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Quanto custa um filho?

Ter uma criança requer planejamento e orientação. Saber controlar o dinheiro e usá-lo de forma eficiente são caminhos essenciais para uma vida financeira saudável

Nos primeiros 23 anos de vida de um filho, os pais brasileiros usam boa parte de suas rendas para gastar com despesas como educação, lazer, saúde e vestuário.

Foto: Marcelo Feitosa

Ter filhos é o sonho de muitas pessoas, mas bem poucas se lembram de planejar as finanças da casa com antecedência para a chegada dos herdeiros. Segundo dados do IBGE, no Brasil, a cada hora, nascem cerca de 321 bebês. Para cuidar dos pequenos, os pais precisam fazer ajustes em seus orçamentos para que tenham tranquilidade durante essa nova etapa da vida.

Nos primeiros 23 anos de vida de um filho, os pais brasileiros usam boa parte de suas rendas para gastar com despesas como educação, lazer, saúde e vestuário.

Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent), o custo para criar um filho até os 23 anos pode chegar, fazendo a média das classes A,B e C, ao total de R$ 873 mil reais e 735 centavos. Somente a fatia relacionada aos estudos em todo esse período de crescimento representa 35% desse total, o equivalente a R$ 313 mil e 661 centavos.

Quando o assunto é a chegada de um bebê na família, o que os pais costumam elencar como primeiros custos são itens como berço, trocador, carrinho, mamadeira e enxoval. Mas gastos com parto, babá, pediatra, vacinas e até o aumento nas contas da casa devem entrar nessa lista. Nessa fase, é necessário separar o que é desejo do que é necessidade, como fugir das grifes e pedir fraldas no chá de bebê.

O modelo Rodrigo Dreux, de 31 anos, e a professora Carolina Dreux, de 28, já começaram a observar essa diferença no orçamento quando optaram em ter seu primeiro filho, o Samuel, de dois anos, por parto natural em casa.

“O Samuel a gente já esperava, não foi programado, mas deixamos rolar. Então, conseguimos ter mais calma para pensar na questão financeira, foi mais sutil. Claro que bateu aquela ansiedade de tudo dar certo, mas como ele veio num momento antes da crise econômica que atingiu o País, as coisas foram mais fáceis, mais acessíveis, deu para sonhar melhor. Optamos por um parto em casa, que nos gerou um custo inicial extremamente alto, algumas dívidas, mas valeu a pena”, conta Rodrigo.

Um ano depois veio a Maria Flor. Mesmo com o País em crise, eles optaram novamente pelo parto natural dentro de casa. Além disso, o casal decidiu mudar o local de moradia, pois queriam dar mais espaço para os filhos pequenos, o que mudou totalmente a questão financeira da família.
“Morávamos em um apartamento bem maior que na nossa atual casa, e optamos em estar em um local menor, mas que fosse perto da praia, com contato com a natureza e a segurança de um condomínio. Isso também mudou a nossa questão financeira, pois onde morávamos tudo era mais caro, então conseguimos dar uma vida mais ‘natural’ para os nossos filhos e, ao mesmo tempo, reduzimos muito os nossos custos com a família em geral. Tivemos um custo-benefício excelente com essa troca”, explica Carolina.

Lucas Braga e Juliane Cunha optaram por uma festa de um ano moderada para a filha Clara, para amigos e familiares

Foto: Divulgação

as para que os pais tenham o máximo de controle sobre as suas finanças. Segundo ela, planejar não significa adotar uma postura radical e inflexível, como muitos pensam. Um exemplo simples de planejamento é: se você investir R$ 100 por mês desde o nascimento do seu filho em um investimento que renda 10% ao ano, aos 18 anos terá poupança de R$ 57.670.

