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Magia do Natal

Abraçar a tradição natalina é uma forma de estreitar laços e reafirmar a fé no mundo

Aos seis anos, Clarissa é uma apaixonada pelo espírito natalino O edifício onde mora, em Icaraí, é conhecido pela decoração suntuosa

Foto: Douglas Macedo

O Natal é uma das datas festivas mais comemoradas no mundo. Comemorar o nascimento de Jesus e a espera do Papai Noel traz um toque de magia para esse dia tão esperado. Não existe idade para comemorar o Natal e comemorar a data é reviver algumas tradições, que continuam vivas ao longo do tempo, como os presépios, a árvore, a figura do Papai Noel, os presentes, as ceias de Natal e a Missa do Galo. Outros costumes perderam intensidade ou se manifestam de forma menos explícita. 

Todos gostam de se reunir com a família e amigos para juntos rezar, conversar, trocar presentes e comemorar. O espírito natalino é tão forte no Brasil que, um mês antes do Natal, já é possível ver nas ruas, casas, escolas e shoppings os enfeites anunciando que o grande dia está chegando.

Teólogo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Waldecir Gonzaga chama a atenção para a importância histórica do Natal. De acordo com ele, apesar de não haver nenhum registro da data do nascimento de Jesus, é muito importante celebrar a data.

 

O Natal começa bem antes na família Rodrigues de Carvalho, com todos os preparos tradicionais. O sorteio do amigo-oculto já começa a movimentar a confraternização dos familiares um mês antes

Foto: Douglas Macedo

“O nascimento de Jesus Cristo, embora não se possa afirmar com exatidão a data certa, é um fato histórico e inegável, que trouxe profundas implicações para todos os homens. A importância da vida e obra de Jesus é tão marcante que a história humana foi dividida em duas partes bem definidas: antes e depois dele. O dia 25 de dezembro é uma data simbólica. O que se sabe é que o dia era dedicado no calendário romano à celebração do Natal do Sol invicto, festa dos adoradores do Sol. Como o Cristianismo prevaleceu em Roma, a data foi escolhida para celebrar o nascimento de Cristo. É importante lembrarmos que, mais do que uma festa com bastante comida, bebida e presentes, o nascimento de Jesus é a manifestação da misericórdia e do amor de Deus que nunca desistiu dos homens. Nossa postura, então, deveria ser como a dos reis magos, que vieram de longe para adorá-lo e ainda trouxeram seus presentes. Não podemos, no meio de tantas luzes, ficar no escuro sem aquele que é a luz do mundo; em meio a tanta comida, ficar com fome daquele que é o pão da vida; e no meio de tanta bebida, ficar com sede daquele que é a água da vida”, explica.

Em cada lugar do mundo se comemora o Natal de uma maneira. Às vezes, nem é preciso ir tão longe. Cada família tem o seu jeito de celebrar. As tradições são de grande importância para uma família, especialmente se houver crianças. Isso porque as tradições nos ligam aos nossos antepassados e estreitam os laços de relacionamento, principalmente para as crianças que pegam o sentimento de fazer parte de algo muito maior. 

 

Sahoail Saud, o Papai Noel oficial de Niterói, começa a visitar instituições de caridade, orfanatos e hospitais já em novembro.

Foto: Marcelo Feitosa

A decoração, amigo-oculto, músicas natalinas, almoço ou ceia são alguns itens que não podem faltar em uma reunião dessas. E não precisa ser nada sofisticado, o que vale é a união e a lembrança que a decoração trará. O amigo-oculto é uma maneira econômica de presentear, pois envolve todos os familiares. Muito divertido, existem várias brincadeiras que podem ser realizadas no período que antecede a troca de presentes. Dicas, propostas do que ganhar, do que não ganhar, a criatividade vai fazer com que a diversão esteja próxima de todos. A ceia de Natal é um dos pontos mais importantes da data. Reunir a família para que todos coloquem a mão na massa é algo que trabalha bastante a sintonia. Haverá trabalho para todos, inclusive para as crianças, que podem organizar os utensílios, distribuir guardanapos ou outras tarefas. E se a família for grande, as tarefas podem ser divididas para que todos participem de alguma forma, trazendo uma sobremesa, por exemplo. É importante que todos se sintam parte da ocasião. 

Patrícia Pinto (50), mãe da Clarissa (6), conta que o Natal para a família, acima de tudo, é para celebrar o nascimento de Jesus. Um momento de reflexão, harmonia e paz.

 

Marianna Martins não esquece de integrar o cão Togo à festa de Natal, com direito a roupinha temática e tratamento especial

Foto: Arquivo pessoal

“É um momento muito importante e bacana, mas a gente foca muito na figura mais importante do Natal, que é Jesus. Antes de tudo, logo de manhã, nós vamos para a igreja congregar e celebrar o nascimento dele, aí, sim, depois, vamos para a reunião com os nossos parentes. É um momento bem família mesmo, nos reunimos com os irmãos, cunhados e pais. A gente brinca bastante, os adultos brincam de amigo-oculto e as crianças só ficam olhando porque elas já ganham presentes de todo mundo (risos)”, conta Patrícia.

