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Mão na Massa

O chef Romeu Valadares apresenta as novidades do mundo gastronômico e dicas sobre pratos saborosos e cheios de detalhes curiosos

A primavera de Tóquio em Copacabana

 

Colaboração: Romeu Valadares

Vinte dias batendo perna em Tóquio e uma conclusão, mãe de todas as conclusões: em Tóquio se come bem e barato! Com os estrelados de guias e listas, os preços se equivalem em qualquer país, variando entre altos e muito altos. A fome de cultura costuma definir minhas investidas gastronômicas que aponto na direção do homem comum. 

Onde come o japonês? Essa é a primeira pergunta. E a resposta vai se desenhando na medida em que o olhar encontra uma portinha. É impossível não pensar em Blade Runner, no bairro de Shinjuku, à noite, caminhando por vielas ladeadas por minirrestaurantes, onde mesas são raras, balcões acomodam dez comensais, no máximo, e a iluminação peculiar se projeta através das fumaças que emanam de um ou outro lado.  

Até percorro com os olhos a parede de um micro banheiro qualquer, para quem saber ler: “Ridley Scott was here”. Não rolou, mas o que rolou foi uma festa de Babette com olhinhos bem puxados. E agora? Como repetir aquela sensação? O Rio já tem excelentes “japas”, mas onde encontrar a descontração do botequim, a intimidade do espaço pequeno, familiar, onde a simplicidade se revela sofisticada no produto e na execução do que chega à mesa. Seriam as andanças pelo bairro da Liberdade, em São Paulo, a única esperança de reviver a magia de Tóquio?

Não senhor. Eis que chega a “primavera” em Copacabana. É o que significa Haru em japonês. Um sushi bar para ver a vida passar prazerosamente na calçada da Rua Raimundo Correia, quase na Nossa Senhora de Copacabana. Nos comandos estão o Aurélio (sushiman) e o Nando (tudo mais, que não é pouco, que faz um restaurante se mover) em sintonia, da escolha do produto à execução do prato. 

O Haru acolhe os órfãos de Shinjuku e possibilita a alegria que é confiar no sushiman com a certeza de que aquela será uma experiência única, literalmente, já que o mar é generoso, porém, muito temperamental, e nos regala de acordo com seus humores. Os saquês são um capítulo à parte, têm carta explicativa e uma grande garrafa de Junmai japonês, que percorre as mesas servido em taças de vinho generosas a R$25. 

O Japão encontra Copacabana com clássicos e criações respeitosas, como a utilização de geleias de pimenta e cachaça, e as ostras, sobre as quais costumo ser intransigente, raramente juntando algo mais que uma gota de limão, e que aqui fazem-me capitular, em crocância empanada, e segunda vida em forma de kaki furai. Em terra de rodízio e bufê, quem se arrisca é rei! 

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