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Espalhando identidades

Projeto criado por estudantes ajuda a localizar pessoas desaparecidas

A cada ano no Brasil, 250 mil pessoas desaparecem sem deixar vestígios. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), só no primeiro semestre deste ano foram registrados 3.713 casos de desaparecimentos no Estado, enquanto em 2014 este número chegou a 6.231. Com base nesta realidade, alunos da escola de Publicidade Miami ad School/ESPM idealizaram o projeto Missing IDs, que tem como objetivo ser mais uma ferramenta para ajudar a encontrar pessoas desaparecidas.

A iniciativa surgiu em abril deste ano, como uma atividade da disciplina Direção de Arte. Hoje, o projeto conta com a participação das alunas Camilla Ciappina e Mariana Carvalho, sob a orientação do professor Diorgenes Wenderly. Ao elaborar o Missing IDs, os alunos pensaram em criar cédulas do documento de identidade com a foto dos desaparecidos para que elas fossem espalhados pela cidade. O projeto nasceu em São Paulo, mas obteve alcance em todo o Brasil. Além de espalhar as identidades em papel pela cidade, eles publicam as cédulas no Facebook.

O Missing IDs é alimentado por internautas que enviam seus casos pela rede social facebook e por e-mail. Futuramente, os registros poderão ser feitos pelo site que está sendo desenvolvido e estará no ar no fim de outubro. Até setembro, o projeto já havia conseguido localizar 15 pessoas.

Segundo Camilla Ciappina, a internet foi considerada uma das melhores ferramentas para que o projeto alcançasse seu objetivo. “Inicialmente, a proposta abrangia a cidade de São Paulo, mas o projeto foi ganhando visibilidade e hoje pessoas do país inteiro enviam suas histórias. Como as cédulas estão disponíveis na rede social, os familiares dos desaparecidos imprimem e espalham pela localidade onde ocorreu o desaparecimento”, explica Camilla, ressaltando que o contato com a equipe do Missing IDs pode ser feito pela página https://www.facebook.com/Projetomissingids.

Há 12 anos, a instituição de ensino oferece cursos voltados para área de Publicidade. De acordo com o diretor acadêmico da escola, Paulo André Bione, a instituição estimula o diálogo dos alunos com a sociedade. “O nosso intuito é fazer com que o publicitário pare de olhar para o próprio umbigo e interaja com a sociedade a sua volta”, esclarece Bione. 
Assim como este projeto, a escola apoia outras iniciativas que têm o objetivo de estimular os publicitários a dialogarem com o mundo. “Há todo um engajamento para apoiar os projetos criados pelos alunos. Nós queremos fomentar a criação de ideias que se conectem com a sociedade”, enfatiza Bione.

De acordo com o site “Desaparecidos do Brasil”, em caso de desaparecimento, não é necessário esperar 24 horas para registrar o caso. A orientação é que, quando houver alguma modificação na rotina de uma pessoa e dificuldade de entrar em contato com ela, deve ser feita a ocorrência na delegacia mais próxima. Recorrer às redes sociais, entrar em contato com hospitais, espalhar cartazes com fotos do desaparecido e fazer uma busca pelos locais em que o desaparecido tem o hábito de frequentar também é recomendado. Caso a pessoa seja encontrada, o comunicante do desaparecimento deve entrar em contato com a delegacia onde foi feita a ocorrência e fazer o registro do aparecimento.

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