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Pela inclusão

Conheça Sandro Araújo, o alagoano que há 16 anos ajuda a afastar crianças, jovens e adultos do mundo do crime e das drogas em Niterói

Alagoano Sandro Araújo, de 46 anos, é policial federal, professor de matemática e física, pós-graduado em segurança pública, fundador e coordenador de projeto social e, nesse ano, se tornou vereador de Niterói

Foto: Divulgação

Morando em Niterói desde os quatro anos, o alagoano Sandro Araújo, de 46 anos, é policial federal, professor de matemática e física, pós-graduado em segurança pública, fundador e coordenador de projeto social e, nesse ano, se tornou vereador de Niterói. Sandro comanda, desde 2003, o Projeto Geração Careta, que busca, através do esporte e da educação, afastar crianças, jovens e adultos do mundo do crime e das drogas. O policial federal conversou com OFLU Revista sobre seu projeto e, também, sobre os planos para o seu mandato, que terá uma atuação focada em educação, esportes e segurança pública.

Você é fundador do Projeto Geração Careta, que já ajudou muitas crianças, adolescentes e adultos a se livrarem das drogas e da violência. De onde surgiu a ideia de criar o projeto e no que ele consiste?

Em 2003 eu era chefe do Grupamento de Pronto Emprego da Delegacia de Polícia Federal de Niterói e já estava na Polícia há quase sete anos. Sou professor de origem. Acredito na educação como mola transformadora da sociedade. Em contrapartida, percebia que o combate ao tráfico de drogas é ineficiente em sua postura meramente reativa. Então, decidi criar uma iniciativa na qual eu pudesse visitar as escolas e falar para os adolescentes sobre as verdades que estão por trás do consumo de drogas, com ênfase nas drogas lícitas. Entre 2003 e 2009, apenas ministramos palestras de prevenção ao abuso de drogas e à violência. Desde 2009, ensinamos artes marciais para crianças e adultos, como instrumento de socialização e diminuição de comportamentos nocivos. Em 2013, criamos nosso pré-vestibular comunitário e todas essas iniciativas funcionam juntas atualmente.

O que o Geração Careta oferece a essas pessoas? Quem pode participar do projeto e onde ele acontece?

Oferecemos palestras de prevenção ao abuso de drogas e à violência, aulas de muay thai, jiu-jítsu e taekwondo, pré-vestibular e atendimento psicológico. Não fazemos distinção de classe social. Assim, apesar do projeto ter em sua maioria pessoas de condição social mais desfavorecida, também acolhemos os de classe média e até classe média alta. Todas as atividades ocorrem no complexo esportivo do Caio Martins.

Qual a importância de projetos como esse? 

A maior importância do projeto é a quebra de barreiras sociais, uma vez que integrantes de todas as classes sociais dividem espaço nos tatames e nos bancos do pré-vestibular. Inserção social de verdade e um aceno de esperança de dias melhores para uma massa de crianças e jovens que não enxergam grandes perspectivas na vida.

Em 2013, o projeto também ganhou o Pré-Vestibular Comunitário. O que é essa nova diretriz do projeto e como ela acontece? Quais são os resultados disso?

Percebemos um espaço ocioso no complexo esportivo, que era o auditório. Construímos um pré-vestibular aberto e sem burocracia, sem triagem por hipossuficiência financeira. Nossa proposta é que qualquer pessoa possa sentar e estudar, sem maiores problemas. Colhemos grandes resultados neste ano de 2016, com alunos sendo aprovados para cursos concorridos como Ciências da Computação, Nutrição, Turismo, entre outros.

Niterói evoluiu nessas questões sociais? O que mais a cidade precisa para continuar evoluindo?

Existe um longo caminho a ser percorrido. Muitas iniciativas cidadãs estão em atividade na cidade, mas há uma necessidade crescente de uma multidão de pessoas que não tem acesso ao esporte e à cultura. É necessário que o poder público intervenha, não apenas apoiando as iniciativas cidadãs, mas criando políticas específicas para que essa parcela da população possa ser acolhida.

Qual a lição que você tira com o projeto? O que aprende com esses jovens que passam pelo Geração?

Aprendemos que é possível, sim, realizar mudanças significativas no meio apenas com vontade e organização. Esses jovens mostram que, se tiverem uma luz que possam seguir, terão possibilidades cada vez menores de se envolver em comportamentos nocivos. São guerreiros que acreditam no pouco que têm.

Você se elegeu como vereador da cidade. Quais são seus planos para o  mandato? Você pretende transformar o projeto em política pública?

Minha atuação será focada em educação, esportes e segurança pública. A legitimidade do voto me permite acreditar que é possível ampliar a atuação do Projeto Geração Careta pela cidade. Mas, mais que isso, apoiar iniciativas que visem uma inserção social de qualidade. Minha atuação tem na inclusão social um de seus maiores objetivos. Temos uma conversa prévia com o poder executivo da cidade para levar o ensino de artes marciais como ferramenta de prevenção aos comportamentos nocivos ao ensino integral, que será implantado em escolas públicas municipais. O prefeito é um entusiasta da iniciativa, que pode ser um divisor de águas na educação e, principalmente, na segurança pública da cidade a médio e longo prazos.

Você é Policial Federal, professor, fundador e coordenador de projeto social, no que a sua bagagem engrandece o seu mandato?

Acho que entrei para a vida pública no momento correto da minha trajetória. Toda essa experiência será determinante para atuar naquilo que coloquei como prioridade, que são justamente a segurança pública, a educação e o esporte como ferramenta de inclusão social. 

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