Você faz a notícia

O que a internet diz sobre você?

Fernando Azevedo, é o CEO da Y-bus, empresa que realiza consultoria na construção e melhoria de imagem de empresas e celebridades.

Fernando Azevedo realiza consultoria na construção e melhoria de imagem de empresas e celebridades

Foto: Divulgação

O niteroiense Fernando Azevedo, de 35 anos, é o CEO da Y-bus, empresa que realiza consultoria na construção e melhoria de imagem de outras empresas e também de celebridades. O serviço é apresentado através do hotsite reputationbrazil.com, com a pergunta: O que a internet está dizendo sobre você? Radicado em Miami (EUA), o empreendedor, que é formado em Engenharia Elétrica, Eletrônica e de Produção pela PUC-Rio, fez certificação de Web Developer na Universidade da Califórnia Santa Cruz Silicon Valley Extension e certificação de inovação e empreendedorismo em Stanford. Ex-morador do Vale do Silício, abriu a Y-bus em 2015.

Com o surgimento da globalização, uma mudança estrutural do sujeito definiu novos padrões comportamentais. Como a sociedade se relaciona atualmente através da web? O que mudou de fato?

As redes sociais tornaram o mundo “menor”, mais prático e “sem fronteiras”. Como resultado direto dessa nova realidade virtual, a saudade provocada pela distância ganhou um “remédio”. Entretanto, o anonimato e a facilidade de compartilhamento também revela o que pode haver de pior em muitas pessoas. Não à toa, o cyberbullying tem se popularizado e feito tanto dano quanto o que é praticado no mundo “real”.
 
De que forma uma pessoa/empresa pode se beneficiar com o gerenciamento de reputação on-line?

O benefício surge através de várias demandas que fazem parte do dia a dia, como na tentativa de um visto especial para viajar, na abertura de um novo negócio, na busca de novos clientes, na proteção do status social e familiar, networking pessoal e também na proteção contra cyberbullying. 

As redes sociais se tornaram parte do cotidiano. É possível dizer que vivenciamos uma era “Matrix” de reputação através de pontuações que recebemos em postagens?  Como funciona?

Uma das regras básicas de negociação é que fazemos negócios com quem nós confiamos. Geralmente, se a pessoa demonstra um pensamento igual ao nosso, ou similaridades, já é um bom indicativo de confiança para engajarmos em uma transação comercial. Por isso, as redes sociais são usadas para vendas ou para networking pessoal. A era “Matrix” está começando. Nossos celulares estão sempre nas nossas mãos e este é um exemplo da nossa dependência para estarmos conectados. Acredito que vai ficar completo quando a inteligência artificial entrar na internet.
 
Muitos internautas já costumam pesquisar o próprio nome na internet. Como funciona o monitoramento desta reputação?

O nome disso é EgoSurfing. Ao pesquisar seu nome, você pode ver o que aparece e, a partir daí, reforçar seus méritos e valores nos links de redes sociais e sites que você controla.
É preciso ter cuidado com o que se publica na internet para construir uma reputação? Quais os cuidados básicos?

A regra básica é: não faça com ninguém aquilo que você não gostaria que fizessem com você. Primeiramente por um valor ético. Hoje, o carma ganhou uma ajudinha, que são as câmeras que temos em todos os lugares. Quanto ao cyberbullying: afaste-se de drogas e más amizades para manter sua imagem preservada.
 
Como grandes empresas/personalidades buscam gerenciar conflitos e reputação? Quais as estratégias?

Para pessoas, políticos e celebridades: o que fazemos é criar sites e blogs com notícias positivas. A partir daí, criamos sinais sociais, links para estes sites e blogs e mais sinais para o Google entender que nossos sites são mais relevantes. Com o tempo, de 6 a 18 meses, ocupamos as primeiras páginas do Google empurrando as notícias negativas para baixo. Para empresas, além das técnicas acima, criamos resenhas positivas, blogs de persuasão que são blogs criados para elevar uma marca sem parecer ter relação direta com a mesma, e entramos em contato com os autores de resenhas negativas pedindo uma segunda chance para a marca.

 
Quais as consequências de não fazer parte da rede mundial?

Caso você esteja envolvido em um escândalo ou caso de cyberbullying, as consequências são péssimas para sua reputação. Porque o Google não tem no que se basear, se não nas notícias negativas. Por isso, temos cada vez mais clientes nos contratando para fazer a blindagem digital deles. Tendo sob seu controle os sites que estão na primeira página do Google com seu nome, fica mais difícil de uma notícia negativa atingi-lo.
 
Como o network digital pode render frutos profissionais?

62% das empresas norte-americanas recrutam e selecionam candidatos on-line. 38% dos candidatos a emprego não são contratados por problemas de reputação on-line. 80% dos colégios e faculdades pesquisam alunos on-line. Logo, ter uma boa imagem nas redes sociais e sites de busca pode ajudá-lo. Ter seus méritos e realizações também pode ser muito útil, ainda mais se for seguido de provas sociais e instituições com grande reputação.

Em uma seleção o que as empresas buscam saber na rede sobre os candidatos?

Histórico criminal, histórico de processos, bom comportamento em redes sociais, vida livre de vícios, confirmação dos méritos.
 
Existe algum perfil padrão que os candidatos possam se espelhar?

Nossa referência é Tom Hanks. Décadas de sucesso como ator e nunca foi envolvido em nenhum escândalo, é um sinal de um belíssimo trabalho de assessoria de reputação. Ou a família Obama, com 8 anos de governo sem nenhum escândalo. 
 
Que tipos de profissionais estão envolvidos no serviço de gerenciamento de reputação on-line?

Profissionais de SEO, desenvolvedores web e escritores profissionais. 

O sociólogo Zygmunt Bauman realizou diversos apontamentos sobre esses “tempos líquidos” que vivemos. Nossa reputação é líquida?   

Sim e não. Celebridades e políticos podem ter suas carreiras destruídas por um caso de má reputação. Do outro lado, temos clientes adolescentes que chegam a pensar em tirar a vida porque sofreram um caso de cyberbullying e vemos notícias de adolescentes que realmente tiraram a vida em casos de cyberbullying. Neste caso, há como consertar a reputação on-line do adolescente para que possa viver uma vida normal.

Existe algum momento que seja possível “desligar o botão”?

Eu, como engenheiro eletrônico, web developer, ex-morador do Vale do Silício, digo não para a resposta acima. Acho que manter uma presença on-line sólida baseada em princípios éticos é a melhor forma de se defender. Mesmo que queira manter sua privacidade, você pode optar por divulgar seu trabalho, sua crença ou associar seu nome a uma causa nobre. 

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

Veja também

Scroll To Top