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Mão na Massa

O chef Romeu Valadares apresenta as novidades do mundo gastronômico e dicas sobre pratos saborosos e cheios de detalhes curiosos

Para além do sushi

Lombinho ao molho de nam pla e shoyu

Foto: Divulgação

O oriente se instalou no cotidiano do Rio de Janeiro. Quem diria, ainda fresca na memória está a lembrança de cada careta onomatopeica, hora espantada, hora enojada, de pessoas que me ouviam falar, entusiasmado, sobre a experiência do sushi, começavam os anos 80. A ideia de comer peixe cru assustava mais que uma katana afiada nas mãos de um samurai. Não tivemos a sorte de São Paulo, que abriga a maior colônia de japoneses fora do Japão; demorou mais para chegar, mas o sushi foi se instalando e se descobrindo mais carioca que imaginava. Virou moda e foi atropelado pelo fast-food que enrola qualquer coisa: mineral, vegetal ou animal em alga e chama-lhe por um nome japa de bandana amarrada na cabeça. Já está na hora de explorar a Ásia de outros ângulos, o sudeste asiático, por exemplo, com países como Tailândia, Vietnã e Laos, oferece um mar de possibilidades, com cozinhas ligadas por um catalisador comum: o molho de peixe nam pla. O molho é usado como um condimento em modo diário e amplo nas cozinhas, e graças à sua concentração de sal é usado em seu lugar. Os peixes abundam, mas na terra, o porco é rei e seu consumo amplamente difundido.

Preparo:

Tempere bem um lombinho com uma mistura de nam pla e shoyu na mesma proporção para cobrir bem, uma colher de sopa de um conjunto de temperos chamados 5 especiarias (five spices), 4 dentes de alho esmagados, um maço de cebolinha e outro de coentros. Deixe na marinada por algumas horas e leve direto ao forno preaquecido a 210 graus, em travessa pequena coberta por alumínio por 40 minutos, descubra e termine de assar por mais 25 ou 30 minutos. Fatie bem fino e recheie sanduíches incríveis, sirva com saladas, com arroz de coco e claro, com o legítimo arroz tailandês. Todos esses ingredientes estão à venda no mercado Cadeg em Benfica, logo no início da Avenida Brasil. Um vinho para acompanhar deve ser fresco e frutado, sem madeira, gosto dos gewurztraminers, mas descobri no bairro de São Francisco um chardonnay brasileiro, sem madeira, da Vinícola Monte Pascoal, o Virtus, muito adequado para acompanhar petiscos condimentados. Superfresco, essa belezinha está à venda na M Lopes, simpática e competente loja de vinhos e delicatéssen, localizada na entrada do clube AABB e custa módicos R$ 32,00. Quem disse que não tem vinho brasileiro bom e barato? Um vinho despretensioso para imitar os europeus e beber vinho diariamente sem afetação!

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