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Profissões do futuro

 

Ilustração: Cibelle Arcanjo

Testemunhamos a todo o momento a velocidade com que as transformações ocorrem na humanidade. O mercado de trabalho sofreu com o avanço e as inovações tecnológicas, e, apesar de algumas funções terem perdido seu valor, outras conquistaram seu espaço. O homem está em constante mudança, nada mais justo que o mundo ao seu redor espelhar essa metamorfose. 

A doutora em memória social Tamara Campos, de 32 anos, explica que vivemos agora a chamada quarta revolução industrial (ou Indústria 4.0), marcada por uma convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. 

“Com a Indústria 4.0, temos uma valorização ainda mais forte das chamadas tecnologias da informação, e, especialmente, a tendência ao fenômeno da automatização, que, fatalmente, vai extinguir várias carreiras mais braçais nos próximos anos e décadas. No entanto, até atingirmos um nível de aperfeiçoamento destas tecnologias e o barateamento das mesmas, não podemos pensar no que se tornará dispensável”, ressalta Tamara. 

Cada vez mais nos será solicitado atualização constante. Já é notável que será praticamente impossível se manter em apenas um cargo por toda a vida, sem buscar conhecer formas de inovar. 

“Nosso mundo está cada vez mais acelerado, mais competitivo, e se torna uma obrigação se atualizar para se destacar e mesmo oferecer um serviço/produto competitivo, já que muitos se tornarão empreendedores, tanto pela falta de oportunidade formal para todos, por um contexto de crise econômica, e também por uma marca dos nativos digitais, que preferem um trabalho no estilo freelancer ou home office”, explica. 

A modificação na forma de consumir produtos e serviços, inclusive motivados pela preocupação com o meio ambiente, abrirá um leque de possibilidades. 

Um levantamento divulgado em julho deste ano pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) aponta a criação futura de 30 empregos em oito áreas impactadas pela Indústria 4.0. A previsão foi feita a partir do modelo Senai de prospecção, e ocorreu através de debates entre 20 especialistas dos diferentes setores.

Para o setor de alimentos, a previsão é de que haja a criação de profissões como: técnico em impressão de alimentos, especialista em aplicações de TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) para rastreabilidade de alimentos, especialista em aplicações de alimentos, entre outras. Já no setor automotivo, teremos o mecânico de veículos híbridos, mecânico especialista em telemetria (sistema de monitoramento utilizado para controlar, medir ou rastrear a distância), programador de unidades de controles eletrônicos e técnico em informática veicular.

Na construção civil, a lista também é extensa: integrador de sistema de automação predial, técnico de construção seca, técnico em automação predial, gestor de logística de canteiro de obras e instalador de sistema de automação predial. No setor têxtil e vestuário: técnico de projetos de produtos de moda, engenheiro em fibras têxteis e designer de tecidos avançados.  

Por fim, no setor de tecnologia da informação e comunicação, novos cargos serão criados como o analista de IoT (internet das coisas), o engenheiro de cibersegurança, analista de segurança e defesa digital, especialista em Big Data e engenheiro de softwares. 

“Apesar de termos, com o passar do tempo, cada vez mais autonomia, a partir do momento que a indústria 4.0 avança, a tecnologia da informação com todas as suas vertentes será central. Vivemos em uma sociedade informacional, na qual a informação é uma força motriz. Basta analisar os aplicativos que permitem a maior troca de informações, como o WhatsApp, por exemplo, ou Skype, Messenger. Não por acaso, são iniciativas bilionárias, pois permitem o maior fluxo informativo, aprimorando processos e dinamizando o mundo do trabalho e mesmo nossa vida cotidiana”, enfatiza Tamara. 

O mestre em Engenharia de Sistemas e Comércio Eletrônico e coautor do livro “DisrupTalks: Empreendedorismo e Inovação em uma época de mudanças rápidas”,  Glauter Jannuzzi, lidera no Brasil a comunidade MVPs (profissionais mais valiosos) de tecnologia da Microsoft, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. 

“Você pode estar numa empresa que não tem relação com sua área, porém, se adaptou. Gradualmente, as cidades vão estar mais inteligentes. Já temos a tecnologia IoT (internet das coisas) e cada vez mais as cidades vão estar plugadas. E o futuro das profissões está relacionadas com a capacidade de identificar soluções para os problemas da sociedade. É interessante relevar que hoje tem gente conquistando diploma de funções que não irão existir daqui a 20, 30 anos, onde o mais importante não vai ser o diploma e sim a capacidade de aprender, de partilhar o que você conhece”, reflete Glauter. 

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