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Espaço Aberto: você sabe o que é hemangioma infantil?

Dov Goldenberg é responsável pela cirurgia plástica pediátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Foto: Divulgação

Se você não é pai, muito provavelmente nunca ouviu falar de hemangioma infantil. Se você já é, certamente só escutou se seu filho se deparou com a doença. Pois trata-se do tumor benigno mais comum da infância, com alta incidência em bebês. Ele pode surgir na pele desde o berçário até a oitava semana de vida. O grande problema é que, além do desconhecimento dos pais, muitos médicos não sabem diagnosticá-lo e este atraso pode comprometer o tratamento, deixando, nos casos mais graves, cicatrizes para o resto da vida, principalmente no rosto e em meninas, mais atingidos.

Este tumor que alcança 5% dos nascidos é formado por células que compõem a parte interna dos vasos sanguíneos. Pode ser confundido no início com um machucado, por sua cor avermelhada. Porém, seu crescimento pode ser extremamente rápido, evoluindo até os 12 meses; ou, mais raramente, até o segundo ano de vida. 

A maioria dos hemangiomas se desenvolve no rosto e na região cervical. Felizmente, na maior parte há uma regressão espontânea da doença, que, de toda forma, dever ser acompanhada. Mas em 20% dos casos é necessário tratamento, por apresentarem lesões maiores, infecção, sangramento, riscos de feridas e até obstruções visual e respiratória.

Quanto mais rápido for diagnosticado, melhor será controlado o tumor, evitando, assim, complicações médicas e cicatrizes, que, no futuro, podem abalar o psicológico da criança. Por isso, é de extrema importância que se procure um bom pediatra, para que ele possa diagnosticar e indicar um especialista, que pode ser um cirurgião plástico, oncopediatra ou dermatologista. No Brasil, existem poucos especialistas e centros especializados, o que só reforça essa preocupação. 

O hemangioma infantil possui características peculiares, como maior incidência em prematuros e bebês que nascem abaixo do peso. O crescimento da fertilização in vitro e inseminação artificial tem relação com o aumento do aparecimento do tumor, pois, nesses casos, temos mais gestações múltiplas, nas quais a prematuridade é mais frequente. Meninas também têm de três a cinco vezes mais possibilidades de ter a doença. 

O tratamento vem sendo cada vez mais aperfeiçoado. Corticoides eram a única opção até dez anos atrás. Hoje, temos o propranolol, um betabloqueador indicado para cardíacos que se descobriu, por acaso, ser eficiente contra o hemangioma infantil. O comprimido é dissolvido em água, de forma não ideal. Mas, até o fim do ano, já devemos ter a sua versão em solução específica para bebês, aumentando a eficácia. As intervenções cirúrgicas são para os casos mais extremos. 

Pode parecer assustador num primeiro momento, é verdade. Mas o hemangioma infantil pode ser contornado com os avanços dos últimos anos. Enquanto não temos uma campanha sobre o diagnóstico precoce, inclusive entre nós, médicos, os pais devem estar informados e procurar os melhores pediatras, para que, nos primeiros meses, evitemos uma cirurgia e as marcas que podem abalar a autoestima no crescimento. Afinal, é por volta dos quatro anos que a criança passa a ter noção de sua autoimagem.

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