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Jovens talentos na cozinha

Niteroienses dão um show de criatividade e empreendedorismo se aventurando em nichos da gastronomia na cidade

Raisa Brasil começou a Doceria Brasil com o objetivo de complementar a renda para manter os estudos, e acabou transformando o hobby de fazer doces em um negócio, produzindo doces para eventos

Foto: Lucas Benevides

Niterói tem se mostrado um campo fértil para a “gourmetização” de vários segmentos gastronômicos, desafiando os novos empreendedores a sempre buscarem a inovação nos meios de produção e na variedade de produtos para acompanhar o refinamento no paladar dos clientes. A Break Burger – hamburgueria que fica em Icaraí – é um exemplo de como o hambúrguer – receita tradicionalmente simples – pode se tornar uma opção refinada e suscetível a combinações cada vez mais complexas. O dono, Adriano Barroso, de 27 anos, explica que a ideia do negócio surgiu a partir de uma visita a uma feira gastronômica, o que o fez passar a enxergar um potencial mercadológico no nicho. 

“Quando começamos, o mercado de hamburguerias estava começando a explodir no Rio e em São Paulo. Tinham muitas novidades surgindo. Viajei pra SP e, em seguida, para os Estados Unidos, com o objetivo de melhor entender o funcionamento e logística disso tudo. Vi que poderia dar certo em Niterói”, lembra Adriano. 

Adriano Barroso, do Break Burguer, fez pesquisas de mercado em São Paulo e até os EUA antes de abrir seu negócio

Foto: Lucas Benevides

té então, o negócio funcionava na própria casa de Adriano. A necessidade de expansão do negócio se deu quando o público começou a demandar serviços delivery. Com isso, ele viu que era o momento de procurar um local para se estabelecer, onde estão até hoje, na Rua João Pessoa, no Jardim Icaraí. 

Outro negócio que se apresenta como inovador é o Broto Pizza, localizado também no Jardim Icaraí, na Rua Nóbrega. A empresa, formada pelos sócios Adriano Cruz, Irlan Guimarães, Vinicius Ferreira e André Lassance, oferece pizzas no estilo “brotinho” que fogem totalmente do convencional, passeando por referências gastronômicas que vão de Nápoles à Nova Iorque. No entanto, nenhum dos sócios havia trabalhado com pizzas antes, pois três deles possuíam um escritório de arquitetura e outro era empresário. 

“O primeiro passo foi procurar alguém que de fato entendesse. Fomos atrás de um dos melhores pizzaiolos do Rio, que nos deu uma consultoria e nos ajudou a desenvolver a massa que utilizamos. Ela passa por um longo período de fermentação natural, o que deixa a pizza mais leve, aerada e gostosa”, conta Irlan. 

Thiago Rosolem, da Sotille, tem parceria com a Embrapa

Foto: Lucas Benevides

Segundo ele, a recepção dos niteroienses foi extraordinária, levando-os, em um curto espaço de tempo, a menções em duas categorias de uma premiação gastronômica: como melhor novidade e melhor pizza. 

Aproveitando a onda de preocupação com a alimentação – com a adoção em massa, observada atualmente, de filosofias como o veganismo e o vegetarianismo –, Thiago Rosolem (34) e Bruno Rosolem (39) montaram a Sotille depois de ficarem responsáveis pela produção de falafel para um restaurante durante o Rock in Rio 2017. 

“Fizemos o falafel durante o evento, e nunca tínhamos olhado para esse mercado. Conhecíamos, mas não sabíamos da carência tão grande aqui no Brasil em relação às pessoas que tinham esse hábito alimentar, mas não encontravam muita coisa. Quando a gente comeu o falafel pela primeira vez, percebemos que, além de gostoso, também é muito nutritivo, porque sua base é grão-de-bico e fava. A partir daí, começamos a pesquisar o mercado e fomentar alguns produtos e projetos com relação a isso. O que víamos aqui é que não existiam produtos assim nos mercados e, quando encontrávamos, era sempre muito caro. Entramos nesse nicho buscando fomentá-lo”, conta Thiago. 

Adriano Cruz, André Lassance, Vinicius Ferreira e Irlan Guimarães, sócios da Broto

Foto: Divulgação/Mario Lewicki

A Sotille foi expandindo e, hoje, está com um projeto extremamente inovador junto da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que tem o objetivo de aproveitar o bagaço do caju para a produção de inúmeras receitas, como hambúrgueres e recheios de salgados. 

“De um ano para cá, procuramos a Embrapa. Foi quando perguntamos sobre a jaca e eles falaram que o problema é que a fruta não é natural do Brasil e, por isso, não tinham projetos de fomento, mas tinham um projeto com o caju e queriam uma empresa que topasse fazer. Tem dois meses que assumimos o contrato do projeto. Somos os únicos que podemos fazer isso, durante seis anos”, conta. 

A advogada Raisa Brasil, de 25 anos, começou a Doceria Brasil com o objetivo de complementar a renda para manter os estudos e acabou transformando o hobby de fazer doces em um negócio, produzindo doces para eventos. 

Guilherme Rebelo trabalha de forma cigana com produção terceirizada de cerveja

Foto: Lucas Benevides

“Na verdade, a minha mãe me deu essa ideia e se ofereceu a vender o que eu produzisse para as pessoas do trabalho dela. Isso foi quando eu ainda estava na faculdade. Depois, fiquei um tempo sem fazer doces. Resolvi retomar as vendas esse ano porque vi novamente o doce como uma fonte de ganho. Sou advogada jovem, ainda no início de construção da minha carreira, e estudo para concurso público, que é um momento muito incerto, instável, e que nos deixa muito inseguros. Vi nos doces uma oportunidade de renda nesse momento que estou vivendo”, explica Raisa. 

No ramo das cervejas artesanais, Guilherme Rebelo (27) é proprietário da Brewlab, que trabalha de forma cigana com produção terceirizada, fornecendo para bares cervejeiros especializados em cervejas artesanais e promovendo consultorias para outras cervejarias sobre o mercado na cidade. Recentemente, abriram um taproom que é uma sala com torneiras de cerveja para receber o público. 

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