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Laço do bem

Conectar-se com os animais faz bem para adultos e principalmente para crianças

A empresária Samantha Rodrigues, junto com o marido, Marlus Rodrigues, inaugurou recentemente o Sítio Festa na Floresta, no Engenho do Mato, que reúne animais rurais e silvestres

Foto: Marcelo Feitosa

Pique-esconde, bolinha de gude, pipa, pique-cola, pular corda. Se antes as brincadeiras de criança estavam ligadas diretamente ao ato de sair de casa, hoje elas perderam seu espaço para os celulares, computadores e tablets. De acordo com a pesquisa “Valor do Livre Brincar”, promovida em dez países pela marca Omo, 64% dos pais brasileiros acreditam que seus filhos não têm as mesmas oportunidades que eles tiveram de brincar ao ar livre. Neste cenário, espaços que retomam a relação dos pequenos com a natureza, com os animais, e que fujam da correria urbana são verdadeiros paraísos e um mundo completamente novo para a infância do século XXI.

Através da proposta de transportar o seu público para uma fazenda, o Sítio Festa na Floresta realiza festas infantis, colônias de férias e outros eventos, todos com uma temática ligada ao meio ambiente. Localizado no bairro de Engenho do Mato, o local possui animais típicos de um ambiente rural, como porcos e galinhas, e outros exóticos, como cervos, emas, araras e chinchilas. Idealizado pela empresária Samantha Rodrigues ao lado de seu marido Marlus Rodrigues, o espaço foi inaugurado este ano.

“Aqui, as crianças e os adultos encontram um ‘escape’ da correria do dia a dia. A primeira reação é sempre de encantamento, porque eles entram em contato com os animais, têm a oportunidade de entrar nos espaços onde estão os bichos e alimentá-los. No início, existe o estranhamento, mas, depois, eles aprendem a respeitar aqueles outros seres”, conta. 

A ideia veio da paixão de Samantha por animais, que decidiu inaugurar um lugar onde as crianças pudessem retomar esse contato com a natureza. Para a psicóloga Wanessa Berba, a relação entre os menores e o meio ambiente pode gerar muitos benefícios.

“O contato com a natureza faz com que a criança perceba o mundo sob três pontos: O sensorial, uma vez que terá contato com diversos tipos de cheiros, cores, formatos e texturas; O físico, porque há um aumento dos movimentos necessários para o equilíbrio e crescimento infantil; O espacial, pois a criança percebe que a natureza é muito maior do que a casa ou apartamento em que habita. Essas crianças são mais criativas, pois o contato com a natureza faz com que elas desenvolvam mais seu potencial criativo, uma vez que deixam de ficar estagnadas em frente aos computadores, videogames ou televisores, e saem para explorar o meio ambiente natural”, ressalta.

A pesquisa “Valor do Livre Brincar” ainda constatou que, para 84% dos pais brasileiros, o uso das tecnologia prejudica a criatividade de seus filhos, e também que 6% das crianças em todo o País não brincam ao ar livre.

A microempresária Rosinete Santos decidiu comemorar o aniversário de seu filho no espaço de Samantha após perceber que ele passava muito tempo em casa. Ela conta que o aprendizado com o meio ambiente foi transformador na vida do menino.

“Percebi que meu filho passou a respeitar mais aos animais e também a natureza. As crianças hoje em dia ficam muito presas na tecnologia e acabam não percebendo o mundo ao redor. Agora, ao invés de querer os jogos online, ele me pede pra voltar ao sítio, à fazenda”, conta, orgulhosa.

O medo notado no primeiro contato com um ambiente “estranho” para a criança é quebrado rapidamente. No entanto, Wanessa conta que é essencial o acompanhamento dos pais nesse processo. Explorar um local novo, sob a supervisão dos pais, sempre traz segurança e autoconfiança para a criança. Respeitar os limites dos filhos é outra sugestão, se, por acaso, eles apresentarem medo, em um primeiro contato. Em alguns momentos, esses sentimentos vêm dos próprios pais e eles acabam assimilando.

“O ideal seria que este contato das crianças com a natureza fosse feito sempre que os pais pudessem, às vezes, até em um final de semana somente. Não é necessário esperar o período de férias para ter essas experiências de subir em árvore, dar comida aos animais, que só trarão benefícios para todos, aumentando a criatividade e o respeito que se deve ter pela natureza”, conclui Wanessa. 

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