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Na natureza

O ecoturismo se revela um nicho cada vez mais conhecido e praticado por quem quer fugir do meio urbano

Ana Heckert viveu a experiência de subir a Pedra da Gávea, considerada uma das trilhas mais difíceis do Rio de Janeiro

Foto: Divulgação / Luiz Aurélio Leite

Destinos sustentáveis estão sendo cada vez mais procurados pelas pessoas e o interesse por viagens ou passeios em que o indivíduo possa estar em contato com o meio ambiente aumentou. Muitos não sabem, mas essa prática recebeu o nome de “ecoturismo” pela Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo). Afinal, se moramos em um País tão privilegiado naturalmente, por que não desfrutar do que o meio ambiente tem a oferecer? 

Para o guia do Clube Niteroiense de Montanhismo (CNM) Alex Figueiredo, os atrativos naturais são mais do que um hobby para ele. O guia conta que montanhismo e esportes vinculados à natureza, para ele, sempre foram um modo de vida com o qual ocasionalmente trabalha. Por isso, há um tempo atrás, resolveu se especializar e direcionar sua carreira profissional para o ecoturismo.

“Trabalho principalmente com tours que levam as pessoas para contemplarem, sentirem e descobrirem que a natureza não é algo inalcançável, muito pelo contrário, é algo muito acessível se feito de modo coerente e, é claro, com um guia responsável que tenha cadastro na Embratur”, argumenta Alex.

O Brasil apresenta uma variedade de parques nacionais, estaduais e municipais. Niterói, por exemplo, é uma cidade muito conhecida, tanto pelos turistas quanto pelos moradores, pelo seu Parque Estadual da Serra da Tiririca e também pela Pedra do Elefante. Segundo Alex, o projeto ParNit tem aumentado consideravelmente a quantidade de pessoas em suas trilhas, sejam visitantes, sejam guias de turismo. Já o Estado do Rio de Janeiro oferece para o turista a clássica Travessia Petrópolis-Teresópolis, no Parque Nacional Serra dos Órgãos. A cidade do Rio, por sua vez, também é conhecida pelo ecoturismo, pela presença do Parque Nacional da Tijuca, com várias opções de trilhas como a da Pedra Bonita e cachoeiras como a do “Chuveiro”. 

Bruna Kalil, em um dos passeios pelas belezas naturais de Bonito, no Mato Grosso do Sul

Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal

A digital influencer Ana Heckert, de 20 anos, também é surfista e conta sua experiência na Pedra da Gávea, considerada uma das trilhas mais difíceis do Rio de Janeiro.

“No Rio só fiz essa, mas em Niterói já fiz várias trilhas, como a das Andorinhas, do Costão e do Bananal. Para fazer a da Gávea foi tranquilo, por eu já fazer esportes ao ar livre, mas é uma trilha extensa, depende muito do condicionamento físico de cada pessoa. Acho que foi uma das vistas mais lindas que já vi. Tenho muita vontade de fazer outras trilhas, como a do Dois Irmãos, no Vidigal, e a trilha da Pedra Bonita”, cita Ana, que revela que subiu a Pedra da Gávea sem guia, acompanhada de dois amigos que, segundo ela, já estão acostumados a fazer trilhas também. “Um guia é importante, sim, pra quem não conhece. Vi muita gente se ajudando e um guia seria importante para auxiliar o melhor caminho, além de explicar todo o contexto histórico da pedra, além de dar mais segurança aos turistas”, pondera.  

O problema é que, quando praticado por conta própria, o ecoturismo pode causar danos à natureza. A falta de consciência ambiental e a ausência do profissional qualificado compromete a integridade do meio ambiente e pode trazer malefícios como poluição e desmatamento. 

“Os espaços da natureza estão ‘na moda’, mas esse modismo não é ecoturismo. As pessoas estão indo de forma amadora e despreparadas. Pessoas estão fazendo condução de forma ilegal, são guias piratas e estão fazendo cobrança. Considero isso perigoso para o usuário. Já ouvi relatos de pequenos acidentes, que ainda não foram graves, mas é só uma questão de tempo”, alerta o guia.

Para o guia Alex Figueiredo, as belezas naturais e seus segredos são mais que um hobby

Foto: Lucas Benevides

A Chapada dos Veadeiros, a Diamantina, e Guimarães também são considerados pontos obrigatórios pelo ecoturismo no território nacional, além da Ilha Grande, que é um destino muito frequentado por jovens. Bonito, no Mato Grosso do Sul, é um lugar que tem sido muito procurado pelos turistas que querem estar integrados à natureza e foi a cidade vencedora na categoria “Melhor Destino de Ecoturismo do Brasil”, do Prêmio VT 2012/2013. Bonito também recebeu o prêmio de Melhor Destino de Turismo Responsável do mundo, em Londres, na World Travel Market (WTM), considerada uma das maiores feiras da indústria de turismo da Europa.

A publicitária Bruna Kalil, de 21 anos, esteve em Bonito com a família em março e conta que se surpreendeu.

“A princípio fiquei na dúvida, porque a gente costuma viajar para lugar de praia ou para fora do Brasil e Bonito não tem praia. Mas topei porque vi algumas fotos e achei diferente dos lugares que estava acostumada a ir. Quando cheguei, fiquei apaixonada, é uma natureza que eu nunca tinha visto”, revela Bruna, que ainda conta que, lá, cada passeio tem incluído seu próprio guia. “Bonito tem muita cachoeira, rio, trilha, você pode se perder se for sozinho. O guia sempre contava um pouco da história do lugar”, explica Bruna. 

No cenário de acentuada valorização de bens materiais, é importante que alguns tenham o contato com o meio ambiente como refúgio e optem pelo ecoturismo. “Tá ali, não precisou construir, mas é importante você manter e cuidar”, adverte Bruna. (Com Marina Alcântara)

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