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Rascunhos Nus

A coluna do publicitário, capricorniano e escritor Hugo Rodrigues fala sobre relacionamento, romance e comportamento. São os dilemas que tornam a vida mais interessante

Uma mansão sem telha

Tua sobrancelha questiona o que ainda falta? E o que ainda sobra? Somos moradores de um mansão sem telha, há gente que reclama do frio, tem gente que diz que irá chover e inundar tudo, nós ainda agradecemos por dormir olhando o teto de céu estrelado. Somos portadores otimistas das más notícias. 

Tem gente que começa perguntando onde-será-que-isso-termina? Tem gente que termina se perguntando por-que-diacho-isso-começou? Tem gente que nem pergunta, nem começa, nem termina, só afirma que aquilo aspira a dar em nada. 

Mas aqui: há um exagero no riso. Riso, não: gargalhadas. As risadas dela circulam por todo o corpo: nas mãos pequenas e gigantes, no tronco, no quadril que se balança, nos olhos que se fecham – de vergonha ou entrega – e saltam pela boca em timbres foras do tom e em agudos fortes, que beiram o irritante – caso não fosse o contexto do riso. Aliás, tudo é quase irritante, irônico e implicante, como quem visse de fora enxergaria um cenário de pouco carinho, reclamações oxítonas e lamentações em som de rock‘n’roll abrasileirado. Mas ali, por dentro, tudo se transforma logo no maldito riso mesmo. Deve ser difícil explicar o que há na felicidade dali.

O amor vem assim: feito presente tipo meia, num embrulho estranho, jogado na última gaveta. Tem gente que nunca entende o seu jeito de participar dos caminhos. Garrafa que cai no chão e não quebra vira roleta ao jogo da verdade.

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