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Lente Gastronômica

Igor Maurício Barreto é cozinheiro, restauranteur, consultor, palestrante e viciado em gente! E-mails para esta coluna: igormauriciobarreto@gmail.com

Já é Natal nos nossos corações

Sempre fui fascinado pelo que representa as festas de fim de ano. Acho incrível como o fim de um ciclo nos aproxima de nossa humanidade. Sim, o que me fascina é a capacidade que temos de nos tornar altruístas, empáticos e sensíveis. 

Pela tradição, nos encontramos para celebrar. Alguns, por motivos religiosos celebram o aniversário do Cristo, a ação de graças, outros, o fim do ano, a celebração da família- mesmo que essa sejam os amigos. Mas o mais importante é junção de pessoas em torno de um sentimento de fraternidade. 

Como sempre, o fio condutor desse encontro é a comida. Nos preparamos para os eventos em torno dela. Festas de fim de ano da firma, confraternização dos amigos, churrascos. Desde os mais requintados até os mais improvisados, vamos de encontro as pessoas que gostamos usando a comida como cola.

O mais fantástico é que esse encontro fraterno desperta também nossa caridade. Intensifica-se a procura por grupos que vão às ruas e distribuem comidas para quem não as tem, grupos que se organizam para fazer o Natal de crianças e jovens carentes mais empolgante e alimentar a semente da esperança em seus corações.

Apesar disso não ser uma novidade pra nós que nos encontramos aqui na coluna, esse ano parece ser diferente. Esse ano foi atípico. Coisas abalaram o nosso cotidiano de forma a influenciar no nosso planos de encontro.

“Posso não ter bacalhau e peru, mas mesmo com biscoito de água e sal, eu passo meu fim ano feliz e contente porque meus filhos vêm me visitar.” Disse um senhorinha pra mim na fila do banco.

Mesmo esse ano, o fim do ciclo  traz a reboque, esperança. Não amigos, em janeiro tudo não vai mudar da água suja pro vinho caro, ainda passaremos por um longo período de mudanças e adaptações a vida que nos acostumamos a ter, mas ainda assim, nos sentaremos em torno da mesa para renovar nossas energias e nos colocar de volta nos trilhos de nossas vidas.

Espero que com frango e farinha, ou com champanhe e salmão selvagem, nos encontremos neste fim de ano com nossa capacidade de sermos brasileiros, de nos reinventarmos, de fazermos de nossas adversidades serem molas que levem para frente. Vamos fazer nosso feijão ter mais caldo e nosso pão repartido. Fazer do simples o mais gostoso dos pratos e com amor, esperança e dedicação para um futuro cheio de coisas gostosas pra todos nós!

Feliz Natal, ótimo Réveillon e um feliz ano novo! 

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