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Rascunhos Nus

A coluna do publicitário, capricorniano e escritor Hugo Rodrigues fala sobre relacionamento, romance e comportamento. São os dilemas que tornam a vida mais interessante

Que dure só mais uns dias

Que dure só mais uns dias. Só mais uns dias. Vai parecer que não chegaremos a lugar nenhum, embora eu não acredite que relacionamentos cheguem de fato a algum lugar, sabe? Felicidade é o caminho, não o destino, Henfil já falava muito sobre isso e eu aqui só quero te pedir mais uns dias. Não resolva nada agora, de cabeça quente e coração apertado, de boca seca como as palavras que saem por ela, com a respiração ofegante, tipo a Hortência do basquete segundos antes do arremesso. Pra que arriscar assim?
 
Calma, só mais uns dias.  

Façamos assim: tentaremos apenas até domingo e acabou. Antes mesmo do Fantástico começar, a gente termina, tudo bem? Amanhã tem o casamento do Dé com a Silvia. Quantas vezes já falamos sobre isso? Ficamos quatro horas escolhendo um vestido para você e três horas escolhendo o terno pra mim. Lembra que nas primeiras horas queríamos desistir, mas insistimos até você encontrar esse tal vestido-perfeito lá naquela lojinha da Oscar Freire? E sexta tem a inauguração daquele novo restaurante italiano do Massimo Bottura. Não conseguimos conhecer o Osteria Francescana, naquela viagem para Módena, em 2012, porque no dia que iríamos estávamos de ressaca por conta daquela noite anterior incrível que tivemos em Milão. Lembra que transamos na boate até sermos expulsos pelos seguranças e a gente só sabia falar scusa e, então, começamos a cantar Laura Pausini para os italianos ficarem mais felizes com a gente? 

Que dure só mais uns dias. Só mais uns dias. Até domingo, logo ali e acabou. Pensa só: no sábado, a previsão é de sol. Quantas vezes você já reclamou nos últimos meses que não tem um dia de sol decente nesta cidade? A gente pode ir pro litoral, mergulhar no mar azul como naquela vez que fomos para Abricó e nos divertimos como duas crianças brincando de guerrinha dentro d’água.  

Talvez, ali, no final do sábado, você toda bronzeada possa até repensar melhor um pouco sobre isso tudo. Não falo da água, do mar, do restaurante italiano, dos vestidos e dos casamentos. Mas digo sobre essa mania nossa que temos em seguir em frente mesmo sem saber onde iremos chegar. Aí, no domingo de manhã, como naquela música brega que você adora cantarolar (eu prefiro a do Léo Fressato), a gente entenda que dá pra ficar por mais uns dias. Só mais uns dias.  

O que acha?  

Só mais uns dias. Talvez. 

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