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Conheça a história de pessoas que moram na mesma casa praticamente a vida toda

Dona Lili e a filha, Débora Pacheco, dividem as memórias ligadas à casa onde ela vive até hoje no Fonseca

Foto: Lucas Benevides

A ideia de sempre morar no mesmo lugar praticamente sua vida toda pode até sugerir uma certa monotonia, mas certamente para um grupo grande de gente é sinônimo de raízes fortes e de memórias vivas.

 Conhecida como Dona Lili, Maria Eli Pacheco certamente é uma representante do segundo grupo. A moradora do bairro Fonseca de 79 anos mora na mesma casa desde os seus 15 anos. Ali casou, criou seus três filhos, enviuvou-se há 5 anos e não pretende e nem quer se mudar. Ela conta como seu pai construiu com sacrifício a casa, e o quanto a felicidade dela sempre esteve dentro das paredes do lar.

“Aqui só tinha essa casa, nos mudamos para cá e, na rua, havia apenas um casarão. Não tinha nada, era só mato e mato”, relata a moradora. 

O pensamento de se mudar sequer passa pela cabeça de Dona Lili, apesar do filho já ter mostrado para ela essa opção, sem sucesso. Sua filha, Débora Pacheco, de 55 anos, conta que cresceu nesta mesma casa junto aos seus dois irmãos e ao lado de seus pais. Mesmo tendo se mudado de casa depois do casamento, ela continua frequentando diariamente a casa de sua mãe, seu verdadeiro tesouro.
“Minha infância foi nesse lugar. As memórias são bonitas”, conta.

Suely Trigueira nunca teve coragem de se despedir do bairro e da casa onde mora

Foto: Lucas Benevides

Segundo a médica, pós-graduada em geriatria e gerontologia Renata França, não existe cientificamente falando uma razão que desse conta de explicar o que levaria uma pessoa a ter apego às raízes. Quanto mais velho, mais difícil é de se desprender.

“Na medida em que os anos vão passando, fica mais difícil se desapegar daquele ambiente, porque é como se a pessoa estivesse largando ou abandonando suas memórias afetivas”, informa.
A nutricionista Suely Vaz Trigueira, de 66 anos, mora também no Fonseca em um prédio há mais de 50 anos. Diferentemente da Dona Lili, ela já pensou em se mudar algumas vezes, mas, com o carinho que tem pelo bairro, nunca concretizou a ideia.

Suely herdou o apartamento junto com os seus irmãos de seus pais, razão que justifica o apego sentimental pela residência. Tinha apenas 13 anos quando houve a mudança com seus pais e irmãos. Após casamentos e com o falecimento de seu irmão, Suely continuou morando no mesmo lugar e cuidou das suas sobrinhas desde seus 5 anos como filhas de coração.

“Uma se casou e a outra mora comigo até hoje, meu pai mudou-se porque ficou viúvo e se casou de novo”, explica.

Para a médica Roberta França, vale lembrar do perfil psicológico de cada pessoa, mas, na grande maioria que vive a vida inteira no mesmo ambiente, são pessoas que tendem a ser mais apegadas.

“Acredito que uma pequena parcela seja por acomodação, mas acho que, na grande maioria, esse apego emocional está muito mais pelo afeto, por ter vivido muito tempo no mesmo ambiente”, argumenta a geriatra. 

por Ana Luisa Marques​

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