O Natal começa bem antes na família Rodrigues de Carvalho, com todos os preparos tradicionais. O sorteio do amigo-oculto já começa a movimentar a confraternização dos familiares um mês antes. A decoração também: árvore, pisca-pisca, bolas, sinos... A matriarca da família, Maria Terezinha Rodrigues de Carvalho, sempre avisa para todos um mês antes da data especial. 

“Todo ano, passamos o Natal juntos. Antes, as comemorações eram em casas diversas, agora, é na casa da minha mãe, que já está um pouco mais velha. O Natal é a data em que conseguimos reunir a família toda. Filhos e netos se juntam para colocar o papo em dia, cear, brincar de amigo-oculto. É uma data muito simbólica para todos nós. Já em novembro começamos a falar sobre o Natal, o que vamos fazer, o que cada um levará para a ceia e, claro, o amigo-oculto. É muito legal porque reaproxima as pessoas”, conta.

Há 40 anos, Sahoail Saud, de 77 anos, foi fazer uma surpresa para a família na noite de Natal se vestindo de Papai Noel, em Icaraí. No meio do caminho, até a casa do irmão, onde aconteceu a reunião da família, as pessoas começaram a abraçá-lo e beijá-lo, carros e janelas dos prédios piscaram as luzes... Ele chamou a atenção de todos. Desde então, Sahoail acredita naquilo que faz, enquanto alguns se vestem de Papai Noel, ele encarna o próprio. Para ele, a figura do bom velhinho não é apenas aquela figura clássica de um senhor barbudo entregando os presentes para as crianças, mas, sim, uma figura que vem trazer um pouco de esperança e harmonia.

Presépio montado do Edifício Loire e Rhone, na Rua Presidente Backer, em Icaraí, que todo ano capricha na decoração natalina

Foto: Douglas Macedo

“Sempre falo que tenho outro nome: Esperança. Aqui em Niterói, tinha o Hospital Maternidade Santa Rosa. Certo dia, fui passando pelos quartos para desejar esperança, saúde, alegria e outras coisas aos pacientes. Quando quase estava indo embora, uma enfermeira vem andando rápido e me diz: ‘Papai Noel, temos uma paciente naquele quarto que pediu para o senhor voltar lá e falar com ela’. E fui. Quando cheguei, ela pediu para que eu abençoasse a barriga dela para que o filho nascesse bem e com saúde. Fizemos uma oração e, no final, ela disse que agora ela tinha certeza de que a criança iria nascer bem e com saúde. Aquela mulher estava cheia de fé e de esperança e eu, de certa forma, a ajudei a sentir-se assim”, admite.

Agora, Saud é considerado o Papai Noel oficial de Niterói e se faz presente em todos os eventos oficiais natalinos da cidade. Além disso, ele faz o Papai Noel na Associação Pestalozzi de Niterói, Associação de Pais e Amigos do Deficiente Auditivo (Apada), Associação Fluminense de Reabilitação e nos hospitais Azevedo Lima e Getúlio Vargas Filho.

Não são apenas as pessoas que entram no clima natalino. Marianna Martins (22), estudante de Publicidade e Propaganda da UFF, e seus pais, Luciana Martins (43) e Claudio Volga (46), sempre vestem o seu cão Togo com uma roupinha em clima natalino, já que ele também faz parte da família.   

Decoração exuberante de uma casa em São Francisco, que já ganhou prêmios da Neltur

Foto: Douglas Macedo

    “Para a gente, o Togo faz parte da família, ele é muito apegado a mim, minha mãe e o meu pai. Todo mundo fala o quanto ele é bonzinho. Colocamos roupas, lenços e gravatas e ele fica tranquilo. Então, se todo mundo usa gorrinho de Natal, nada mais justo do que incluir ele na brincadeira e transformá-lo no próprio ajudante do Papai Noel. Além do mais, é uma desculpa para deixá-lo ainda mais fofo”, admite Marianna.

Em São Francisco, na Zona Sul de Niterói, mora Mercedes Carrascal (85). Todo ano, a argentina radicada no Brasil faz uma decoração na casa inteira, junto com sua empregada, Marinalva Minervino (45). A cada ano, para agradar quem passa pela frente da casa e os netos de Mercedes, elas montam uma megaprodução desde a fachada da casa até os fundos. Aliás, a superprodução já foi premiada pela Neltur (Niterói-Empresa de Lazer e Turismo S/A) em 2015 como a terceira casa destaque de Niterói em decorações natalinas. Em 2016, ganhou esse mesmo prêmio. Animada, dona Mercedes fez uma temática toda especial esse ano: Natal dos minions.

“Eu e a Marinalva amamos esse clima natalino, as decorações aqui em casa começam a ser montadas em setembro. Já fizemos sobre os smurfs, bonecos da neve, jingle bells... Este ano, tive a ideia de fazer sobre o minions e não sabia que eles faziam tanto sucesso com as crianças. Esse ano, vou receber 35 pessoas, sendo que são 17 netos. A Marinalva faz tudo com as próprias mãos, todos os bonequinhos, as roupas dos bonecos e do Papai Noel, as armações em forma de arco e alguns bonecos de neve que são feitos de garrafas de plásticas que foram recicladas”, explica Mercedes. 

 
 
 
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