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Rascunhos Nus

A coluna do publicitário, capricorniano e escritor Hugo Rodrigues fala sobre relacionamento, romance e comportamento. São os dilemas que tornam a vida mais interessante

Nu.vem.

Não quero que você seja meu chão. Uma base quase dura, quase mole, que me segura e me sustenta pela estrada. Não quero que você seja o meu caminho, o meu destino, minhas migalhas de pão pelo caminho. Não quero que sejamos João e Maria. Francisco e Marieta. Não quero que você seja meu solo, que me prenda nesta terra aqui. Não quero que você me dê asas, eu não preciso delas: eu-sei-voar-sozinha. Não quero que você seja o meu céu, me cercando para onde quer que eu olhe. Delimitando meus horizontes – mesmo distantes. Não quero que você seja meu sol, me vigiando de dia, nem minha lua, me iluminando à noite. 

Eu quero que você seja minha nuvem. Quero poder cruzar com você e te sentir como um todo. Me perder entre a tua fumaça e me misturar toda com ela. Quero que você seja minha nuvem, que quando cruza comigo, me deixa entrar em você – e me deixa passar também. Nuvem que quando vem em grande quantidade me irrita, me incomoda, mas também me faz ficar em casa me trazendo chocolate quente e Jerry Maguire. Nuvem que, quando não aparece, me deixa ardendo de saudade. Num mar de azul tão azul que até sinto saudades da tua presença de algodão por ali, naquela vontade de ver um pontinho branco no mundo, trazendo uma sombra fresca e um carinho em forma de brisa. Eu quero que você seja nuvem: branca como quem vem com as pazes; negra como quem quer discutir sobre a vida, raivosa em raios, inclusive, carregada de felicidade-temporal; mas também colorindo arco-íris me metamorfoseando em pote de ouro.

Eu quero que você seja nuvem, às vezes, até fantasiada de neblina, que vem com o sereno da noite, transformando todas as paisagens em algo teu e vai embora pela manhã, sem depender muito da minha vontade. 

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