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Hora de controlar

A contracepção deve ser encarada também pelos homens de forma honesta

Além da camisinha e da vasectomia, a pílula anticoncepcional masculina está em fase de testes

 

A ideia de prevenção da gravidez era comumente pensada como responsabilidade única e exclusivamente da mulher, já que é ela quem carrega a prole por 9 meses. Na verdade, o homem sempre evitou tomar responsabilidade na hora do sexo. A camisinha, por exemplo, possui registros de sua existência em 1300 a.C. com os egípcios. Mesmo assim, existem homens em pleno ano de 2018 que ainda se recusam a usá-la sem motivo aparente. Sempre existirão aqueles que possuem esse pensamento sexista, mas este já não é o senso comum.

“A mulher vem ocupando um papel importante na sociedade moderna, fazendo com que as atividades domésticas e familiares sejam divididas entre o casal. Essa mudança fez e faz com que os homens tenham que se adequar e discutir as prováveis opções de controle de natalidade também”, relata o urologista Mauricio Rubinstein, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica no Rio, que garante que não há método melhor ou pior, variando muito de um caso para outro. “A prevenção de uma gravidez pode estar relacionada a trabalho, questões econômicas e momento de vida. O importante é discutir em família os prós e contras de cada método contraceptivo e escolher o que se adequa melhor a você”.

Além do preservativo e da vasectomia, surge, depois de muita busca e estudo, o DMAU, uma alternativa aos métodos tradicionais.

“A pílula masculina sendo testada atualmente é conhecida como dimethandrolone undecanoate, ou DMAU. É formulada com uma combinação de hormônios para inibir a produção de espermatozoides. Nos trabalhos realizados, os resultados demonstraram sucesso no desenvolvimento de um protótipo de anticoncepcional masculino e sem grandes efeitos colaterais. Estudos de longo prazo, entretanto, são necessários para a confirmação desse novo método”, complementa Maurício.

Enquanto o novo método não chega ao mercado, homens seguem se prevenindo pelos métodos já conhecidos. Há 3 meses, o servidor público federal Pedro Rosa Cabral, de 46 anos, se submeteu a uma cirurgia de vasectomia. Pai de três filhos, ele afirma que se sente satisfeito com a decisão.

“Não queria mais ter filhos. Achei que estava no limite da responsabilidade do que poderia educar e sustentar. Achei a vasectomia o método mais seguro e econômico que eu poderia dispor”, lembra Pedro.

Depois de se aconselhar com um amigo que já havia feito o procedimento, Cabral, enfim, agendou sua cirurgia, que, segundo ele, foi mais tranquila do que havia imaginado.

“A vasectomia é cercada de tabus que até mesmo eu acreditava, como afetar a ereção, libido ou o homem que faz não ejacula mais. Mas tudo isso é mito que só atrapalha um procedimento tão simples que nem se compara com o porte do que é a esterilização de uma mulher. Simples e eficaz, espero”, brinca o servidor.

O médico urologista Henrique da Costa Rodrigues comenta que essa popularização do método se deve à falta de alternativas.

“Já se tentou algum tipo de medicação como contraceptivo masculino, mas esses remédios nunca chegaram a ser comercializados por conta de efeito colateral, principalmente, no que diz respeito à libido”.

Outra razão para o crescimento da vasectomia seria o de evitar que suas parceiras fiquem sujeitas a métodos mais agressivos.

“Depois de 40 anos, alguns ginecologistas não querem expor suas pacientes mulheres ao uso de hormônios, por meio do uso de pílula. Então, por isso, tem aumentado o número de vasectomias no mundo todo”, reforça o profissional.

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