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Estresse festivo

Com a chegada do fim do ano, as pessoas tendem a ficar sobrecarregadas com as tarefas e comemorações. Saiba como romper o ano de forma leve e agradável.

 

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A ansiedade é um problema cada vez mais frequente na vida das pessoas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem a maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo. Este problema afeta a todos, e cada vez mais pessoas jovens possuem este diagnóstico.

“A ansiedade é uma resposta emocional, normal e adaptativa, porém, quando os sintomas se apresentam de forma intensa, inadequada e em excesso, isso quer dizer que ela está num nível patológico. Sem dúvida, os fatores culturais têm um grande impacto na saúde mental da população. Nós vivemos num país com extrema desigualdade social, crise financeira, corrupção e instabilidade econômica, isso gera uma sensação de incerteza sobre o futuro, além da pressa, competitividade, inúmeras exigências e o consumismo desenfreado inerentes à vida moderna. Tudo isso, ainda associado ao aumento da violência urbana, toma as pessoas com os sentimentos de medo e ansiedade, estamos sempre em estado de alerta, tensos e preocupados com a sensação constante de que podemos sofrer algum tipo de ameaça ou assalto”, explica a psicóloga Nala Rizzo, relacionando este estresse coletivo ao excesso de notícias negativas e de violência que circulam o tempo todo nas diversas mídias e o quanto isso atinge as mulheres: “Neste contexto, as mulheres são as mais afetadas, 7,7% da população (segundo a OMS), pois, além de todos os aspectos já citados, as mulheres têm que lidar com as diversas cobranças sociais dos diferentes papéis que ocupam, vida profissional, pessoal, a maternidade, casa, etc. Os fatores hormonais (TPM, gestação, menopausa) também influenciam, pois deixam as mulheres ainda mais vulneráveis aos sintomas da ansiedade”.

 

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Com a chegada do final do ano, este problema tende a aumentar. É uma época de fechamento de ciclo, balanço das metas pessoais e profissionais alcançadas – e não alcançadas –, festas da firma, dos amigos e da família, presentes, viagens e muitas outras questões, que acabam transformando um momento que deveria ser tão especial em um pesadelo!

“Final do ano acompanha um desejo enorme de que o próximo ano seja diferente e melhor do que o corrente, é natural que nesse processo as pessoas fiquem com muitas expectativas e apreensões. Isso é muito natural. O problema é quando as pessoas começam a se perder dentro da sua cabeça e dos seus medos de que as coisas podem continuar na mesma, ou pensar que o pior vai acontecer”, afirma o psicólogo Vitor Friary, que acredita que o interessante é exercitar a ideia de que somos capazes de lidar com o que virá em 2019: “Entender que tudo está em constante mudança, e que podemos lidar com dificuldades e conquistas com o mesmo nível de autorrespeito. Confiando nas grandes lições que aprendemos e acreditar que estamos em um processo de construção, aprendendo e desenvolvendo habilidades”.

Rosa dos Santos (49) já sofre de ansiedade normalmente, com as pressões do fim ano, seu problema tende a se multiplicar.

“Me sinto sem forças devido a fatores diversos vindos das circunstâncias que estão acontecendo em minha vida e tudo que tenho que resolver em tão pouco tempo. Sou tão ansiosa que chego a fazer várias coisas ao mesmo tempo, parece que o mundo vai acabar, quero terminar minhas tarefas e dar conta de tudo. Tenho insônia constantemente, acordo de madrugada, é como se formasse uma teia de aranha em minha mente de tanto pensar”, revela a dona de casa.

São muitas dicas oferecidas pelos profissionais para que todos consigam passar por esta fase de forma saudável e tranquila.

“A primeira dica seria tentar entender a situação e o contexto. De fato, dezembro costuma ser um mês atípico, mas ele vai passar e neste momento é preciso saber priorizar o que realmente é importante e deixar o resto para o mês seguinte. Planejar de acordo com as prioridades, mas ter flexibilidade para entender que nem sempre as coisas irão sair exatamente como planejamos. Também é importante saber dizer mais “não”, isso significa poder dizer “sim” para si mesmo e para suas prioridades. Você não precisa abraçar o mundo e agradar a todos, tendemos a acumular funções e atividades. Aprenda a respeitar o seu limite, isso vai te fazer se sentir mais calmo e tranquilo”, indica Nala Rizzo.

Ainda segundo a psicóloga, agradecer é outro ponto importante para diminuir os sintomas. A ciência já comprovou que, quando nos sentimos gratos, algumas áreas do nosso cérebro são ativadas, e estas estão associadas ao sistema de recompensa (dopamina) e da empatia e também da ocitocina, que impulsiona o afeto e oferece tranquilidade, reduzindo a ansiedade, medo e aliviando o estresse.

“Por fim, é importante ressaltar que o que diferencia a ansiedade normal, ‘do bem’, da patológica. Está na intensidade, na duração e se está causando prejuízos sociais e sofrimento na vida da pessoa. Nesses casos, é preciso buscar uma ajuda especializada. A psicoterapia é um valioso instrumento capaz de trazer alívio, bem-estar e qualidade de vida para as pessoas”, conclui.

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