“Existem seis propostas fundamentais: liquidar as dívidas e colocar as contas em dia antes do bebê nascer; não desprezar o potencial de economia que um chá de bebê ou de fraldas pode trazer ao seu orçamento doméstico; não pensar em comprometer toda a renda com roupinhas e acessórios durante a gravidez. O percentual voltado para essa despesa normalmente é de 30%; não deixar a cargo da caderneta de poupança a função de multiplicar seu patrimônio. Um plano de previdência privada, por exemplo, rende bem acima dela; plano de saúde para a criança ou adolescente é fundamental. O custo de uma economia nessa área pode acabar se transformando em prejuízo no futuro; e insira seu filho no planejamento familiar desde a infância. Esse hábito ajuda a conscientizar a criança sobre os aspectos financeiros do sustento da casa e certamente tornará os diálogos sobre finanças muito mais simples na adolescência”, detalha.

Um dos primeiros grandes gastos dos pais com os filhos é a festa de um ano. Essa comemoração é um marco na vida de uma criança e de sua família. Aí surge o dilema: fazer a festa ou não? Alguns pais fazem questão de comemorar com uma superfesta, outros preferem uma celebração mais íntima, em casa. 

Para a maioria, a primeira festa de aniversário do filho é inesquecível, afinal, a vida dos pais se transformou e o bebê já os reconhece e consegue interagir. Planejar com um mês de antecedência abre caminhos para os pais encontrarem as melhores ideias e fornecedores, de acordo com o custo-benefício que procuram. De acordo com a organizadora especialista em festas infantis Laura Dias, comemorar o aniversário de uma criança contratando um bufê infantil tem inúmeras vantagens: você não precisa pensar na preparação da comida nem na limpeza do salão. Mas, em troca, terá que pagar caro por esses serviços, sem contar gastos adicionais que podem aparecer depois que a festa acabar.

A viagem da família de Melissa e Helan ao Beto Carrero foi pensada com um ano de antecedência

Foto: Arquivo Pessoal

“Fazer a festa em casa ou no salão de festas do prédio, por mais trabalhoso que seja, também tem seus lados positivos: Os pais economizam, na maioria das vezes, a metade do que pagariam em um bufê infantil, normalmente o limite de horário é mais flexível, assim como as ordens rígidas para as atividades. Se a pessoa mora em apartamento, mas seu prédio não tem um salão de festas bom, é legal combinar com alguma amiga ou um parente que tenha e que possa alugar para você. E, claro, não se esquecer de garantir que todos os preparativos e a limpeza sejam por conta própria”, explica a especialista, que dá a dica de pegar leve na decoração da festa. “Um bolo bonito, uma toalha colorida e enfeitinhos nas mesas já fazem bastante vista, e você não precisa alugar uma megadecoração profissional”.

Os estudantes Lucas Braga, de 24 anos, e Juliane Cunha, de 23, são os pais da Lara, que em julho completou um ano. A partir do momento em que descobriram que seriam pais, mesmo com 13 semanas, já começaram a planejar e pensar no futuro dela. Foram em todas as feiras de gestantes para proporcionar o conforto para a filha, começaram a juntar dinheiro para poder sempre proporcionar o melhor para ela. Hoje, Lara faz natação, vai em rodas de brincadeiras, tem um plano de saúde. Tudo isso já visto antes mesmo dela nascer. Quando chegou perto do seu primeiro aniversário, começaram a pensar em como comemorar. Chegaram à conclusão de fazer algo mais íntimo para familiares e amigos próximos.

“Mesmo a festa de um ano sendo uma tradição, nós não nos preparamos muito para tal, pois fizemos uma festinha só para a família e mais próximos, com o argumento de que ela, Lara, não aproveitaria muito pela idade. Porém, é uma tradição e não poderíamos deixar de fazer. Na realização, tivemos a ajuda dos avós e dos padrinhos, mas, por achar que é responsabilidade nossa, não deixamos eles se preocuparem e se prenderem tanto nesse quesito, queríamos mais que aproveitassem. Como foi no playground da mãe da Juliane, tivemos uma boa economia com o espaço, a música ficou por conta de um grande amigo. De pouco em pouco, quase não tivemos custos”, revela Lucas.

