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Espaços compartilhados

Econômicos e práticos, coliving e coworking transformam positivamente a maneira com que as pessoas lidam com o espaço

Ronaldo Gomez, Elisa Calmon e Naíse Domingues moram em sistema de coliving.

Foto: Marcelo Feitosa

A tendência de compartilhamento do espaço tem crescido cada vez mais na sociedade. Seja em moradia ou trabalho, o movimento estimula a integração das pessoas, a colaboração, além disso auxilia na preservação da sustentabilidade e permite aos indivíduos viver novas experiências.
Pensando nessa proposta, foi criado o coliving, uma forma de moradia que teve origem na década de 1970, na Dinamarca, onde pessoas se unem para compartilhar um lar. Popular nos Estados Unidos e na Europa, o modelo foi impulsionado recentemente no Brasil. Com a divisão, os moradores da casa têm a possibilidade de dividir custos, tarefas e histórias.

Para o advogado especialista em direito imobiliário José Ricardo Ramalho, o principal benefício do coliving é a moradia mais acessível, já que é possível morar em uma casa ou apartamento com ótima localização na cidade e, mesmo assim, pagar pouco.

“Além dessa economia, normalmente as tarefas domésticas são divididas por todos os moradores da residência, o que facilita muito a manutenção da organização e limpeza da casa. Nesse conceito, há uma ideia de comunidade”, destaca.

Pensando nessas vantagens, os amigos Elisa Calmon, Naíse Domingues e Ronaldo Gomez, todos com 23 anos, decidiram, há cerca de um ano, dividir um apartamento no Centro de Niterói após perceberem que, ao morar em casas separadas, o custo de vida acabava sendo alto.

“Estávamos sempre juntos, mas morávamos em casas separadas e o custo era muito alto. Por isso, achamos que seria uma boa ideia nos juntarmos para diminuir os gastos. Fazemos companhia um ao outro e economizamos, foi a junção do útil ao agradável”, conta Elisa.

A escolha da casa foi feita em três critérios: preço, proximidade da universidade em que estudavam e fácil acesso para o Rio, onde todos trabalham. De acordo com Naíse, a principal dificuldade foram as etapas de contrato.

“Achamos o apartamento na internet e nos apaixonamos de cara. O difícil foi resolver as questões burocráticas, porque, pela primeira vez, passamos por todo o processo de aluguel independente”, pondera.

O advogado José Ricardo chama a atenção para alguns cuidados ao entrar na modalidade, como verificar previamente se o local está regular, se o dono do imóvel permitiu esse tipo de moradia e sempre buscar referências do ambiente. Para manter boa convivência, é feita uma escala de arrumação e divisão das dívidas. Segundo Ronaldo, os cômodos comuns, como banheiro, sala e cozinha, ficam divididos uma semana para cada um e os quartos ficam a cargo dos donos. Já as contas e o aluguel são divididos igualmente todo mês.

“A rotina e o convívio podem ser desgastantes, mas o fato de sermos amigos ajuda, porque conseguimos conversar sobre os problemas de forma tranquila. Sem contar que já conhecemos os hábitos e o jeito de cada um, então isso evita surpresas desagradáveis e o desconforto de ter que cobrar coisas de alguém que você não tem abertura”, destaca o social media.

O Círculo Co-Working, em Icaraí, atende sobretudo pessoas do meio corporativo, engenheiros e arquitetos

Foto: Lucas Benevides

O especialista José Ricardo pontua que a principal orientação comportamental para que a convivência entre os moradores sejam agradáveis é seguir as regras estabelecidas.

“Cumprir as tarefas comunitárias e sempre manter a paciência e cordialidade acima de tudo. Afinal, dividir um espaço com pessoas diferentes requer compreensão constante”, destaca. 

O conceito de compartilhamento já chegou também no mercado de trabalho. Um ambiente voltado para o profissional autônomo e para a conexão entre pessoas de diversas áreas, com toda estrutura necessária para trabalhar e receber seus clientes, com um custo menor do que o de alugar, individualmente, uma sala comercial, isso é coworking. Segundo levantamento da comunidade Coworking Brasil, que reúne os espaços participantes do conceito, existem mais de 100 unidades no País.

A modalidade funciona da seguinte forma: o profissional paga um valor, podendo ser mensal ou por hora, para utilizar o espaço. As contas como aluguel, luz, telefone, internet, limpeza, entre outros serviços, ficam em responsabilidade do proprietário do espaço. Com isso, acaba se tornando uma maneira mais prática de ter um endereço físico.

Isabelle Esteves, de 33 anos, fundadora do Círculo Co-Working, em Icaraí, ressalta que a ideia de montar o espaço surgiu após uma necessidade própria. A empresa conta com sala de reuniões, área comum e uma varanda, onde existe uma minicozinha.

“Trabalhava em uma empresa de São Paulo que não tinha base física no Rio e tinha que fazer meus relatórios de casa. Mas eu acabava não conseguindo me concentrar. Comecei a pesquisar por algum espaço para trabalhar e vi essa modalidade no Centro do Rio. Observei que haviam pouquíssimos em Niterói, foi quando decidi investir”, conta a empreendedora, que define seu público-alvo: profissionais de negócios, seguindo o perfil do espaço, mais formal. Isabelle também destaca que a maioria dos clientes fixos do ambiente são do meio corporativo, engenheiros, consultores, advogados e arquitetos, entre outros. 

No Centro de Niterói, um outro espaço, mais descontraído, abriga o Col-working, que tem como foco os profissionais de start up, ou seja, um grupo de pessoas que elaboram uma ideia diferente e querem colocar em prática. Com três salas em um prédio comercial, o espaço conta um ambiente de café, uma sala de reuniões e a sala com as estações de computadores. 

Diferente de Isabelle, Sandro Rocha, também conhecido como “Col”, teve a ideia de montar a empresa por estar cansado de se deslocar de Niterói para o Rio para trabalhar. A partir da sua insatisfação, percebeu que, com a tecnologia, o profissional pode trabalhar para uma empresa, ou projeto, de qualquer lugar. 
“Há dois anos, quando comecei no ramo, os espaços que existiam na cidade eram muito sérios, diferente do que eu achava legal. Por isso resolvi criar um ambiente mais descontraído e criativo. Temos sala de café, que conta com videogame, televisão, entre outras coisas”, explica.

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