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Heróis dos animais

Veterinários falam sobre o amor pelos animais e a responsabilidade da profissão

Para a médica veterinária Táya Oliveira, o amor pelos animais caminha lado a lado com a racionalidade da medicina

Foto: Lucas Benevides

Para se ter sucesso em qualquer profissão são necessários dedicação e prazer em trabalhar com o que se propõe. Neste domingo, dia 9, é comemorado o Dia do Médico Veterinário, profissionais cuja maior motivação no momento de escolher a profissão é a ligação afetiva que têm com os animais.

O médico veterinário cuida da saúde dos animais, desde as práticas preventivas e de manutenção da saúde, até atividades de tratamento e cura de doenças. Pode receitar medicamentos e realizar cirurgias. Pode se ocupar de animais de variados portes, incluindo-se o tratamento de gado, de equinos ou de outros ainda maiores, como quando contratados por jardins zoológicos.

Tradicionalmente, as pessoas acham que veterinário é aquele profissional que toma conta dos cães e gatos domésticos e dos cavalos das fazendas. Só que 90% dos alunos iniciam o curso motivados pelo afeto aos pets e, ao longo da graduação, se surpreendem ao descobrir novas possibilidades dentro da carreira.

Gostar de animais é um pré-requisito para a pessoa se tornar um bom profissional, mas não é o único. A médica veterinária Táya Oliveira, da Clínica Itaipu de Especialidades Veterinárias, explica justamente esse ponto.

“Tem que ter amor pelos animais, aquele carinho por eles, mas só isso não basta. Tem que ter também a vontade de cuidar deles, gostar da parte da medicina porque a veterinária também é uma medicina, então, se amar essa parte de tratar e cuidar do bem dos animais, já é um grande avanço. Não só com cães e gatos, porque a medicina veterinária é bastante extensa. Tem a parte da alimentação, vigilância sanitária, animais silvestres... Então, quem fizer veterinária terá variadas opções para trabalhar”, conta a Táya, que complementa ao falar como e quando percebeu que aquela era a profissão para sua vida. “As primeiras lembranças que eu tenho de pensar em alguma profissão eram de ser veterinária, aquele famoso ‘O que você quer ser quando crescer?’. Então, desde os seis anos, quando me perguntaram o que eu queria ser, falava que seria médica de animais. Se eu via um bicho doente, eu queria ir lá para ajudar e cuidar. Apesar de me especializar em cães e gatos, já fiz estágio em locais onde cuidei até de jaguatirica”.

Quem ama seus cães e/ou gatos tem, muitas vezes, no médico veterinário, mais do que um grande parceiro, um amigo em quem confiar.

“Percebo bastante que os animais são parte da família. Os tutores têm muito amor por seus animais. É uma relação de confiança como se eu fosse uma pediatra, alguns me ligam no fim de semana, outros até de madrugada, porque confiam na minha opinião como especialista. Se forem em outro veterinário, eles ligam querendo que eu saiba dos exames, realmente é uma ligação bem próxima”, conta Táya.

O curso de Medicina Veterinária tem duração de cinco anos em período integral, aborda disciplinas como anatomia, histologia e embriologia dos animais, fisiologia, biofísica, parasitologia, imunologia, zootecnia, genética, farmacologia, clínicas médica e cirúrgica. Durante o curso, são desenvolvidas atividades em laboratórios, fazendas e hospitais veterinários, além de estágios. 

Às vezes, quem só gosta de animais pode sofrer quando se encontra em uma situação delicada, como quando será preciso sacrificar o animal. Por isso, o profissional precisa, acima de tudo, amar a medicina, como conta a médica veterinária Vivian Santos.

“Para ser uma boa médica veterinária, é preciso entender não só do bem-estar do bicho, mas do tutor e de toda a família, a sensibilidade vai além disso. Animais em estado de sofrimento, em agonia, exigem do veterinário a sensibilidade de avaliar ou não a indicação de uma eutanásia, de um sistema de internação intensiva e como dar a notícia de doenças terminais a seus tutores. Isso não se aprende na faculdade, é preciso aptidão, amor e muito profissionalismo e dedicação. O amor te ajuda a suportar a dor e a se dedicar com mais paixão à profissão escolhida”, conta Vivian, que ainda conta o seu caso com os animais. “Os animais representam minha grande paixão, minha primeira escolha na vida, meu ganha-pão e, através deles, tenho podido contribuir para um bem-estar animal e social na vida das pessoas. Muitos tutores se curaram de depressões sérias adquirindo animais de estimação e eu cuido deles, isso é recompensador e muito transformador. É uma rotina com afeto”. 

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