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O que não se apaga

Há quem não abra mão de hábitos e tradições no seu cotidiano, e faça questão de passá-los para seus filhos e netos

Regina Tauil segue à risca alguns hábitos de etiqueta que marcaram uma época. Ela só usa guardanapo de pano nas refeições, escreve cartas e cartões para os amigos, e é sempre muito pontual

Foto: Lucas Benevides

Antigamente, era muito comum que as pessoas mantivessem hábitos rigorosos de etiqueta e costumes corriqueiros. Pequenas práticas, como tomar chá da tarde todos os dias, se vestir de forma elegante para todas as ocasiões, jantar com toda a família reunida na mesa e escrever cartas já não são mais tão utilizadas como antes.

Hoje, entretanto, algumas dessas pessoas que viveram esse “outro mundo” ainda conseguem manter esses velhos costumes deixados no tempo. Além disso, existem aqueles que defendem a ideia de manter sempre viva essas memórias e costumes para repassar para seus filhos e netos. 

A aposentada Regina Tauil conta que ainda possui muitos hábitos de etiqueta que já caíram em desuso.

“Nos jantares que faço, gosto de colocar guardanapo de pano e aquele suporte de pano por cima, porque a maioria agora bota de papel. Gosto de mandar cartãozinho, com uma coisinha escrita bonitinha, a maioria agora manda tudo por WhatsApp. Adoro, quando chego num lugar, cumprimentar todo o mundo, mesmo sem conhecer ninguém. Gosto de ter um horário em casa para a família almoçar e jantar junto, isso nem se usa mais, mas eu gosto de manter. Quando vou visitar uma amiga que se mudou, por exemplo, levo sempre um vasinho de flores ou plantinhas. Sou muito pontual, as pessoas hoje nem ligam. Às vezes, você marca uma festa num horário e não chegam naquele horário. Também acredito que desodorantes e perfumes nunca devem ser usados com cheiro forte demais, a pessoa não é obrigada a sentir aquele cheiro. Os perfumes não podem ser anunciados, se chegarem pertinho de você, vão sentir o seu perfume, é falta de etiqueta você se perfumar demais”, pontua Regina.

Joel não abre mão de alguns hábitos, como a leitura matinal de seu jornal impresso e dormir escutando rádio

Foto: Lucas Benevides

Para a psicóloga Márcia Carvalho, a mudança desses hábitos foi uma coisa boa para as pessoas idosas, já que muitos desses costumes eram feitos por uma pressão de toda a sociedade.

“A mudança significa uma qualidade de vida, significa que a pessoa não deve parar no tempo e deve revigorar. A perda desses hábitos se deu por uma mudança na forma de viver a vida e de passar o dia a dia das pessoas que convivem em sociedade. A nova geração mudou, na verdade, para manter-se saudável”, argumenta a psicóloga.

Algumas dessas regras de etiqueta e costumes que eram mantidos pela sociedade acabavam servindo como uma espécie de amarra para controlar a vida das pessoas e era de extrema importância que todos realizassem a fio cada “regra” imposta para ser visto como bem-educado perante os outros.

Para algumas pessoas, no entanto, manter esses costumes é como manter viva a memória dos tempos de juventude em que viveram e reviver esse passado. São pessoas que guardam com um carinho as lembranças dessas épocas. O aposentado Joel da Silva, por exemplo, diz que ainda mantém alguns hábitos, mas lembra de forma saudosista daqueles que não tem mais.

“Leio um jornal de vez em quando, todo dia de manhã cuido dos meus bichos, vou na padaria comprar meu pão para tomar café da manhã, eu ainda ouço rádio o dia todo. Antigamente, todo dia eu ia dormir e ligava o rádio embaixo da coberta e ficava ouvindo até às tantas, dormia sempre com ele ligado. Eu também gostava, quando eu trabalhava, de acordar cedo. Umas 4 ou 5 horas eu estava de pé, e aí fazia um café, ia na rua comprar pão e levava café na cama para minhas filhas pequenas e minha esposa. Era todo dia, uma rotina, saía para trabalhar e deixava todo o mundo alimentado”, conta Joel. 

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