Por causa do alto custo, a viagem à Disney de Jennifer acabou virando uma festa de 15 anos

Foto: Arquivo Pessoal

A partir dos 4 anos, creche e escola ou babá entram na conta. Por consequência, se adiciona também material escolar, uniformes, transporte, festinhas, presentes aos amigos nos aniversários, etc. É no ensino fundamental e médio que você começa a entender o quanto custa criar um filho. Até os 15, entram no orçamento cursos de idiomas, esportes, roupas, games e mesadas.

Se criar filhos com essa faixa etária já gera um grande custo, imagina cinco! A professora Melissa, de 43 anos, e o empresário Helan Cardozo, de 40, são pais de Giulia, Iago, Maitê, Theo e Liz, com respectivamente 12, 8, 6, 3 e 2 anos. O casal sempre gostou de viajar e, apesar de terem gastos diários com os filhos, uma vez por ano fazem uma viagem em família. A última, em maio deste ano, foi para o Beto Carrero World, em Santa Catarina. O custo da viagem, segundo Melissa, foi bem pequeno para o tamanho da família.

“Nós sempre gastamos só o necessário. Sempre falamos para eles que não tem aquilo de ‘comprou pra um, tem que comprar para todos’ e eles compreendem isso, pois sabem que vivem numa família numerosa. As viagens, nós sempre planejamos no ano anterior, como essa para o Beto Carrero World. Em agosto do ano passado fui numa agência de viagens e percebi que, fazendo o planejamento por conta própria, ficaria mais barato. Então, fui atrás de passagens áreas, hospedagem e o que iríamos gastar lá com alimentação e brinquedos. Começamos a parcelar no ano passado mesmo e, na época da viagem, já estava tudo pago”, revela a psicóloga. 

Nem sempre o que é sonhado é o que se consegue. Jennifer da Silva, de 15 anos, estava pensando algo fora da tradicional festa de 15 anos, queria viajar para a Disney, em Orlando, nos Estados Unidos. Entretanto, mesmo planejando antes, o custo ficaria alto, então, junto com seus pais, resolveram fazer a festa, mesmo tendo pouco tempo para planejá-la.

“Como na verdade ela queria viajar, mas perto do aniversário vimos que não seria possível, fizemos uma festa na correria. Mesmo assim, saiu tudo certo. A festa de 15 anos era algo que eu já pensava desde que ela tinha 12 anos. Guardamos dinheiro para isso, mas só no ano passado que soube desse desejo dela de viajar. Tentei refazer as contas e vi que não era possível. Eu e o pai dela não iríamos fazer uma loucura financeira, então, sentamos com ela e conversamos que só daria para fazer a festa”, conta Iraci da Silva, de 45 anos, mãe de Jennifer.

O economista e professor da UFF Renaut Michel revela os principais conselhos para os seus clientes que estão começando a pensar em ter filhos e que querem manter uma saúde financeira estável.

“É a partir dos 7 anos que as despesas começam a se tornar mais pesadas. Pois bem, se os pais, por exemplo, fizerem um investimento em previdência privada 3 anos antes do nascimento de seu filho, quando ele chegar aos ‘temidos’ 7 anos, eles poderão alcançar um capital próximo de R$ 400 mil. Isso simulando um plano VGBL, que é o Vida Gerador de Benefício Livre, com rentabilidade anual de 11% e aplicações mensais de R$ 2 mil, já descontado o IR, de 15%. Além de se perguntar quanto custa criar um filho, o mais importante questionamento é: como angariar recursos? E seja por meio de uma proteção financeira (como seguro de vida resgatável) ou investimento (previdência privada, Tesouro Direto, CDB), tenha certeza de que as famílias que começam a investir antes do nascimento do filho conseguem desenhar um futuro de sucesso antes mesmo dele completar 18 anos. O mantra é construir patrimônio”, detalha. 

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