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Páscoa de oportunidade

Perdendo apenas para o Natal, a Páscoa é uma data perfeita para empreender e até desenvolver um novo negócio

Monique Abrantes decidiu elaborar cardápios especiais para a data, a fim de que os clientes não perdessem tempo na cozinha

Foto: Divulgação

Chegou o dia mais doce do ano, a Páscoa, e, com ela, algumas oportunidades econômicas. Em média, no ano de 2018, grandes empresas de chocolate fizeram o lançamento de 130 ovos de Páscoa. Porém, pesquisas apontam que os produtos ficaram 3% mais caros em diversos estados do País. Além disso, o  número de empregos temporários gerados para a produção da Páscoa caiu em relação aos anos anteriores. Indo na contramão das grandes empresas, está cada vez mais fácil encontrar pequenos e médios empreendedores investindo em diversos serviços para a data. É uma das  principais chances, também, para o microempreendedor individual conquistar uma renda extra com o seu negócio, desde que ele tenha planejamento, criatividade e um diferencial no mercado. 

Apesar do comércio oferecer uma grande variedade de ovos de Páscoa e artigos temáticos, muitas pessoas optam por produtos artesanais, feitos em casa, sem grande industrialização. Os motivos são os mais diversos possíveis, que vão desde valores relativamente menores à vontade de consumir algo único e personalizado. Produzir chocolates artesanais acaba se tornando uma oportunidade de aumentar a renda ou driblar a crise. Por sua vez, quem deseja driblar os altos preços dos ovos nas vitrines pode recorrer aos pedidos por encomenda, exclusivos e personalizados.

“É importante enfatizar que, antes de começar qualquer empreendimento, é primordial fazer um planejamento e conhecer tecnicamente a área que irá empreender para ter confiança e conseguir melhorar o seu retorno financeiro. Em demandas sazonais, como as datas comemorativas: Páscoa, carnaval, Natal, é muito importante avaliar o produto que está ofertando e saber o público-alvo ou o nicho de mercado onde se quer atuar, para você ter um foco e objetivo e se preparar para essa demanda”, frisa o executive coach Ednilson Almeida, salientando que, mesmo que um negócio funcione em casa, é preciso regularizar o empreendimento, pois o segmento de alimentação exige CNPJ, alvará de funcionamento, licenciamento sanitário, além de boas práticas na manipulação e higiene dos alimentos.

Priscila Andrade, do Ateliê da Sôsô, viu na Páscoa o pontapé inicial para trabalhar com chocolate

Foto: Marcelo Feitosa

Em muitos lares brasileiros, a Páscoa é tradicionalmente celebrada. O ovo, por exemplo, é um símbolo importante que não pode faltar nessa data, sendo um produto consumido por todas as idades. No entanto, o consumidor está ainda mais exigente e, além do preço e da qualidade, também procura por inovação. É aí que os ovos diferenciados, com sabores e recheios diferentes, saem na frente. 

“Vale muito a pena empreender na Páscoa, pois a própria data favorece o consumo. Nesta época, o consumidor também está aberto às novidades, portanto, esse pode ser um bom momento desde que o diferencial do produto esteja claro para o comprador, pois devemos considerar que a concorrência de marcas de ovos de Páscoa é grande”, diz Simone Ayoub, especialista em gestão de carreira e marketing.

O faturamento dos micros e pequenos empreendedores, muitas das vezes, dobra. Eles se preparam com meses de antecedência para atender à demanda por ovos e outros doces.

“Em primeiro lugar, deve-se fazer um planejamento, definir questões como: quem é o público consumidor (exemplo: pessoas que querem chocolate diet, público infantil, todas as idades, pessoas alérgicas a lactose), qual ou quais regiões pretende atender, qual a capacidade de produção, conhecer e analisar seus concorrentes, saber quais são os diferenciais do produto (o que o ele tem que o torna diferente da concorrência) e, por último, fazer um bom plano de distribuição e marketing. Vale também pensar em como se vai fazer para que as pessoas conheçam o produto, como degustação, parcerias e divulgação nas mídias sociais, por exemplo”, aconselha a especialista. 

Grande parte dos empreendedores utiliza as redes sociais como o principal meio de comunicação com seus clientes, tendo uma troca direta e eficaz.

“Os meios de comunicação mais eficazes e plausíveis são aqueles que o público-alvo (seu possível cliente) está, mas, de modo geral, podemos dizer que grande parte das pessoas acessa as redes sociais com mais frequência. Sendo assim, vale pensar em postar imagens do produto e imagens do processo de produção, por exemplo. A dica é: capriche nas imagens, pois elas precisam chamar a atenção, lembre-se daquela máxima ‘comer com os olhos’. É sempre bom divulgar junto com as imagens o meio de contato para encomendas, para esclarecer dúvidas e o cliente poder encomendar diretamente”, sugere Simone. 

A chef Renata Morett investe na criação de kits de chocolate e está sempre antenada para oferecer novidades aos seus clientes

Foto: Evelen Gouvêa

Em 2017, o ovo de colher foi a grande aposta. Neste ano, o sucesso continuou. A secretária e microempreendedora Priscila Andrade viu na Páscoa o pontapé inicial do sonho de trabalhar com chocolate. 

