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Que perrengue!

Brasileiros contam seus contratempos em viagens e como conseguiram resolvê-los

Os irmãos Gustavo e Guilherme dos Anjos sofreram com a altitude de 3.967 metros acima do nível do mar em Potosí, na Bolívia, e com o frio intenso

Foto: arquivo pessoal

ngraçada, constrangedora ou até que virou uma lição de vida? Nem só de bons momentos se faz uma viagem. Contratempos e problemas são inevitáveis e muitos deles acabam, com o devido distanciamento da situação, virando motivo de boas histórias para contar. Pesquisar e se informar bastante antes de viajar é a principal maneira de evitar que esses “perrengues” aconteçam. Contratar um seguro-viagem e ter fácil acesso a contatos de emergência, como hospitais e embaixadas, são precauções que também podem ajudar na hora do aperto. Mas é bom lembrar: surpresas no meio do caminho sempre aparecem.

Entre os grandes geradores de contratempos em uma viagem estão problemas como o extravio de bagagem, a perda de documentos, acidentes, enfermidades e dificuldades com o idioma local. Por mais que se tente preveni-los ou amenizá-los, o famoso perrengue não tem hora nem lugar para acontecer.

Foi assim que aconteceu com os irmãos Gustavo dos Anjos, de 29 anos, e Guiherme dos Anjos, de 33, que fizeram no começo do ano uma viagem para a Bolívia. Potosí, uma das principais cidades do país, é também uma das cidades mais altas do mundo, a 3.967 metros acima do nível do mar, sendo praticamente impossível não sofrer com a altitude ao chegar lá. Foi justamente o que aconteceu com eles. 

“Sempre gostamos de fazer escalada e rapel, então, como uma primeira viagem internacional, lá seria um lugar ideal, mas logo sentimos o efeito. A subida é tão brusca que meu corpo não conseguiu acompanhar e a dor de cabeça foi absurda. Na mesma noite que chegamos, resolvemos sair para comer. Passei tão mal que precisei ir ao banheiro para respirar. Ao voltar para a mesa, Gustavo ainda disse que todo o restaurante conseguiu escutar meu sofrimento. A dica para ficar bem em países andinos é ir devagar, manter um intervalo de três dias entre uma cidade e outra, se acostumar em uma região menos alta e tomar muito chá de folha de coca. Às vezes, não é possível escapar de situações desagradáveis, mas, muitas vezes, acaba servindo de lição para a próxima vez”, reconhece Guilherme.

“Prefiro chamá-los de aventuras, pois, depois de algum tempo, a gente até consegue rir dos nossos perrengues de viagem e transformar tudo em bons ‘causos’. Mas, na hora… dava vontade mesmo é de chorar! Você pensa: vai dar certo! No nosso caso, além da altitude, sofremos os efeitos de uma chuva forte que assolou a cidade por 3 dias seguidos, com vento de mais de 100 km/hora. Muita chuva e nada de dormir. Mas quem disse que isso foi motivo para desistir? Ainda teve um segundo dia com direito a hipotermia e tudo. Fui escalar e, mesmo com luvas, minhas mãos ficaram sangrando”, detalha Gustavo.
 

Mariana precisou pegar quatro ônibus do Brasil ao Suriname, depois que três deles quebraram

Foto: arquivo pessoal

A estudante de psicologia Mariana Gimeno, de 27 anos, é uma viajante nata, já tendo passado por todos os países da América do Sul. No último que foi, o Suriname, ela passou o maior “perrengue” de todos. Ela pegou um avião do Rio de Janeiro até a capital do Pará e o trajeto até Belém foi absolutamente tranquilo. De lá, ela teve que pegar dois ônibus até o país vizinho. Seria até um esforço que valeria a pena, não fosse o fato de que teve que pegar quatro ônibus, pois três quebraram. 

“Olha, já passei por muitas coisas nas viagens que fiz, mas essa foi a pior porque, além de tudo, foi muito cansativo. O primeiro ônibus quebrou a noite e no meio do nada. Além do frio, tinha a questão da segurança. Esperamos umas duas horas para o outro ônibus chegar. Na segunda vez, foi num bairro que perto só tinha uma padaria com pouca coisa e todo mundo teve que dividir as coisas. Quando o último ônibus quebrou, já estávamos no Suriname, mas bem distantes de Paramaribo, a capital, que seria o meu destino final”, detalha.

A Autorização de Retorno ao Brasil é o nome do documento de viagem concedido pelas Repartições Consulares a brasileiros (e estrangeiros residentes no Brasil) que estão no exterior e necessitam regressar ao território nacional. Brasileiros que não possam apresentar a documentação mencionada nas instruções para pegar passaportes, desde que comprovem sua identidade e nacionalidade brasileiras, poderão pedir a autorização, que é válida para viagem de regresso, limitando-se ao mínimo seu prazo de validade. Samira Cavalcante, de 30 anos, teve uma experiência um tanto desesperadora na Espanha e precisou do documento. Ela foi assaltada no início de abril em Sevilla, região da Andaluzia, um dos locais mais visitados por turistas. Lá, em uma balada, teve a carteira roubada com dinheiro, documentos e todos os cartões. O pior de tudo: só faltavam dois dias para ela voltar ao Brasil.

“Foi muito chato, porque foi a melhor noitada que já tive na vida. De todas as viagens que fiz, foi o dia que mais me diverti. Graças a uma amiga espanhola que conheci aqui durante a Copa do Mundo, mantive o controle e, logo no dia seguinte, fui ao consulado brasileiro, que ficava bem perto da casa dela. Sabia que não iria conseguir recuperar os documentos, então só queria retornar para o Brasil”, explica a empresária, que ainda conta o que fez logo no dia seguinte. “Fui muito bem atendida no consulado. Como tinha perdido o passaporte, me explicaram que eu tinha que fazer a autorização. Foi bem rápido o processo e saiu em pouco mais de uma hora. Uma dica que deram e que agora sempre farei é que em viagens a passeio, essa autorização já pode ser feita aqui no Brasil e deixá-la guardada. Se tiver algum problema, já a tenho em mãos”, aconselha. 

 

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