiras veganas, que acontecem principalmente no Rio, você conhece muitas coisas. Alguns preços ainda não são tão acessíveis, mas dá para comprar”, comenta Carolina.

Há cinco anos, Ana Carolina Prellwitz, proprietária do Atma-Food For Soul, foi diagnosticada com uma doença autoimune e encontrou na alimentação natural e vegana uma grande aliada em seu tratamento. Com a preparação de pratos sem glúten e aditivos químicos, veganos e, dependendo da demanda, orgânicos, ela alimenta os niteroienses que buscam um estilo de vida mais saudável através de um sistema delivery. “Muitas pessoas me procuram falando que querem comer melhor, mas não têm tempo. Elas estão se conscientizando da importância da alimentação para a saúde. O mercado só tende a crescer. Você investe agora para não ter que pagar remédio lá na frente”, finaliza.

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