NITERÓI/RJ
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O sorriso e o restaurante

Dizem por aí que a primeira impressão é a que fica. Você sabe que eu tenho a nítida sensação de que isso vale somente para quem não quer ver. Vi e vivenciei muitas vezes às segundas, quintas ou décimas quartas impressões serem as melhores.

Recebi um relato recente de um casal sobre um restaurante. “Lindo” disse ele. Foram pela primeira vez. Pediram a comida, segunda ela “muito gostosa”. Mas no fim, “não volto nunca mais”. Me intriguei pra saber o porquê. 

Foram recebidos, de maneira educada, por um casal de recepcionistas bem-apresentados e solícitos que os levaram até uma mesa. 

Procedimento correto!

Foram abordados pelo garçom, usando as palavras certas, mas tiveram a sensação que, mesmo ele reproduzindo os procedimentos corretos, estava disperso.

Cumpriu o procedimento. 

O maître foi à mesa, perguntou se haviam chegado as bebidas. Sim. Mas nesse ínterim, um outro passou e mexeu com ele, ele parou de prestar atenção na mesa para brincar de volta. 

Ao chegarem os pratos, “lindos!”– segundo o casal, o cumim “largou os pratos, quase jogando em cima da mesa.” Ah, ele desejou bom apetite!

A comida, divina, preencheu a experiência, e superou a falta de tato e atenção até ali. Mas não querem voltar mais, “a sensação que eu tive era que eram dois mundos, os dos que ali trabalhavam e os que ali estavam para comer”.

Mas uma coisa que ela disse me chamou a atenção. A avaliação negativa do atendimento havia sido balizada pelo fato de “eu tive que chamar o garçom, ele não veio até mim...”.

Pois bem. Os encontrei um tempo depois, e lembrando-se de ter me relatado sobre a experiência, eles me contaram que voltaram sim ao tal lugar. De pronto, perguntei, “e aí?”

“MARAVILHOSO!”

Fiquei feliz por eles, e perguntei o que havia de novo. “Fomos recebidos na porta da mesma forma, fomos atendidos da mesma forma, a comida estava fora de série…” e o que mudou. 

“Olharam para nós com um sorriso no rosto. Tive certeza que éramos importantes para eles.” Perguntei, “Precisou chamar o garçom?” E ela disse, “Precisei!”

Nos despedimos com o convite de irmos juntos lá. 

O que mudou? A doação sincera do presente mais bonito entre as relações, o sorriso. Já estive em situações em que erramos, em tudo, e o sorriso nos salvou. 

Uma das leis mais contundentes do ser humano é a lei da reciprocidade. Quando se dá algo a alguém, com a sinceridade do coração, desperta no íntimo a vontade de te devolver. 

O sorriso sincero é o maior presente que se pode dar. É a hospitalidade em ação. 

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