NITERÓI/RJ
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Carioca way of food

Lá fui eu, todo maroto, em direção ao aeroporto. A ansiedade toma conta, minha amiga querida Keer vem da América do Norte finalmente para reencontrar-me. Keer foi a melhor amiga que se pode ter no mundo. Durante meu intercâmbio, naquela fase de mudanças, tudo parecia difícil, menos a convivência com ela. 

O Brasil sempre foi um objetivo dela: conhecer, curtir e degustar a brasilidade que ela já conhecia em mim, mas aqui, sentindo o ar, o gosto e as tradições meio doidas desse povo único.

Já tinha feito com ela a primeira parte, ela sabia que coxinha era de galinha, que comemos coração de frango, e que brigadeiro era viciante e diferente do “chocolate fudge” que eles por lá achavam. Era uma doida por comida brasileira. Costumava dizer que um dia ia casar com um brasileiro e que se mudaria para cá, coitada.

Chegou ela, e depois dos abraços de saudades físicas, se deparou com o calor lancinante do Rio. Aquele do “Tá quente aqui né…”. Fomos fazendo um tour, passando por vários pontos nos quais ela sabe ser os lugares mais charmosos da cidade. Como chegou num sábado de sol, pediu pra ir tomar caldo de cana. Não sei porque, Keer sempre teve uma curiosidade pra tomar caldo de cana. Lembrei da feira livre da Glória. 

Encantada com o aterro, Keer curtiu a feira. “Autêntico”, disse ela. Nunca viu tanta fruta num lugar tão cheio de gente na rua e ao lado de peixes e pão de queijo congelado (???). Caiu de cabeça na experiência, pedi caldo de cana com pastel, o legítimo; meio vento, meio queijo. Não preciso dizer que para ela o caldo de cana foi meio pesado, mas, num geral, adorou a feira. 

Depois do descanso, Keer queria mais. Já à noite, partiu Lapa. Queria ir ao botequim comer coxinha e tomar cachaça. Comecei a me preocupar. Comeu coxinha na beira da rua, e, já na hora da foto para postar no Instagram, passou um menino correndo e levou o celular dela. Vamos nós para a delegacia, prestar queixa, mas a animação não termina. 

Ao darmos aquele passeio jovem na Lapa, até os arcos, Keer começou a sentir uma leve constipação. Tudo bem, vamos em frente! Curtimos, conhecemos gente nova, bebemos cachaça e terminamos indo ao Angu do Gomes para finalizar o dia em grande estilo. 

“Isso é ótimo para prevenir ressaca!”, disse eu achando, usando uma sabedoria popular de décadas. 

Dia seguinte, Keer não conseguiu sair de casa. Teve uma relação íntima com o banheiro, com a pia, com seu sistema digestivo todo. Cabeça rodando, gosto de guarda-chuva na boca, e aquela sensação de que o trem da central passou por cima dela. 

Ela sentiu o Rio em suas veias, no bolso e na plenitude. Só não podia postar...

Keer descobriu que o Rio não é para amadores... 

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