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Estilo atemporal

Ser elegante não é uma questão de idade, mas, sim, de postura e consciência

A estilista Anna Garcia, mestra da camisaria na cidade

Foto: Douglas Macedo

Algumas pessoas são reconhecidas por dedicar parte do seu tempo para vestir mulheres maduras em Niterói, provando que, assim como outras coisas, a moda é atemporal. A empresária Ester Rachel e a estilista Anna Garcia são exemplos disso e, apesar de atenderem diferentes públicos e interesses no mercado, provam que estilo não tem prazo de validade.

A tradicional loja Bambini by Ester Rachel é referência na cidade e completa 50 anos.

“Sempre fui muito bem-recebida, fiz muitas amizades. Aqui, as clientes não são só clientes, são amigas. Elas chegam aqui e estão em casa. A cidade merece. Tem muita gente boa, famílias importantes e senhoras instruídas”, explica Rachel.

Muitas pessoas não sabem, principalmente as gerações mais recentes, mas a Bambini surgiu como uma loja infantil e, com o tempo, foi se adaptando aos interesses do público e ao amadurecimento da clientela.

“Comecei a trabalhar quando meus filhos foram para a escola e fiquei sem serviço. Então, eu e mamãe abrimos a loja para crianças, por isso, se chama Bambini. Mas as crianças cresceram e acompanhei o crescimento delas. Dei de presente muito sutiãs para as meninas. Hoje, aquelas crianças já são mamães e outras, até avós”, revela a empresária.

Ester Rachel construiu uma marca que não se limitou às exigências da moda e propôs à cidade a criação de um estilo de vida.

“Eu já viajei muito, trazia muita coisa bonita. Criei também uma parte cultural porque, volta e meia, convidava escritores e outros profissionais para darem palestras”, conta a empresária.

A estilista Anna Garcia, por sua vez, tem como especialidade a camisaria e sua escolha de produção é reflexo da sua personalidade, que sempre teve preferência por duas peças e fez sua própria roupa.

“Gosto muito de brincar com a roupa. A mulher madura vai traçando a trajetória dela a vida inteira, respeitando o limite do tempo dela. Elas querem mais conforto, não gostam de nada apertado”, aponta a estilista.

Ester Rachel, uma das tradicionais empresárias da moda de Niterói

Foto: Lucas Benevides

Analisando o atual cenário da moda, Ester Rachel aposta em uma tendência mais básica e casual para as mulheres maduras, que, segundo ela, estão cada vez mais joviais.

“Hoje, uma mulher de 60 anos se veste que nem uma garota. A moda se tornou muito mais simples, mais usável. Hoje em dia, você vai a um teatro e têm pessoas de jeans e de camisa simples. Antigamente, você não via isso. A pessoa ia no Teatro Municipal, ela se arrumava toda”, compara empresária.

Já Anna Garcia defende que a camisaria é uma peça-chave e que sua principal característica é a praticidade. Por isso, pode se adequar às necessidades do lugar.

“Você pode colocar com uma calça jeans, um tênis, pode dar o aspecto que quiser dependendo dos acessórios. Se você sai de manhã mais informal, pode levar dentro da sua bolsa um chale, um colar, um brinco ou até um salto alto, por exemplo, e você já está arrumada para o Teatro Municipal. A camisa tem resposta pra tudo”, aconselha a estilista, que é adepta da moda upcycling, que consiste na arte da reciclagem e reutilização. Ela começou apenas com camisas brancas, mas, com o tempo, foi diversificando. “Sou muito flutuante nesse aspecto, acho que a moda é muito democrática. Não sigo tendência. Acho que podemos sempre resgatar alguma coisa e adaptar à nossa maneira de se vestir. ‘Isso tem um erro, não ficou legal, o que posso jogar em cima disso? Posso tingir? O tecido manchou, o que posso fazer com isso? Vamos ver qual é o efeito’. Nessa brincadeira, aparecem propostas maravilhosas que você não pode imaginar. Não adianta você comprar uma roupa ‘carésima’ e ela não dizer nada sobre você”, pondera.

Ester Rachel, por sua vez, acredita que o cenário econômico atual tem moldado o mercado da moda e influenciado o modo das pessoas se vestirem. 

“As pessoas estão se arrumando menos porque a vida está difícil. O fator alimentação está em primeiro lugar, as escolas, o material escolar, imposto de renda. São muitas prioridades. A moda precisa estar atenta a esse novo mundo e se adaptar a ele”, explica.

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