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Inspiração ancestral

Estilista vive experiência imersiva em tribos indígenas, que acabou inspirando coleção

A criadora da Nalimo passou por diversas tribos indígenas buscando inspirações, e acabou vivendo uma grande transformação pessoal

Foto: Lucas Benevides

Para criar a segunda coleção da sua marca slow fashion Nalimo, a niteroiense Dayana Molina (30) foi ao encontro de sua ancestralidade. Ou seria melhor dizer reencontro? “Origens”, título da coleção, traz inspirações e referências dos povos indígenas traduzidas na estética minimalista e urbana que é a identidade da marca. Mas a escolha do tema não foi por acaso. Dayana tem ascendência indígena e cresceu ouvindo histórias de sua avó, Nana, de 79 anos, sobre os costumes, a cultura e a importância do povo originário, sendo assim a grande homenageada da coleção.

Essa busca por respostas, histórias e inspiração levou a designer a uma jornada de imersão e de estudo antropológico em diversas tribos, incluindo a Fulni-ô, onde sua avó cresceu, resultando em uma reconexão e aprendizado com um povo que é marginalizado e deslegitimado historicamente no nosso País.

“Foi muito importante ouvir as histórias dos índios vindo deles mesmos. O Brasil, apesar de ser um País de origem indígena, não reconhece a importância do índio e da cultura deles na nossa sociedade. Esse processo criativo descolonizou a minha mente. Me fez mergulhar profundamente no conhecimento e na conexão com a minha ancestralidade”, conta a diretora criativa.

Molina chegava nas aldeias, desconectava da vida urbana e ia em busca de aprendizados manuais, tais como grafismos, pinturas e técnicas que pudessem contribuir com sua coleção. Foi pega de surpresa quando ouviu que não poderia aprender algo que já estava dentro dela. Os rituais característicos das aldeias, incluindo seu batismo como “Pássaro Negro”, contribuíram para que seu olhar dentro da floresta fosse mais apurado, armazenando todo o conhecimento adquirido lá para que florescesse quando estivesse de volta à cidade.

“As pinturas mais importantes da coleção eu fiz dentro de casa, porque vinham todas as memórias que eu vivia nas imersões”, explica.

Segundo Dayana, conhecer o índio Xumaya Xya, da tribo Fulni-ô, receber uma xanduca (cachimbo utilizado em rituais) feita manualmente por ele e ouvir palavras de amor e carinho foi um dos pontos altos desta experiência imersiva e criativa, assim como ter dado luz e voz aos seus antepassados, ter ficado tão próxima da natureza, sentindo as energias da floresta, e ver sua avó homenageada na primeira fila do desfile-protesto da marca.

Este ano, ela completa 10 anos de carreira e segue aprendendo, criando e propagando uma moda cheia de propósito.

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