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Luzes espetaculares

Advogado se torna ‘caçador’ de aurora boreal pelo mundo

Os grupos guiados por Daniel são sempre pequenos e têm desde crianças a idosos

Foto: Arquivo pessoal

Daniel Japor Garcia era um advogado com um grande sonho: conseguir ver a Aurora Boreal. Em 2005, ele viajou para a Noruega e realizou esse desejo. Ficou tão encantado com o que viu, que resolveu transformar a paixão em negócio. Desde então, ele leva brasileiros para o frio escandinavo, onde todos se tornam caçadores de um dos mais lindos fenômenos naturais do planeta.

A Aurora Boeral acontece nos polos. No Norte, é chamada de Boreal. No sul, de Austral. Trata-se de um fenômeno que ocorre à noite, onde não há a interferência de luzes artificiais. O show de luzes coloridas que ocorre em função do contato dos ventos solares com o campo magnético da Terra, ocasionando um espetáculo sem igual.

Segundo Daniel, a viagem não é tão impossível como parece. “Antes de ir a primeira vez, achava que era loucura, que seria tudo muito caro e distante. Mas como sempre fui apaixonado por geografia e pelos polos do planeta, resolvi encarar. A sensação de ver pela primeira vez a Aurora Boreal é algo indescritível, mágico mesmo. Lembro da minha família no Brasil esperando que eu ligasse pra contar se havia conseguido ou não ver. É um momento em que você entra em contato com o cosmos sem precisar de telescópio ou de outro artefato tecnológico. Acontece tudo a olho nu. Me senti em contato com o espaço sideral”, conta.

Foto: Arquivo pessoal

Daniel Japor Garcia transformou sonho em realidade e trocou a advocacia pelo turismo

Ao retornar para o Brasil, Daniel escreveu sobre a experiência em seu blog e começou a receber inúmeras mensagens de pessoas que se interessaram em fazer a viagem, mas não tinham a menor ideia por onde começar. “Com a experiência que adquiri antes, resolvi ajudar outras pessoas a realizarem esse sonho também. A minha satisfação era tão grande, que acho que contagiava o pessoal”, diz ele.

Os grupos são sempre pequenos e heterogêneos.

“A vantagem de grupos menores é que você acaba se tornando amigo dos passageiros e não apenas sendo só um guia. Nos grupos temos desde senhores até casais jovens, pessoas de meia idade e crianças”, explica, ressaltando que a viagem dura 12 dias, sendo nove noites em solo europeu. “Como a Aurora é um fenômeno natural, prefiro ter uma margem maior para que ninguém volte frustrado sem ter conseguido observá-la. Até porque precisamos dirigir por até 150 quilômetros para nos afastarmos das luzes artificiais e podermos desfrutar de toda a beleza. E é exatamente por essa ‘caçada’ pelo lugar propício que dizemos que somos ‘caçadores’ desta beleza”, revela.

Carlos Frederico Duboc e José Paulo Blak são exemplos de “caçadores”. Eles moram em Niterói e conheceram Daniel na escola onde os filhos estudavam. Trocaram ideia e resolveram partir nos grupos organizados pelo guia. E são só elogios a ele. “Uma vez, íamos voltar da Finlândia para a Noruega, mas a previsão era de chuva e o Daniel nos aconselhou a irmos para a Suécia, que era mais ao norte e onde a previsão era de tempo bom. Por conta disso, vimos a maior e mais forte Aurora dos últimos 40 anos. Devemos isso a ele”, diz José Paulo.

As facilidades também existem em relação à burocracia. Basta ter um passaporte válido e a pessoa está apta a embarcar, não sendo necessário nenhum visto (como ocorre com os EUA). Quanto ao custo da viagem, fica em torno de R$ 15 mil. 

 “Tem muita gente que acaba voltando. As pessoas ficam fascinadas, querem dividir esse momento com familiares ou pessoas que amam”, afirma Daniel. 

Para ele, o momento no qual os viajantes visualizam a Aurora pode ser comparado a um gol do time de coração no Maracanã lotado. “As reações são as mais variadas possíveis, uns falam um palavrão, outros rezam e até choram de emoção, ou então se abraçam. A energia é muito positiva, comparada realmente a um gol num estádio”, relata Daniel.
José Paulo e Carlos Frederico concordam. “É uma sensação única, indescritível”, diz José Paulo. “Não existe maneira de colocar em palavras o que se sente”, completa. 

Apesar de cada um já ter ido duas vezes, ambos fazem planos para retornar em breve. “E se tudo der certo, várias outras”, diz José Paulo.

“Com toda certeza dividiremos momentos fantásticos e emocionantes juntos”, finaliza Daniel, chamando atenção para os atrativos a mais que a viagem proporciona: “Também ficamos dois dias em um chalé, no extremo norte da Lapônia. O lugar só tem 100 habitantes. E ainda vamos para uma ilha chamada Svalbard, que é a cidade mais ao norte do mundo, onde é possível andar de trenó ou visitar cavernas de gelo e fazer um safári de motoneve que dura 10 horas ou mais. São atrativos que tornam ainda mais fantástica a jornada”.

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