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Eterna Boemia

Em sua maioria apaixonados por samba, gafieiras e cerveja gelada e barata, os boêmios contam suas histórias e como comemoram a vida

A ex-dançarina Heloisa Helena, de 69 anos, adquiriu o hábito de frequentar bares quando dançava. Acabou ficando amiga de Gaúcho, dono do bar

Foto: Lucas Benevides

A atmosfera boêmia passa de malvista desde o final de século XIX até meados do séculos XX, impregnada por excessos e descontrole, para um ambiente positivo, um espaço de happy hour, onde amigos animados marcam seus encontros e celebram a vida. 

Nascida em Barra do Piraí, a ex-dançarina Heloisa Helena, de 69 anos, mora hoje em Niterói e conta que a rotina boêmia que leva atualmente teve início com a dança.

“Era 1975, se não me engano. Foi quando voltei dos EUA, país em que eu morei durante um tempo. Chegando ao Brasil, vim morar em Niterói e logo procurei algo que me tirasse do tédio da rotina. Como sempre fui apaixonada por dança, comecei a comparecer a espaços de dança de salão”, lembra.

A partir daí, Heloisa, acompanhada das amigas da dança, passou a frequentar diversos bares e pubs de Niterói e do Rio. 

“Costumava ir muito à Lapa em seus tempos de auge. Sempre conseguia uma caroninha para ir e voltar sem problemas. Aqui em Niterói, costumo ir muito na Toca da Gambá, lugar que frequento há mais de 20 anos, mas, ultimamente, tenho ido no Gaúcho. Lá tem cerveja boa e barata, além de ser perto de casa”, conta Heloisa. O “Gaúcho” a que ela se refere é, na verdade, o Bar do Gaúcho, que fica no Centro de Niterói.

“Meu nome verdadeiro é Alceu Braga, mas todo mundo me chama de gaúcho lá”, relata o dono do bar, que conhece a dançarina de longa data. 

“Infelizmente, nos últimos anos, a clientela só vem caindo. Morei 21 anos em São Gonçalo e aqui em Niterói já estou há 12. Nunca em minha vida tive um movimento tão baixo em nenhum lugar em que trabalhei. Deve ser por causa da violência, né?”, lamenta Gaúcho, de 56 anos.

O grupo carnavalesco Arteiros da Glória, formado em encontros em bares da Glória, criou a roda de samba Gloriosa, na Lapa, onde estará hoje cantando e tocando

Foto: Douglas Macedo

Em 19 de junho de 2006, um grupo de amigos boêmios da Glória, amantes da música popular brasileira, fez uma feijoada para relembrar o grande cantor e compositor Chico Buarque (a data em questão é o dia do aniversário do artista). Eles cantaram e tocaram até altas horas canções do Chico. A partir desse dia, o grupo nunca mais parou de tocar, surgindo, assim, o grupo carnavalesco Arteiros da Glória. O bloco se mantém ativo até hoje.

No período fora do carnaval, o grupo sempre se reúne na rua da Lapa, seja para uma roda de samba, que volta e meia eles fazem, ou só para tomar uma cervejinha e botar o papo em dia.

“Quem diz que a Lapa não tem mais graça não sabe de nada. De uns anos para cá, ela realmente mudou. Quando eu cantava, via um público requintado, do samba, que ia para se divertir em uma boa gafieira. Há uns anos, a Lapa virou um espelho para o mundo e hoje você encontra a galera do rock, do pagode, funk, ou seja, gente de todas as tribos e gostos estão presentes”, relata Rhê Guimarães, cantora da roda de samba Gloriosa.

Todo terceiro domingo do mês, a Gloriosa se reúne na Praça da Glória, sob a coordenação de Henrique Souza (fundador do Arteiros da Glória) e Paulão Sete Cordas.

“Dia 19 de agosto estaremos lá novamente, levando muito samba e música boa para o público. Os boêmios de plantão podem ficar tranquilos, vai ter cerveja barata e geladinha”, convida Henrique Souza. 

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