“Sempre gostei muito de fazer pirulitos de chocolate para festas de aniversários em família, dos meus filhos e afilhados. Sabe aquela história de precisar de grana? Foi exatamente por isso que surgiu meu interesse em vender chocolate. Além de tudo, é um produto que se vende o ano inteiro. Há uns dois anos, surgiu a ideia de produzir ovos de colher e deu supercerto. Este ano, comecei a investir em novidades também, como ovo no pote, musse no ovo de chocolate e bolo no ovo decorado com frutas. Está sendo uma experiência maravilhosa e não pretendo parar”, revela. 

Já a chef Renata Morett investe na criação de kits de chocolate e está sempre antenada para oferecer novidades aos seus clientes.
 
“É muito bom e dinâmico empreender na Páscoa. Gosto bastante do movimento e da ‘loucura’ para atender todos os pedidos. Sinto que é muito importante planejar cada ação porque, da mesma forma que existem os clientes que se programam e escolhem tudo nos mínimos detalhes, tenho que estar preparada para aqueles consumidores que deixam para a última hora, mantendo sempre alguns produtos para entrega imediata”, explica.

Pensando no almoço que antecede a troca dos ovos, a chef de cozinha Carol Wanis preparou um cardápio especial para a ceia da Páscoa

Foto: Douglas Macedo

Para a chef chocolatier Elizabeth Garber, é possível, mesmo com a grande variedade de opções de chocolate, colocar em cada produto sua personalidade.

“Tenho o meu estilo de produtos. Não gosto nada que seja decorado com corantes, glitter, enfeites em pasta americana. Gosto de chocolate com cor de chocolate, aparência elegante estilo europeu. No Brasil, ser empreendedor ainda é difícil, mas, esse ano, criamos itens como os ovos que o cliente monta do jeito que ele sonha: escolhe a casca do ovo, o recheio, a cobertura, e tem o ovo dos seus sonhos. Isso como uma forma de conquistar cada vez mais clientes”, garante.

Engana-se quem pensa que somente os microempresários de chocolate conseguem lucrar. Os empreendedores não precisam se limitar à confecção de ovos caseiros e podem, também, investir na preparação de pratos típicos e em produtos artesanais. Os alimentos específicos da época, como o bacalhau, também podem render muitas encomendas. 

Geralmente, antes de se presentearem com os ovos de Páscoa, as pessoas se reúnem à mesa para um grande almoço. Pensando nisso, a chef de cozinha Carol Wanis preparou um cardápio especial para a ceia da Páscoa. 

“O número de pessoas que procuram por pratos específicos para a ceia vem crescendo. Com isso, ofereço um cardápio fixo e um variável, conforme datas comemorativas, onde os clientes passam a ter acesso com 30 dias de antecedência. Procuro usar o bacalhau, que é mais consumido nesta época, porém, de forma mais simples e econômica”, ressalta.    

Para Melissa Wanis, a Páscoa é a segunda melhor oportunidade de vendas no ano, só perdendo para o Natal

Foto: Douglas Macedo

Percebendo o crescimento da procura pelos almoços de Páscoa, a empresária Monique Abrantes decidiu elaborar cardápios especiais para a data, a fim de que os clientes pudessem dedicar um maior tempo para seus convidados e familiares, ao invés de ficarem preparando os pratos por horas.    

“Hoje em dia, as pessoas não têm muito tempo livre, então, qualquer momento que possa ser poupado e passado com a família é precioso. Costumamos começar a receber solicitações de orçamento em média dois meses antes da Páscoa, e aí já começamos a nos preparar para a produção. As pessoas estão se programando cada vez mais cedo, pois, assim, conseguem se planejar financeiramente também”, conta Monique, que oferece um bufê completo para a ocasião, incluindo sobremesas como o petit gateau, servido especialmente nos almoços contratados para o dia de Páscoa.
“Normalmente, os pratos mais pedidos são o bacalhau, por conta da tradição da Semana Santa de não se comer carne vermelha. Em geral, ele vem acompanhado de batatas, salada, uma massa. A sobremesa sempre leva chocolate, para manter o clima da Páscoa. E o campeão de pedidos na Páscoa é, sem dúvida, o petit gateau. Leve e supersaboroso, feito com chocolate amargo, foge da mesmice do ovo de Páscoa, tem um sabor mais sofisticado e pode ser acompanhado de sorvete, o que deixa o fechamento da refeição irresistível”, admite.

Para Melissa Wanis, a Páscoa é a segunda melhor oportunidade de vendas no ano, só perdendo para o Natal.

“Na Páscoa, as pessoas habitualmente confraternizam em família, criando grande demanda para os produtos de mesa posta. O carro-chefe dessa Páscoa foram os porta-guardanapos de madeira em formato de orelha de coelho, guardanapos de poá e sousplats na estampa xadrez. Logo na primeira quinzena de janeiro, começo a desenvolver os projetos para a data. No começo de março, já está tudo pronto”, diz. 

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