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Por uma vida manual

Andrea Onishi e Cláudia Fajkarz criaram o blog Superziper que dá dicas de artesanato

Andrea e Cláudia lançaram o livro “Manual para uma Vida Craft”, em que elas explicam e ensinam as técnicas do DIY (Do It Yourself – Faça você mesmo).

Foto: Reprodução

Formadas em Comunicação Social, as paulistas Andrea Onishi e Cláudia Fajkarz, ambas de 42 anos, são as criadoras do blog Superziper, que, em 2017, completa 10 anos. Por lá, compartilham dicas, ideias e passo a passo de diversos itens de artesanato usando costura, tricô, crochê e outras técnicas. O projeto mais recente da dupla pioneira no assunto é o livro “Manual para uma Vida Craft”, em que elas explicam e ensinam as técnicas do DIY (Do It Yourself – Faça você mesmo) e também disponibilizam 20 projetos prontos para pôr em prática os ensinamentos. 

“Manual para uma Vida Craft” traz dicas, ideias, listas, infográficos e ilustrações para introduzir o leitor ao universo craft. O que é esse universo?

Claudia: Nós vemos o craft como um resgate das artes manuais tradicionais como tricô, costura, crochê e áreas afins, mas com uma roupagem nova, um estilo mais moderno e atual, com temas mais ligados ao cotidiano dos jovens. Não fazemos uma capa de crochê para um botijão de gás, mas podemos fazer um bordado com o desenho de uma planta para colocar na decoração da sala. É uma forma mais criativa de misturar técnicas, influências e materiais. Uma renovação do artesanato.

Como vocês se conheceram e entraram para esse mundo da produção manual?

Andrea: Nós nos conhecemos e nos formamos juntas em Comunicação Social e cada uma foi trabalhar na área, mas sempre tivemos esse interesse em artesanato, que, nessa época, nem chamávamos de craft. Gostávamos de fazer coisas manuais, trocar ideia, mostrar o que fazíamos uma para a outra. 

Vocês mantêm um site sobre o assunto desde 2007, o superziper. De onde veio a ideia para a criação dele? E o livro?

Andrea: Estava muito na moda no Brasil ter um blog diário com conteúdo sobre a vida pessoal. Porém, lá fora já havia muitos deles falando sobre o craft, o artesanato em inglês, colocando fotos – um grande diferencial, por ser uma coisa muito visual –, passo a passo, processo e inspiração. Vendo o sucesso lá de fora, pensamos em fazer uma versão brasileira, já que faltava um espaço que englobasse todas as técnicas juntas. A ideia foi fazer um blog de artesanato, falar das nossas técnicas preferidas e do que estávamos fazendo, com esse pensamento de que talvez tivesse mais gente interessada no mesmo que nós. 
Claudia: O livro aconteceu de forma muito natural. Já pensávamos na ideia há algum tempo, pois percebemos que o impresso e o mercado de livros também não possuíam muito material relacionado ao craft, nesse sentido da mistura de técnicas. O que se encontrava eram livros separados de costura, tricô, crochê... Queríamos que as pessoas pudessem experimentar um “pouquinho” de cada coisa com o livro. Nós imaginamos tudo, todo o conceito de que ele fosse uma mistura de diversos projetos e também um guia de consulta, com endereços e sites úteis. Vinte itens foram fotografados com seu passo a passo, tem para iniciantes, mais avançados, aqueles que gostam de papel, colagem e outras técnicas. Ele é pequeno, compacto, mas superinteressante.

Como funciona o processo de criação de vocês? O que vocês têm como inspiração?

Claudia: Me estimula muito algo que seja ligado ao reaproveitamento de material, reciclagem e reutilização, pegar algo que seja para uma função e tentar encaixá-lo em outra. Uso o blog como uma forma de dar utilidade para essas coisas e é legal porque mais pessoas se interessam e experimentam essa tacada.
Andrea: Nós nunca fomos blogueiras profissionais, porém, sempre muito espontâneas no sentido de não ter muita preocupação com o sucesso. É lógico que também temos um radar do que as pessoas estão buscando. Fazemos pautas que tenham a ver com o nosso gosto pessoal, gosto muito de técnicas mais tradicionais: tricô, crochê... O blog tem muito a nossa cara.

O que vocês esperam alcançar com esses projetos?

Andrea: Tentamos levar inspiração, empoderamento. Tem muita gente que entra no blog e diz que não leva jeito ou que quer tentar e, quando lê o post, toma coragem, se inspira. É focado também em quem está começando, quem está precisando de um impulso para criar alguma coisa própria.

Vocês percebem a interação do público? Como ela acontece? 

Andrea: No início, a comunicação acontecia pelos comentários do próprio blog dada a tecnologia da época. Depois, quando o Facebook surgiu, sentimos essa migração e abrimos uma página por lá que resultou em muita interação. Hoje, o Instagram, que está muito em alta, é um canal mais direto, mais visual, os leitores compartilham o que fazem, colocam hashtags, nos marcam nas fotos. Eventualmente participamos de feiras ou eventos e as pessoas vêm nos contar o que aprenderam, o que gostam e alguns dizem que não sabiam fazer ou imaginavam que não conseguiriam. Tem muitos leitores que começaram com a gente, se profissionalizaram, criaram uma marca e fizeram do craft uma profissão.

Como vocês aprenderam essas técnicas?

Claudia: Sempre fui muito ligada nas artes manuais e tinha facilidade com essas técnicas. Sabia o básico de tricô com minha avó e costura com minha mãe. Crochê quem me ensinou foi a Andrea, no vídeo que fizemos para as leitoras. Fui aperfeiçoando com o tempo, colocando a mão na massa, mas nunca fiz nenhum curso profissional, apesar de ser do meu interesse. Quando a gente começou, o conteúdo em português era muito escasso, quase não existia. 
Andrea: No inicio do blog, participava muito de grupos de tricô, tricoteiras mais experientes iam nesses encontros e passavam sua experiência para quem estava começando. Depois, fui atrás sozinha, pesquisei e conversei com quem tinha mais experiência na família. 

Vocês fazem diversos itens com as técnicas, sempre dá certo? 

Claudia: Tínhamos até uma categoria no blog há uns anos atrás que era a #fail, lá a gente postava o que não dava certo. Nunca tivemos muita vergonha do que fazíamos. É normal ter erros e gosto muito de falar sobre isso, porque o erro muitas vezes paralisa as pessoas. Sou a favor das tentativas: se ficou torto, não tem problema, acredito que isso dê um charme, uma personalidade única. Em uma das páginas do livro há o capítulo de Lemas e Mantras e um dos lemas que a gente coloca lá é “Feito é melhor que perfeito”.

O que é preciso saber para entrar no mundo craft?

Andrea: A gente explica que todos podem começar, não tem uma regra, é só ter vontade. Ajudamos com material, passo a passo, ideias. 

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