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Paquera On-line

Cada vez mais conectados, homens e mulheres procuram alguém para amar nas redes sociais. Entretanto, alguns cuidados são essenciais

Sueli Ferreira está atenta para não cair em nenhum golpe on-line em sua procura pela cara-metade

Foto: Lucas Benevides

Em tempos modernos, onde estar conectado faz parte do cotidiano, encontrar alguém especial no mundo digital é possível em todas as idades. Muitas pessoas não vão passar o Dia dos Namorados sozinhas, pois encontraram um amor no mundo virtual, como o caso de Vera Garcia e Hélio de Faria.

“Aos 11 anos, sofri um acidente e amputei o braço direito. Nunca tinha ficado com ninguém de balada, meus namorados eram de escola, faculdade. O tempo passou, namorei uma pessoa que conheci na sala de bate-papo da UOL, de São Paulo, ficamos três anos juntos, não deu certo. Achava que não ia ficar com mais ninguém, foi então que me falaram que devia buscar alguém mais velho. Comecei a pesquisar e vi o Coroa Metade, gostei, coloquei meus dados, como gostaria que fosse meu parceiro e disse que tinha uma deficiência. E apareceu o Hélio (72), começamos a conversar e ele não perguntou nada sobre a deficiência. Falei de minha deficiência e ele disse que não importava porque gostou de mim; da forma como escrevia. Algumas semana depois, a gente já estava na ligação, até chegar ao encontro. Nos encontramos num local público. Ele realmente parecia com o cara das fotos. Marcamos mais dois encontros no shopping. Depois, ele foi na casa de meus pais. Tudo devagar. Ficamos um ano namorando e vimos que não podíamos ficar separados. Decidimos casar e já estamos juntos há quatro anos”, conta Vera.

Para o psicólogo clínico, especialista em gerontologia e geriatria interdisciplinar e coordenador do grupo de Estudos de Psicologia e Envelhecimento de Niterói, Bruno Fernandes Barcellos, a internet serve como um local para construir vínculos. 

“Algumas pessoas são tímidas. Os mais velhos veem isso acontecendo com seus filhos, netos e bisnetos e conversam sobre isso. Cada vez mais utilizam as redes sociais e os aplicativos de relacionamentos, o que é muito positivo. Estas ferramentas são utilizadas para diminuir o sentimento de solidão, buscar tanto se manter conectado com familiares e amigos, como também criar novos laços afetivos, buscar informações e conhecimentos e resgatar o sentimento de pertencimento. Boa parte dos idosos não quer ficar se sentindo ‘para trás’, ultrapassados, e encontram nas redes sociais uma forma de contornar os desafios de começar uma relação. Assim, fazem suas avaliações de interesses e criam critérios para ‘curtir’ uma pessoa, avaliam, selecionam e se permitem viver o amor e a sexualidade”, afirma.

Hélio de Faria e Vera Garcia se conheceram através de um site de relacionamentos

Foto: Arquivo pessoal

Airton Gontow, idealizador e diretor do site Coroa Metade, conta que o número de pessoas mais velhas que procuram alguém na internet com valores e objetivos semelhantes cresce cada vez mais.
“A idade torna as pessoas mais seletivas. Aqueles que não têm tempo a perder em encontros sem sentido, mas ainda acreditam que é possível encontrar a sua ‘coroa-metade’, teclam e conversam. Nos chats, buscam conhecer pessoas que estejam em seus perfis. Embora nunca saibam realmente o que querem! Mas uma das vantagens da pessoa madura é ao menos saberem o que não querem”, brinca Gontow.

Buscar a cara-metade no mundo digital facilita a vida de quem tem pouco tempo para encontrar um grande amor. Porém, é fácil mentir, pois não é possível adivinhar quem está do outro lado da tela. Sueli Ferreira, aos 69 anos, tem essa preocupação.

“Sempre utilizo a internet atenta à segurança. Olho todos os detalhes, pois é a nossa vida que está ali e principalmente os nossos sentimentos. Podemos estar falando com um príncipe, como também com um psicopata. Então, todos os sinais devem ser analisados e sempre ir com muito cuidado e calma”, afirma.

Para o policial federal, professor e fundador do projeto Geração Careta Sandro Araújo, que oferece palestras sobre os perigos da internet, interagir pelas redes sociais é bom, mas deve existir o cuidado com quem se está falando.

“Há páginas e perfis que são criados exclusivamente para enganar as pessoas e o idoso é um alvo fácil”, ressalta Araújo. 

Airton Gontow revela, ainda, algumas dicas especiais sobre como evitar cair em roubadas e como ter êxito ao procurar o grande amor na internet.

“Coloque fotos e preencha todo o seu perfil. Quanto mais realista, mais atrairá pessoas que procuram por alguém como você. Escolha fotos que mostram seus melhores ângulos, mas nunca fotos antigas, que não revelam como você é hoje; não deixe que a carência afetiva faça com que se desvie do que você procura. Lembre-se: o amor pode surpreender e não dá para ser completamente fechado em determinados perfis. Não mande fotos comprometedoras nem se exponha em vídeos. O site serve para aproximar as pessoas, mas o que continua importando é a hora do encontro real. O que vale é o olhar, o cheiro, o toque, o beijo, a energia. Não somos máquinas!”, finaliza. 

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Comentários

Mariavanilda
Mais uma boa matéria. Parabéns a repórter Bruna pelo seu trabalho. Historia linda deste casal e é sempre bom ficar atento na rede.
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